Cantora Clau e ex-BBB e empresária Amanda Djehdian fizeram explante de silicone; a comunicadora Luísa Marilac decide passar pelo procedimento 26 anos após colocar silicone industrial pela primeira vez
Mateus Aguiar/Acervo pessoal/Divulgação
Cantora Clau e ex-BBB e empresária Amanda Djehdian fizeram explante de silicone; a comunicadora Luísa Marilac decide passar pelo procedimento 26 anos após colocar silicone industrial pela primeira vez


O explante de silicone, procedimento estético para fazer a retirada da prótese de silicone, tem se tornado cada vez mais comum. Os motivos variam entre complicações derivadas do uso da prótese e a busca pela sensação de liberdade ou de um corpo mais natural. Mesmo com a alta demanda das cirurgias de implante , a procura pelo explante de silicone cresceu 10,7% entre 2018 e 2019, de acordo com dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (na sigla original, Isaps).

Para o cirurgião plástico Regis Ramos, o aumento na busca do explante de silicone está muito relacionado à maior aceitação física . Paradoxalmente, esse também tende a ser um fator determinante para a escolha de colocar a prótese de silicone. A empresária e ex-BBB  Amanda Djehdian recorreu à cirurgia aos 20 anos devido à baixa autoestima, decorrente de comentários maldosos que recebeu sobre seu corpo .


A partir da vida adulta, ela decidiu que tentaria “consertar” o que quer que estivesse “errado” com seu corpo. “Ouvia comentários do tipo ‘você tem um bumbum grande, mas se tivesse seios maiores ficaria melhor’ ou ‘por que você não põe silicone? É muito mais bonito mulher com seios redondinhos’. Quando você está insegura, isso entra na sua cabeça feito uma bomba”, explica.

“A gente nunca pensa muito sobre o que o silicone vai agregar na nossa vida, e acho que esse é o problema”, diz a  cantora Clau, que realizou o procedimento de explante de silicone no início de 2021. Para ela, o silicone foi “uma vontade momentânea, um desejo de se sentir mais bonita”.

Clau diz que a possibilidade de retirar a prótese surgiu quando ela virou dentro de seu corpo, algo considerado comum e que pode ser consertado com a troca da prótese . Até então, ela não sabia que o explante de silicone existia. “Quando soube disso, refleti sobre o que queria, sobre as consequências positivas e negativas. Decidi que tirar seria melhor para minha vida e minha saúde”, afirma. 

Doença do Silicone

Para Djehdian, a realidade foi outra. A empresária precisou recorrer ao explante de silicone por motivos de saúde . Ela afirma ter sido vítima da Doença do Silicone . Anos após colocar a prótese, ela percebeu que o corpo dava sinais: primeiro, o cabelo passou a cair; depois veio a fadiga crônica, as alterações de peso, dores musculares e dores de cabeça. Ela também teve sintomas como coriza, sudorese noturna, hipoglicemia, visão turva e perda de memória.

Djehdian passou por uma bateria de exames, que não identificou anormalidades. Até que passou 30 dias com dores intensas, que pensou serem relacionadas ao período menstrual. Ao postar sobre isso em seus stories no Instagram, ela recebeu orientações de uma seguidora que a apresentou a dois perfis que indicavam os problemas relacionados às proteses de silicone.

Menos de dois meses depois, ela optou pelo explante de silicone. “Queria muito me livrar deles, porque estavam me causando dor, intoxicando o meu organismo. Sabendo de todos os malefícios, não tinha motivos para ficar com as próteses”, afirma.


Ramos explica que as complicações precoces mais comuns ligadas à prótese são hematomas, enquanto o tardio é a contratura muscular. O cirurgião plástico Mário Farinazzo acrescenta que queda precoce da mama, formato inestético e rippling (ou seja, dobra da prótese que pode ser vista ao abaixar) também são comuns.

O profissional explica que a Doença do Silicone acontece quando o organismo produz anticorpos contra o silicone em tanta quantidade que eles se voltam contra o próprio corpo. No entanto, a Doença do Silicone segue como uma incógnita. Isto porque, segundo comunicado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), divulgado em fevereiro deste ano, não existem dados científicos suficientes ou exames próprios que comprovem a ligação entre as complicações e os implantes de silicone.

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“Especula-se que a prótese causaria, em algumas pessoas predispostas, dores musculares e articulares, além de fibromialgia, provocadas pelo sistema imune, como Doença de Crohn, Artrite Reumatóide, Lúpus e outras”, explica Ramos. Farinazzo acrescenta que pessoas com essas condições têm mais probabilidade de desenvolver complicações.

