Perfis infantis criados pelas mães invadem as redes sociais

Eles mal sabem falar, mas já têm conta no Orkut e no Facebook controlada pelos pais. Até que ponto isto é saudável?

Ana Carolina Addario, especial para o iG São Paulo | 05/04/2011 16:51

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Foto: Arquivo pessoal

Ryan tem perfil no Orkut desde 1 ano de idade, administrado pela mãe, Karla

No Brasil, 86% dos usuários ativos de internet usam algum tipo de rede social e passam cerca de 5 horas diárias navegando por elas. Não é surpresa encontrar, neste meio, pais e mães que vão além da busca por conselhos para a difícil tarefa de criar e educar uma criança. Muitos querem, simplesmente, contar as histórias de seus filhos ou mostrá-los para o mundo – como as mães que, no mundo real, carregam orgulhosas uma foto da cria na carteira.

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A idade mínima de 18 anos exigida para o cadastro em redes sociais não impediu o boom de perfis de bebês na rede. Eles não sabem sequer falar. Mas, por obra dos pais, já “postam” detalhes de sua rotina em blogs, fazem declarações de amor para a família pelo Orkut e Facebook e conversam com amiguinhos da mesma geração pelo Twitter. Comunidades como a “Sou um bebê muito lindo!”, do Orkut, com cerca de 2750 usuários – a maioria com menos de um ano –, provam que os novos pais buscam maneiras de registrar e dividir a vida de seus filhos com quem quiser ver. Mas isso é saudável?

A entrada precoce nos meios virtuais pode significar a exposição do bebê a um universo absolutamente adulto – e, em alguns casos, até perigoso. Para a psicóloga Luciana Ruffo, membro do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP, é preciso entender os limites entre a brincadeira e a superexposição. “O que você contaria sobre seu filho para uma pessoa na rua? Com certeza não seria tudo. Na internet é a mesma coisa: precisa compreender este limite, porque uma vez publicada a informação ficará lá para todo o sempre”, afirma a psicóloga.

Comunicação vs exposição

De acordo com a consultora de etiqueta Ligia Marques, criar perfis falsos nunca será considerada uma atividade louvável. E, se o uso coerente da internet não é tarefa fácil nem para um adulto, imagine então assumir o discurso de uma criança. Mas, se a decisão de criar uma conta em uma rede social qualquer para a criança for tomada assim mesmo, é importante entender o limite entre dividir detalhes corriqueiros e expor a vida de seu filho. Comentar as novas palavras do bebê ou publicar que ele adora beterraba são detalhes corriqueiros – e simpáticos. Descrever seu itinerário, revelar em que bairro vive e postar toneladas de foto são exposição. “A mãe deve ter atenção para postar informações que não excedam o caráter particular e privado de cada pessoa da família. Todo conteúdo deve ser bem avaliado antes de ir para a internet”, recomenda ela.

Karla Cristina Barbosa, de 27 anos, criou um perfil do Orkut para seu filho Ryan, de 3, quando ele tinha apenas 1 ano. “Conheço várias mães que criaram Orkut para seus filhos, até mesmo na minha família. Postamos fotos e participamos de comunidades sobre crianças”, diz. Ela usa a rede para mandar notícias do filho para os parentes e trocar informações com mães internautas como ela. A jovem mãe admite que se preocupa com o fato das fotos estarem desbloqueadas para quem quiser ver, mas não pensa em tirar o perfil do ar.

Para Karla, no futuro, Ryan vai gostar da ideia de ter feito parte da rede desde bebê. “Imagino que ele achará legal ter tido Orkut desde criança, pois vivemos em um mundo onde as pessoas se relacionam através da rede”, conta. A mãe pretende continuar postando como Ryan até que ele aprenda administrar o perfil sozinho – o que não deve demorar muito, já que ele já tem uma ligação muito forte com a internet.

