
A popularização das câmeras de alta definição e a exposição constante nas redes sociais têm mudado a forma como muitas mulheres enxergam o próprio corpo.
Se antes a celulite costumava ser percebida principalmente diante do espelho, hoje vídeos gravados durante atividades do dia a dia passaram a evidenciar detalhes da pele que, muitas vezes, passavam despercebidos.
Gravações feitas na academia, na praia ou até mesmo por amigos mostram o corpo em movimento, sob diferentes ângulos e condições de luz.
Essa mudança tem levado cada vez mais mulheres a procurar especialistas preocupadas com marcas que acreditam ter se intensificado, quando, na realidade, apenas passaram a ser observadas de outra maneira.
Segundo o médico Roberto Chacur, criador do protocolo GoldIncision, a tecnologia influencia diretamente essa percepção.
"A câmera não cria a celulite, mas pode evidenciar depressões e irregularidades que, no espelho, aparecem de forma muito mais discreta. Luz, ângulo, contração muscular e movimento mudam completamente a percepção da pele. Muitas vezes, a paciente não está diante de uma piora real, mas de uma nova forma de observar o corpo", explica.
A celulite é uma alteração do tecido abaixo da pele e não está relacionada apenas ao excesso de gordura.
Fatores como predisposição genética, hormônios, circulação, qualidade da pele e características individuais também contribuem para o seu surgimento, o que explica por que ela pode aparecer até mesmo em mulheres jovens, magras e fisicamente ativas.
Nos consultórios, essa nova forma de observar o corpo já se tornou comum. Em vez de relatarem apenas o incômodo com a celulite, muitas pacientes levam vídeos, capturas de tela e fotografias para mostrar exatamente em quais situações perceberam alterações, como durante caminhadas, corridas ou exercícios físicos.
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Para Roberto, essas imagens podem ajudar a entender a queixa, mas não substituem a avaliação médica.
"Nem toda imagem representa uma piora clínica. Às vezes, a paciente está vendo o corpo em uma condição que nunca observava antes. A avaliação precisa considerar o tecido, o grau da celulite, a profundidade das depressões, a flacidez e os fatores associados. Um vídeo pode ajudar a entender a queixa, mas não substitui o diagnóstico", afirma.
A CEO das clínicas Leger, Nívea Bordin Chacur, observa que esse comportamento tem sido cada vez mais frequente entre as pacientes.
"Hoje, muitas mulheres não procuram avaliação apenas porque viram a celulite no espelho. Elas chegam com uma imagem específica, um vídeo, um print, uma situação em que sentiram que o corpo não correspondia ao que imaginavam. Nosso papel é acolher essa queixa, mas também organizar a leitura: entender se existe uma alteração estrutural, se há flacidez associada, se a percepção foi influenciada por luz, movimento ou ângulo e qual abordagem realmente faz sentido para aquele corpo", afirma.
Para os especialistas, o avanço da tecnologia trouxe um novo desafio: diferenciar mudanças reais da pele daquelas que são apenas resultado da forma como as imagens são registradas.