Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh descobriram que beber em doses moderadas alavanca as emoções e valoriza os laços sociais

NYT

Qualquer um de nós está mais do que acostumado a ver cenas de comerciais mostrando pessoas alegres e descontraídas dividindo uma garrafa de cerveja. Já acostumamos a pensar no álcool como presença indispensável em qualquer reunião de amigos. Um novo estudo empresta suporte científico para a tese de que o álcool é um "lubrificante" social.

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh descobriram que beber doses moderadas de álcool em grupo alavanca as emoções e valoriza os laços sociais.

A crença de que o álcool funciona como um
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A crença de que o álcool funciona como um "quebra-gelo" nas relações sociais foi confirmada pelo estudo

O estudo também sugere que doses moderadas de álcool podem minimizar emoções negativas – ou, no mínimo, ajuda a reduzir manifestações de desagrado, como permanecer em silêncio, fazer caretas, torcer o nariz e morder os lábios.

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Publicado recentemente pelo jornal de Psychological Science, o estudo selecionou 720 homens e mulheres e montou grupos de três pessoas que não se conheciam.

Estudos anteriores já tinham pesquisado o efeito do álcool em indivíduos. “Mas sentimos que muitos dos efeitos significativos do álcool ficariam mais evidentes num experimento que usasse um cenário social”, avalia Michael Sayette, professor de psicologia da Universidade de Pittsburgh e coordenador da pesquisa. 

No total, 20 grupos heterogêneos foram formados. Cada grupo recebeu ou bebidas alcoólicas, ou bebidas não alcoólicas ou bebidas placebo.

As bebidas alcoólicas continham uma parte de vodka e 3,5 partes de suco de cranberry (as mulheres receberam doses menores). Para tornar as bebidas placebo mais parecidas com as bebidas alcoólicas, os copos foram apenas mergulhados na vodka.

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Os participantes sentaram-se em volta de uma mesa redonda e beberam três doses das bebidas durante um lapso de tempo de 36 minutos.

As sessões de bebida em grupo foram filmadas para que os pesquisadores pudessem analisar as interações individuais e grupais e perceber sinais faciais e padrões de linguagem.

O consumo de álcool alimentou as interações sociais e fez aumentar o tempo que as pessoas passaram conversando umas com as outras. Também aumentaram a frequência e os padrões ritmados de ‘sorrisos verdadeiros. No final, os pesquisadores declararam que todos os três membros dos grupos que haviam bebido álcool mostravam-se mais predispostos a sorrir ao mesmo do que os membros dos demais grupos.

Da mesma forma, os membros de grupos que haviam recebido bebidas alcoólicas também se mostravam mais engajados nas discussões e conversas.

O álcool afetou a forma como os participantes reagiram aos feedbacks da pesquisa, como “gostei desse grupo” ou “os membros desse grupo são interessantes e estão interessados naquilo que eu tenho para dizer”. Os participantes que haviam bebido álcool reagiram com muito mais intensidade a frases desse tipo.

A partir dos resultados, diz Sayette, “podemos começar a questionar temas de grande interesse para as pesquisas relacionadas ao consumo de álcool: por que o álcool nos faz sentir melhor em situações de grupo? Existem evidências que sugiram a predisposição de um ou outro membro de cada grupo de desenvolverem um problema de alcoolismo?”

O estudo foi patrocinado pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism dos EUA.

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