Foto: Arquivo pessoal Ampliar

Vivian e Breno, prematuro extremo: desafios narrados em blog

Tatibitate virtual

Mas por que dar voz virtual a bebês quando eles ainda mal sabem falar seus nomes? Para a psicóloga Luciana Ruffo, as intenções da maioria das mães que criam estes perfis para seus filhos vão além de manter familiares informados sobre o desenvolvimento dos bebês ou inteirar-se de assuntos relacionados à maternidade. A inserção consiste numa tentativa de integrar desde cedo os pequeninos ao universo virtual e promover diálogos por estas redes, ações muito mais fáceis do que ligar ou visitar um familiar ou amigo.

Por outro lado, as redes sociais também trazem vantagens na conservação da memória (veja como as novas mídias mudaram a forma de guardar as memórias da infância). Elas podem guardar um acervo muito maior de registros sobre o crescimento do bebê, com fotos, vídeos e descrições, pronto para ser navegado quando ele já for grandinho. Basta se lembrar que determinadas fotos e informações têm o mesmo potencial de constrangimento, seja em um álbum de papel ou em um acervo virtual. “Mas esta geração é mais tranquila em relação à exposição virtual e participar da rede pode fazê-los sentir-se importantes”, completa Luciana.

Alternativa altruísta

Se uma mãe pretende falar sobre os desafios da vida de seu filho na internet, para inspirar outras mães ou mesmo para trocar ideias sobre maternidade, Ligia Marques recomenda a criação de um blog. A ferramenta permite a troca de ideias entre pessoas com a mesma afinidade, transcendendo a função de vitrine.

Foi o caso da analista de importação e exportação Vivian Regina Peltier, de 27 anos. Ela criou o blog Vencendo com Breno depois de superada a aflição de ver seu filho, prematuro extremo, sofrer complicações pulmonares assim que nasceu. Vivian quis compartilhar sua história a fim de ajudar mães como ela a superarem problemas similares. E a iniciativa deu certo. “Muitas mães já entraram em contato comigo e sugeriram montar uma ONG para ajudar na orientação de famílias com bebês prematuros. Quero amadurecer essa ideia, mas ainda passo por muitos contratempos de saúde com o Breno. Publico sempre sobre vacinas que o governo fornece para bebês prematuros extremos, tento ensinar diversos procedimentos de fisioterapia que aprendi nos hospitais e por aí vai”, conta Vivian. A exposição já não a preocupa. “No início pensamos muito nisto, mas conversei muito com meu marido e concluímos que esta exposição seria por uma boa causa”, completa.

Ela espera que Breno, quando maior, se orgulhe do trabalho de seus pais e possa perceber que a luta diária pela sua vida não foi em vão. Um refresco eterno – e um tributo virtual – para a memória.

4 dicas para manter os perfis de seus filhos em segurança

- No Orkut, Facebook ou Twitter, certifique-se de que você conhece todas as pessoas aceitas como contatos, para não correr o risco de estranhos terem acesso a informações sobre sua família.

- Customize o acesso ao seu conteúdo: libere fotos e vídeos apenas para os familiares e amigos próximos. Peça a eles para não espalhar os dados por aí sem sua autorização.

- Cuidado com o tipo de imagem que posta de seu filho: ele pode ficar constrangido no futuro. Existe também o risco de atrair a atenção de pessoas perigosas.

- Para trocar informações e experiências sobre maternidade, blogs são a opção mais recomendável.
 

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    9 Comentários |

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    • Sula | 06/04/2011 16:23

      Aê, mãezonas; Aê paizãos, regalem os olhos de pedófilos, traficantes de crianças com as fotos e detalhes de seus rebentos. Só não venham chorar depois, dizendo, "oh! Eu amo demais meu filho, jamais pensei que ele estaria correndo algum risco!"\n\nA estupidez sempre me espanta...

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    • Luiz Paulo Vieira | 06/04/2011 10:08

      Eu particularmente digo que é um absurdo que isso seja permitido, pois na realidade o que esses "pais' querem é ganhar dinheiro oferencendo seus filhos como produto de midia e isso esta cheio por ai já tem ate familia que se auto sustenta nas costas de seus filhos.\nai eu indago existe conselho da criança e do adolecente. os argumento usado por estes "pais" já conhecemos, sãoa varios e podem até explicar não para mim não justifica...\nISSO É UMA VERGONHA!

