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A pele saudável é um dos pilares para se sentir bem consigo mesma e, além disso, uma ótima desculpa para reservar um tempinho para o autocuidado

É normal acordar se sentindo "para baixo" de vez em quando. O cabelo pode estar sujo, a roupa pode não combinar tanto assim ou pode até mesmo nascer uma espinha bem na ponta do nariz. Independente do que seja, coisas simples podem fazer com que a gente não se sinta tão bonita quanto realmente somos.  No caso de algumas pessoas, porém, a questão da autoestima está diretamente ligada à pele — sendo que uma afeta a outra e vice-versa. 

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A autoestima e a pele tem mais relação do que você pensa e, segundo profissionais, uma coisa pode, sim, afetar a outra



A relação entre autoestima e pele foi assunto do SKIN TALKS, evento promovido pelas marcas FOREO e Biossance, e é algo que afeta muita gente, mesmo sem perceber. "É a pele que separa a individualidade, ou seja, o que temos por dentro, do mundo externo. Estamos em contato com o outro o tempo todo e, por isso, é tão importante cuidar", disse a psicóloga Lígia Dantas. 

Segundo ela, pessoas que têm uma autoimagem mais satisfatória se colocam emocionalmente melhor na vida. "Se o que queremos passar para o mundo está bem afinado, então podemos dizer que temos autoestima e a pele é como um limite disso", completa. 

Porém, questões genéticas ou até mesmo a rotina corrida faz com que a nossa pele sofra com consequências e, muitas vezes, é o contrário: o estresse do dia a dia é tanto que isso prejudica a nossa saúde, o que também inclui a nossa "camada externa".

"Com oito anos de idade eu não me aceitava muito. Sempre tive muitas sardas e era estranho porque minhas irmãs não tinham. Foi quando a minha mãe começou a aplicar ácido no meu rosto porque eu chorava, me sentia diferente dos outros e, pra mim, ser sardenta e ruiva era 'feio'. Também nessa época descobri a maquiagem", conta a influenciadora Mari Maria. 

Mari é bastante conhecida no Instagram e no YouTube, com 11,3 milhões de seguidores e 7,4 milhões de inscritos, respectivamente, por testar produtos e fazer tutoriais. Ela diz que trabalhar com a própria imagem nas redes foi o que a ajudou a aceitar o rosto ao natural. 

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Divulgação
O evento Skin Talks teve a presença de Lígia Dantas, Maria Fernanda Tembra, Mari Maria, Rômulo Cricca e Fabiana Gomes

"As pessoas nao entendiam porque eu não gostava das sardas ou do meu cabelo, mas sempre comentavam o quanto eu estava bonita em tal foto e isso ajudou, pois me vi com outros olhos. Hoje já saio na rua sem maquiagem e me acho ótima. Eu posso ser o que eu quiser." 

É com essa visão que a makeup artist Rômolo Cricca também enxerga o poder da maquiagem. "Sempre vi a maquiagem como arte e expressão, percebi que tudo era possível logo quando comecei a ter contato com isso trabalhando como drag queen", comenta. 

O trabalho que trouxe o nome de Rômulo às redes e ganhar 368 mil seguidores no Instagram, porém, foi o que também causou problemas para sua autoestima. "Eu nunca tive problemas de pele, mas quando comecei a trabalhar as espinhas começaram a surgir por estresse. Fiquei me sentindo mal, porque se a minha pele está boa, me ajuda a gostar de mim." 

Ela conta que parou de usar todos os cosméticos que estava acostumada e foi direto à médica dermatologista, que receitou um antibiótico que teve pouco efeito. "Já tive dermatite por causa de estresse também e só melhorou quando eu aquietei a minha mente", afirma.  

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Maquiagem para a construção da autoestima é um problema?

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A maquiagem pode ser de grande auxílio para construir a própria autoestima, mas não dá para se basear apenas nisso

Apesar da influenciadora e da makeup artist concordarem que foi a maquiagem que trouxe uma "porta de entrada" para se ver de forma positiva, há um limite. "As pessoas não estão mais usando essa arte para criar o que gostam, mas reproduzem um padrão", diz Rômulo.

"Muita gente me pergunta 'se você se sente tão bonita, porque se maqueia?'", comenta Mari. Segundo ela, as pessoas seguem a lógica "oito ou 80" tanto quando o assunto é maquiagem, quanto sobre autoestima. Isso faz com que você não só siga um padrão, mas viva em um ciclo que ou sai com o rosto "rebocado" ou precisa estar com a pele completamente limpa — e se você se sente bem consigo mesma, não tem motivos para "cobrir" o rosto. 

