Embora o trabalho voluntário seja realizado por ambos os sexos, a população feminina se dedica mais

Uma das razões para que mulheres e homens estejam tão díspares no engajamento social é a disponibilidade
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Uma das razões para que mulheres e homens estejam tão díspares no engajamento social é a disponibilidade
A cada dia que passa aumenta o número de atuantes do trabalho voluntário no Brasil, mas a questão que fica é: quem são eles? Ao que tudo indica, entre jovens e adultos, a maioria é feminina.

De acordo com pesquisa realizada em 2007 pela ONG RioVoluntário, dos 1.179 voluntários, 76% era mulher, com a maioria estabelecida na faixa de 25 a 34 anos e com nível superior de escolaridade. Passados dois anos, a proporção continua a mesma.

Em 2009, foram inscritas 473 mulheres para colaborar com a RioVoluntário e 153 homens (em torno de 24%). No entanto, de acordo com a Coordenadora de Projetos e Organizações Sociais do Centro de Voluntariado de São Paulo, Silvia Naccache, não é por falta de solidariedade do sexo masculino.

“O brasileiro possui uma longa história de trabalho voluntário e hoje há uma maior consciência de que cada ação solidária é fundamental para uma sociedade mais justa e com mais qualidade de vida”, afirma Naccache. Segundo ela, 128 mil pessoas já foram orientadas pelo Centro de Voluntariado de São Paulo para serem voluntárias e as mulheres caracterizam 60% deste número. “Mas é importante salientar que cada vez mais homens estão atuando nesta área”, completa. Mas ainda se apresentam em menor escala.

Uma das razões para que as mulheres e os homens estejam tão díspares neste tipo de engajamento social é a disponibilidade. “O contingente feminino ainda não está inserido no mercado de trabalho como o masculino, então, há uma disponibilidade maior por parte das mulheres que ainda vigora”, afirma a socióloga e psiquiatra pós-graduada em Filosofia da Educação pela PUC-SP, Nilda Jock.

Além disso, há diferenças sociais pré-estabelecidas entre homens e mulheres, que também influenciam neste aspecto. Ainda há o estereótipo cultural de que algumas atividades são especificamente direcionadas para um sexo ou outro.

Antigamente, existiam profissões que eram predominantemente femininas ou masculinas, como engenharia para os homens, por exemplo. Embora estas diferenças predominem cada vez menos, ainda existem. “É muito provável que haja uma visão que ainda discrimina o que é função de homem e o que é função de mulher, que apresenta o voluntariado como trabalho feminino, coisa de quem tem mais tempo e fica em casa”, comenta Jock.

“O homem atual foi criado como o grande provedor da sociedade, ele carrega este estigma”, completa a socióloga. Neste aspecto, as mulheres ganharam maior flexibilidade, mas Silvia Naccache deixa claro que esta relação está se modificando. “Há uma mudança cultural, hoje existe a consciência entre ambos os sexos de que voluntariado é a prática da cidadania”, afirma.

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