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    • cleo barbosa | 06/04/2011 09:03

      Meu filho tem sete anos e tem orkut o qual eu administro , um dia ao entrar vi que tinha um homem solicitando para ser amigo dele , fiquei preocupadissima e substitui a foto dele por uma imagem de um desenho e bloquiei o acesso a "todos" e expliquei a ele que sempre que tiver uma solicitação tenho que ter ciencia.Hj em dia é impossivel privar as crianças da rede social porem como pais temos que acompanhar.É o minimo que podemos fazer.

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      João | 06/04/2011 16:19

      ...pais assim só podem criar monstrinhos e depois estes mesmos pais entram em crise..... porque não aguentam os filhos que criaram e colocam estes filhos no convívio com a sociedade totalmente descontrolados

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    • Ana | 06/04/2011 08:55

      Não acho legal essas crianças terem perfis na internet, acho q de algum modo isso rouba a infância delas. As mães q criam perfis p/ os filhos geralmente são mães q tiveram sua infância nos anos 80 e 90, e nesse tempo não tinha nada disso e garanto q foi uma infância mais feliz e produtiva do q as crianças dos anos 2000 tiveram e estão tendo, elas apenas esqueceram de como era bom o tempo q não existia orkut, msn e q menininhas de 12 anos ainda brincavam de boneca ao invés de fazerem filhos como hoje, q os meninos de 13 assistiam cavaleiros do zodiaco ao invés de se expor na net fazendo sexo, de quando iamos para a escola ansiosos para jogar tazo na hora do recreio ao invés de jogar cadeiras nos professores e q pra contar uma novidade pra amiga tinha q ligar na casa dela ou esperar o dia seguinte pra contar na escola e não ir correndo pro facebook e contar na hora...Não estou dizendo q as tecnologias não são boas, elas são ótimas, mas as pessoas se esqueceram e não passam para os seus filhos a essência das coisas mais simples, q são as q dão mais emoção....

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    • Flávia | 06/04/2011 08:52

      Não gosto da idéia de colocar um perfil para os meus filhos nas redes sociais, acho excesso de exposição.

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    • Geraldo Moreira Prado | 06/04/2011 01:22

      Num pequeno estudo preliminar que eu fiz para discutir em minhas aulas o uso de redes sociais por brasileiros nas faixas etárias entre 10 aos 20 anos de idade, pude ver que que a criação dessas redes e o seu uso quando bem orientado, foi um avanço excente para a comunicação no mundo da era do dominío total da tocnologia sobre o ser humano. Concluir também que setores da classe média têm comportamento doentio em relação ao uso da mídia, e não têm o mínimo de conhecimento com a criação/formação dos seus filhos. Isto não vem acontecendo somente nos dias atuais com o advento do twitter, Orkut e Facebook, mas antes mesmo, quando só tinha a televisão, era normal as mães deixarem os seus filhos ainda nos berços (e às vezes também o seu cachorrinho de estimação) em frente de uma televisão ligada e com uma babá que nem estava aí para a criança. Não porque a babá fosse relapsa, mas era por que no Brasil as babás não têm o mínimo de formação para cuidar de crianças, nemtampouco as mães tem consciência da importância dessa formação. Mães, no Brasil, são pouquíssimas que fizeram algum tipo de leitura de textos cientificos e nem mesmo de publicações populares vendidas em bancas de revista sobre a mente do seu bebê, por exemplo. Então o problema não está no uso das redes sociais que são ferramentas excelentes de comunicação, mas sim da forma como elas vêm sendo usadas de modo geral e, em particular, por essas mães que levam os seus filhos antes mesmo de saber falar direito a usar uma delas, porque isto lhe parece moderno, desenvolvido. Na minha opinião, o problema dessas pessoas não é provocado pela modernidade tecnológica, mas sim, por problemas de moléstia/patologia social.

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    • francisco gomes | 06/04/2011 00:38

      isso é ofensivo em que? Falar que a pessoa quer se aparecer,o que eu vejo, é apenas uma mae espondo a privacidade dlo fil.ho/filha, ou não é isso.

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    • francisco9 gomes | 06/04/2011 00:34

      O que o povo quer ~e se aparecer, isso é apenas falta de sabedoria.

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