Fabiana Gomes, que é maquiadora da MAC, explica que não há problema nenhum em usar os cosméticos para se sentir melhor. "O que é problemático é usar o tempo todo e só se sentir bonita quando está de maquiagem. Porém, também é questionável isso de se aceitar ser uma imposição. 'Querida, se aceita', como se fosse só apertar um botão", afirma. 

A profissional concorda que hoje as mulheres estão realmente usando menos maquiagem, a maior parte seguindo tendências, como a do "no makeup" ou "maquiagem fresh". Porém, o mais importante é usar esse recurso para realçar a própria beleza. "Às vezes, a pele fica um pouco sufocada debaixo de tanta maquiagem", comenta. 

Padrão de beleza, redes sociais e autoestima

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A mídia e as redes são grandes influenciadoras na hora de falar de autoestima, ainda mais com a imposição de padrões

Não é novidade que as tendências de maquiagem ou de moda são lançadas pelas indústrias de cosméticos e de roupas. Mas mesmo que haja mudanças sobre os padrões "aceitos" e a questão da aceitação cada vez mais em alta, Fabiana ainda vê isso como algo forte. 

"O padrão de beleza ainda é muito forte e calcado em um estilo específico, o que faz com que a gente não se sinta aceito.  Não temos mais espaço para pensar ou refletir. Tenho observado muito isso da confrontando a nossa propria imagem das redes sociais, que deve ser perfeita e não ela 'de verdade'", comenta.  Segundo ela, é preciso ter um tempo consigo mesma, longe do Instagram ou de qualquer outra rede para se "desintoxicar". 

Ela também menciona sobre a importância do papel dos influenciadores nessa questão. "Eles precisam ter responsabilidade sobre como afetam a vida das pessoas e com a imagem que eles estão passando para o público. Na foto a pele está linda, mas na vida real nem sempre é assim." 

Na visão da dermatologista Maria Fernanda Tembra, a mídia é o canal de padrões. Assim, as manchas, espinhas e quaisquer outros "problemas" de pele não são vistos como características de beleza. "O olho reconhece essas doenças estéticas como 'não belo'", diz. 

"Existem padrões culturais e de beleza que vêm mudando ao longo do tempo, é muito relativo. A gente fica eternamente correndo atrás disso, dos elogios da moda, como 'perfeita', 'magra', 'sem defeitos', mas na realidade não existe um padrão, as pessoas são diferentes", comenta Lígia. 

Apesar das redes sociais e da mídia replicarem padrões, nem sempre esses recursos são ruins. Além da autoaceitação de Mari Maria ter sido através dos comentários de internautas, ela vê o lado positivo na própria influência. "Minha sobrinha também tem sardas, mas a aceitação dela é bem mais tranquila sobre isso, porque existem pessoas que a inspiram. Na minha época não tinha esse exemplo que eu olhasse e falasse 'se ela também é assim, está tudo bem'".

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Pele saudável = autoestima em alta

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Uma pele saudável é um dos pilares para uma boa autoestima, ainda mais por causa do tempo investido no autocuidado

"O ideal é que a pele esteja saudável e hidratada. Quando a gente cuida da gente, aumentamos a nossa autoestima. Podemos camuflar ou resolver os problemas com tratamentos, mas o que importa é olhar para nós mesmas e cuidar da gente", completa a dermatologista. 

Como uma barreira de hidratação que protege o microbioma humano, deixar de cuidar da pele pode comprometer esse conjunto que têm um papel importante no corpo. Entre os produtos essenciais para mantê-la saudável estão o gel de limpeza, hidratante de pele e labial, ativos com ácido (no caso de peles com acne, principalmente), óleos essenciais e, claro, o protetor solar. 

Além da rotina de beleza com cosméticos, existe um segundo tipo de cuidado: o do toque e da sensação. Quando investimos tempo nesses cuidados com a pele — ou com os cabelos, com a prática de algum hobby, lendo um livro ou apenas tendo um momento consigo — significa que também estamos apostando no autocuidado, que é a chave para se sentir bem.

"A gente associa muito a pele com proteção e esquece que ela é um órgão sensorial, mas isso está muito ligado a autoestima . A autoestima não vem só da maquiagem ou da estética, mas também do afeto, de ser amado e de se amar", finaliza Fabiana. 

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