Além de comprar em conjunto, pesquisar e envolver as crianças também podem ajudar na economia. Mas marcas e lojas devem ser da escolha dos pais

Para baixar os custos, pais podem comprar em conjunto e pesquisar lojas. Indicação de marcas ou estabelecimentos específicos são irregulares – e podem ser denunciadas
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Para baixar os custos, pais podem comprar em conjunto e pesquisar lojas. Indicação de marcas ou estabelecimentos específicos são irregulares – e podem ser denunciadas
Impostos e matrículas escolares já pesam no orçamento familiar no começo do ano, mas as famílias podem aliviar as contas em outros campos – como na compra de materiais escolares. Uma alternativa viável e bastante econômica é a compra coletiva, com ajuda de outras famílias.

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Como muitos outros itens, materiais escolares tendem a ficar mais baratos quando comprados em grandes quantidades. De acordo com o professor e educador financeiro Mauro Calil, a economia fica entre 20% e 90%. “Em materiais como a régua de 30 centímetros, a diferença é de comprar por R$ 1 ou por 10 centavos. E isso é muito”, afirma.

“É um tipo de compra inteligente”, diz o sócio diretor do instituto Data Popular , Renato Meirelles. Calil e ele aconselham que os pais se juntem a famílias dos coleguinhas de sala de seus filhos, pois o material seria o mesmo a se comprar. “Os pais devem se organizar pela classe do seu filho, nas confraternizações de final de ano, trocar telefone com eles. É na hora do ‘sufoco’ que eles têm que se unir”, diz Calil.

“Lápis, caneta, lapiseira, caderno, cola branca e régua são os materiais que podem ser facilmente comprados de forma coletiva”, diz Meirelles. E não basta as famílias comprarem juntas: elas têm que pesquisar juntas. “Para isso, a internet ajuda bastante”, aponta Calil.

Valéria Rodrigues Garcia, diretora de estudos e pesquisas do PROCON-SP, sugere que cada família envolvida na compra analise as lojas mais próximas de suas casas. Escolhido o local, comprar na mesma loja ajuda na hora do desconto – e não precisa ser uma loja atacadista. Comércios de varejo podem negociar vendas com desconto em maiores quantidades.

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E o que sobrar?

Já em uma compra feita no atacado, é comum que alguns objetos sobrem. Para que essa sobra não se torne dispendiosa para as famílias, Valéria aconselha que se faça bem a conta. “Se muita coisa sobrar, os pais saem em desvantagem e a economia acaba não valendo para nada”, diz Valéria.

Mas, dependendo do volume, também é possível aproveitar a sobra. “As famílias podem fazer um acordo: alguém fica com material a mais e não precisa comprar no próximo semestre”, afirma Mauro Calil.

E, para driblar uma invasão de cadernos e outros itens idênticos na mesma classe, Renato Meirelles sugere que as mães e pais usem uma tática de diferenciação: “Eles podem comprar papéis diferentes para encapar os cadernos, assim as crianças não terão como se confundir”, diz.

Quem escolhe?

Levar as crianças a tiracolo na hora das compras não ajuda na economia. Elas provavelmente vão pedir insistentemente por um caderno ou uma caixa de lápis da popular saga “Crepúsculo” ou do herói Ben 10, unanimidade do momento entre os meninos – produtos mais caros devido aos royalties que as marcas precisam pagar para usar tais imagens.

Por outro lado, é importante deixá-la participar de algumas decisões. Uma solução é comprar parte da lista sozinha, parte com ela. “A criança não deve ser envolvida numa compra volumosa, mas numa compra de materiais de item único, como a mochila ou o estojo”, diz Mauro Calil.

Valéria Garcia lembra que os pais devem procurar por qualidade, e não por uma marca. Se a escola exigir algum tipo de marca de material, os pais não só podem desconsiderar o pedido, como ficam no direito de reclamar com a escola. “Nenhuma escola pode exigir marcas específicas, apenas qualidades específicas, como a gramatura de um papel”, diz.

No fim, a compra responsável feita com pesquisa e a ajuda de outras pessoas pode não só gerar economia como educar as crianças. “Quando você compra o material de forma coletiva, você começa a ensinar as crianças antes mesmo das aulas começarem. Você ensina economia e a fazer uma compra inteligente”, afirma Renato Meirelles. O orçamento familiar presente e futuro agradecem.

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