Pelo menos 75% das medalhas de ouro do Brasil foram conquistadas por mulheres
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Pelo menos 75% das medalhas de ouro do Brasil foram conquistadas por mulheres



A edição mais igualitária entre homens e mulheres das Olimpíadas foi histórica, apesar dos adiamentos e hipóteses de cancelamento. Nos Jogos, as mulheres quebraram barreiras e tabus que muitos não esperavam. Em 16 dias de competição, atletas do mundo todo fizeram história, à sua maneira. 

Só no Brasil, tivemos 7 medalhas de ouro. Duas das medalhas são inéditas: Rebeca Andrade , no salto da ginástica artística e Ana Marcela Cunha , na maratona aquática. A terceira medalha, foi conquistada pela dupla Martine Grael e Kahena Kunze, que instituíram um marco: são as primeiras brasileiras a serem bi-campeãs olímpicas na vela 49erFX. 

No quadro geral de medalhas do Brasil, pelo menos 66% foram conquistadas por mulheres. Na prata,  Rayssa Leal fez história em ser a medalhista mais jovem do país, com 13 anos. A adolescente de Imperatriz, Maranhão, conquistou a medalha no Skate Street, modalidade estreante nos Jogos Olímpicos. A 'fadinha do skate' promete mais conquistas e medalhas em 2024, nos jogos de Paris. 


Rebeca Andrade, que conquistou a prata no individual geral, foi a primeira mulher a ganhar uma medalha olímpica pela ginástica artística, logo depois, ela conquistou o ouro. Apesar das três cirurgias no ligamento cruzado em um dos joelhos, a atleta ouviu os conselhos da mãe e foi atrás da medalha olímpica, conquistando duas em uma edição só. 

O quadro da prata fecha com as medalhas de Beatriz Ferreira, no boxe feminino e da equipe feminina de vôlei de quadra , que perderam para os Estados Unidos na final por 3 sets a 0. Mesmo assim, foram históricas com a estreia das jogadoras Carol Gattaz, estreante com 40 anos de idade e das novatas Gabi e Rosamaria. 

Mayra Aguiar conquistou a terceira medalha de bronze e foi a primeira mulher a conquistar três medalhas em esportes individuais e a dupla Luisa Stefani e Laura Pigossi, que conquistaram a primeira medalha olímpica do tênis brasileiro em geral. 

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Mulheres estrangeiras também fizeram história

Raven Saunders protagonizou a primeira manifestação dos Jogos Olímpicos de Tóquio
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Não foram só as brasileiras que mostraram a força feminina. Medalhas inéditas conquistadas por atletas femininas foram históricas. No levantamento de peso até 76kg, Neisi Dajomes foi a primeira mulher na história do Equador a conquistar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos, ao subir no pódio, ela homenageou a mãe e o irmão, que a apoiaram no esporte.


Não foi só a fadinha do skate que fez história. No pódio de skate street, a média de idade era de 14 anos, o menor no histórico dos Jogos Olímpicos. O ouro ficou com a japonesa Momiji Nishiya, também de 13 anos. O bronze ficou com Funa Nakayama, de 16 anos. Já no skate park, a skatista de também 13 anos Sky Brown, conquistou o bronze após se recuperar de um acidente grave nos treinos e também do tempo parada por conta da pandemia. 

Após ganhar a medalha de prata no arremesso de peso feminino, a americana Raven Saunders protagonizou a primeira manifestação no pódio das Olimpíadas de Tóquio, algo proibido pelo Comitê Olímpico. Enquanto os medalhistas posavam para as fotos, ela ergueu os braços e cruzou em forma de X. A atleta disse que o ato representava “o cruzamento em que todas as pessoas oprimidas se encontram”.

Pautas sociais foram assunto entre atletas

Marta pediu investimento no futebol feminino após eliminação nas Olimpíadas
[email protected] (Estadão Conteúdo)
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Apesar da grande expectativa, Simone Biles conquistou apenas duas medalhas: bronze na trave e prata em equipes na ginástica artística. Mesmo que muitas conquistas fossem esperadas de Simone, já que ela havia ganho quatro ouros e um bronze no Rio em 2016, a atleta desistiu de quatro finais olímpicas por conta da saúde mental. 

Sem conquistar mais medalhas, Simone conquistou outro feito: o respeito e a atenção mundial para a questão da saúde mental. Ela, que contou que foi afetada pela série de abusos sexuais do ex-médico da seleção de ginástica artística norte-amerciana, Larry Nassar e também pela pressão psicológica para conquistar medalhas. 

Além de Simone, a tenista Naomi Osaka , que era favorita dos jogos, mas nem chegou às semifinais do tênis individual, mostrou que a saúde mental também afeta atletas de ponta: ela revelou que estava passando por um quadro de depressão e ansiedade. Naomi já havia desistido do Roland Garros, uma das principais competições do circuito de tênis mundial. 

O machismo também foi combatido nos Jogos Olímpicos. Altetas alemãs fizeram história ao abandonarem collants e usarem calças para se apresentarem. O uso é previsto no regulamento da Federação Internacional de Ginástica, mas apenas por motivos religiosos, como muçulmanas. Mas as alemãs utilizaram por motivo político. 

"Temos a ideia de que cada ginasta deve estar confortável com as roupas que usa, e por isso criamos essa vestimenta. É muito importante que cada mulher use aquilo que ela quiser", explicou ao UOL Esporte, a ginasta Pauline Schäfer. O feito gerou debate, já que atletas femininas utilizam collants na virilha. 

A jogadora Marta, meia-campista da seleção brasileira, de forma sutil, criticou a diferença de pagamento entre homens e mulheres por parte da publicidade. A atleta tampou o símbolo da Nike nas fotos oficiais da seleção para protestar por um patrocínio igualitário. Marta, que estava na sexta Olimpíada, desabafou quando foi eliminada nas oitavas de final. 


"O futebol feminino não acaba aqui, ele continua. Espero que as pessoas tenham consciência", disse em desabafo para a Globo. "Peço que as pessoas não apontem o dedo para ninguém. Se tiver que apontar, pode apontar pra mim, que já estou acostumada. A nova geração que está vindo não pode pagar por uma desclassificação numa Olimpíada. A gente tem que valorizar cada vez mais e para parar de cobrar tanto o que nunca foi investido antigamente", disse.

Para 2024, é esperado que a igualdade de gênero nos Jogos Olímpicos seja ainda maior. Segundo o Comitê Olímpico Internacional, no programa das próximas Olimpíadas, do total dos 10.500 atletas que disputarão uma medalha haverá 50% de mulheres e 50% de homens, um avanço de 2,2% no número de mulheres inscritas. 

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