Silicone industrial

Luísa Marilac aplicou silicone industrial aos 16 anos e, devido infecções e dores, vai retirá-los 26 anos depois
Divulgação
Luísa Marilac aplicou silicone industrial aos 16 anos e, devido infecções e dores, vai retirá-los 26 anos depois


No caso das mulheres trans e travestis, as próteses ganham um significado que vai além da estética.  A ativista, escritora e comunicadora Luísa Marilac recorreu ao silicone pela primeira vez aos 16 anos, do tipo industrial. O procedimento foi uma alternativa para entrar em conformidade com sua identidade de gênero. “Desde criança não me identificava no meu corpo, olhava no espelho e não me via”, explica.

Na época, recorreu a “bombadeiras” (como são chamadas profissionais clandestinas) para injetar o líquido, também conhecido como silicone injetável, nos seios, quadris e glúteos. No entanto, o silicone industrial não é próprio para ser injetado no corpo humano, podendo causar uma série de problemas de saúde e até levar à morte.

O líquido é tóxico e é indicado para higienização de peças de automóveis e aeronaves e vedação de vidros. “Esse não é um silicone medicinal e nunca deve ser colocado nada desse tipo no organismo, já que pode causar reações inflamatórias e infecciosas em vários graus”, explica Ramos.

Diferente da prótese, o silicone industrial se espalha ao ser aplicado, o que torna impossível sua retirada sem a danificação do tecido na região. “As  próteses de silicone são feitas de silicone firme e são envoltas por uma cápsula forte de silicone ou poliuretano, impedindo que esse silicone extravase”, acrescenta Farinazzo. No entanto, existem casos de ruptura da prótese.

Vinte e seis anos depois da primeira cirurgia, ela afirma não ter tido outra opção a não ser o explante de silicone devido a complicações e dores no local. “Sempre tive problemas sérios porque infeccionava, inflamava. Para fazer as minhas lives no YouTube, eu maquiava os seios para que não percebessem; mas como passei a ter infecções visíveis no queixo, também pelo silicone, as pessoas repararam e isso ganhou repercussão”, afirma Marilac.


Depois disso, em seu canal com mais de 112 mil inscritos, ela passou a levar informações sobre as complicações relacionadas ao uso do silicone industrial para conscientizar outras mulheres, principalmente travestis e mulheres trans, a não recorrerem à prática.

Para que o alerta seja ainda mais claro, Marilac permitiu que sua cirurgia de explante de silicone seja gravada para ser mostrada nas redes sociais. “Vou me expor dessa forma para que as pessoas pensem duas vezes antes de fazer isso e para que elas se preocupem em procurar especialistas, não alguém que vai mutilar e deixar sequelas”, explica.

A cirurgia, com o custo de R$20 mil reais, foi paga pelo humorista Carlinhos Maia , seu amigo. No dia em que foi entrevistada para o iG Delas, Marilac tinha acabado de buscar o resultado de seus exames posteriores à cirurgia, que está marcada para o início de maio. “Só de pensar que vai parar de doer e não vai inchar nunca mais tá maravilhoso”, afirma. Além do explante, ela fará a cirurgia para colocar uma prótese adequada.

A vida depois do explante de silicone

“A gente nunca pensa muito sobre o que o silicone vai agregar na nossa vida, e acho que esse é o problema”, afirma Clau
Mateus Aguiar
“A gente nunca pensa muito sobre o que o silicone vai agregar na nossa vida, e acho que esse é o problema”, afirma Clau


“A sensação era que eu tinha muito ar para respirar. Antes, não”, explica Djehdian sobre a sensação que teve quando acordou da cirurgia de explante de silicone. Quase cinco meses depois, ela afirma nunca ter tomado um remédio para dor. “Não tenho mais dores musculares ou de cabeça, meu nariz parou de escorrer, meu cabelo cai pouco e não tive nenhum episódio de hipoglicemia desde então”, afirma.

Além de sentir melhora em sua qualidade de vida e saúde, a empresária afirma que se sente muito melhor consigo mesma. “Alívio foi pouco! Hoje me olho no espelho e me sinto maravilhosa. Meu corpo agora tá super proporcional, não sinto mais aquele peso, aquele incômodo”, explica.

Clau sente os mesmos impactos em sua autoestima . “Desde que eu operei e me olhei pela primeira vez, fiquei orgulhosa de mim mesma. Me trouxe essa sensação de liberdade e tranquilidade. Gosto muito mais de mim agora do que antes”, afirma.

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