Cris Guimarães, blogueira, é mãe de Pedro, 11, Daniel, 9, e Luis Felipe, 2 e vive no Rio de Janeiro, RJ. Leia depoimento

"Eu frequentei escola pública até a 4ª série. Meu marido vivenciou essa experiência a vida inteira e mesmo assim eu nunca tinha pensado nessa hipótese para meus próprios filhos. Cheguei a cogitar outras possibilidades, como a educação domiciliar , mas como não é reconhecida no Brasil, meu marido me convenceu de que a rede pública era nossa opção. Não teríamos mais condições financeiras de arcar com os custos da escola privada.

Cris e os filhos em frente à escola: mudança da particular para a pública, depois do susto, foi uma boa surpresa
Celso Pupo/Fotoarena
Cris e os filhos em frente à escola: mudança da particular para a pública, depois do susto, foi uma boa surpresa

Entrei em pânico. Meus filhos, a princípio, também ficaram apreensivos, pois é uma realidade com a qual não estavam acostumados, além de sempre terem ouvido, em casa e com amigos, coisas negativas sobre a escola pública. Fui sincera com eles. Falei que o motivo era financeiro, mas que daria todo o apoio necessário para garantir uma boa formação.

Hoje, acho que não vai ser necessário apoio extra, só o que já era usual, como leituras complementares, passeios culturais e pesquisas na internet, pois me surpreendi bastante com o que vi até agora.

A gente tem em mente que nossos filhos merecem o melhor e a mídia só divulga a parte negativa do que ocorre nas escolas públicas. Poucas são as iniciativas para divulgar os avanços obtidos, as melhorias feitas. Com a minha nova realidade, tive a curiosidade de pesquisar e constatei que o ensino público, nos últimos dez anos, avançou muito em todo o país. No Rio de Janeiro, em especial, há excelentes escolas, muitas com performance alta no ENEM – é um parâmetro discutível, mas não deixa de ser uma referência para comparação – e sem progressão continuada, o que é muito importante.

A frase “o aluno faz a escola” tem muito sentido para nós agora. Se eles sempre foram bons alunos até hoje, vão continuar sendo. Eventuais deficiências, a gente discute com a própria escola a melhor forma de suprir.

Feitas minhas escolhas, não tive dificuldade nem para matriculá-los. Fui muito bem recebida pela equipe das duas escolas. Como meus filhos estão em fases diferentes do ensino fundamental, não consegui que ficassem na mesma escola. A infraestrutura é ótima: tem wifi, laboratório de informática, aulas ministradas em netbooks, práticas esportivas, música, aulas de reforço, estudo dirigido.

A escola também oferece um suporte bacana nas refeições – são três por dia – e também fornece o material e uniforme escolar. Ou seja, tirando o luxo ao qual meus filhos estavam acostumados, não acho que sentirão falta de nada.

A frase “o aluno faz a escola” tem muito sentido para nós agora. Se eles sempre foram bons alunos até hoje, vão continuar sendo. Eventuais deficiências, a gente discute com a própria escola a melhor forma de suprir. A questão da socialização, de conviver com as diferenças, seja elas de classe social ou de ideologia, também é uma experiência muito rica para eles.

Claro que há desvantagens: falta de organização e muitas informações desencontradas. Uma hora é uma coisa, outra hora é outra, não definem um padrão. Por exemplo, o horário de entrada passado na matrícula foi um, agora é outro. O Riocard (cartão utilizado para pagar o transporte para a escola) veio sem foto, apesar de a foto ter sido tirada na escola. As informações vão sendo passadas “de sopetão”.

Por fim, o espírito de comunidade está mais presente. Muitos pais e mães participam dos processos, não apenas delegam e aparecem em ocasiões festivas. Há atividades que envolvem as famílias e a comunidade do entorno, tornando a escola ponto de referência naquele local.

Enfim, não é uma experiência perfeita. Mas, por enquanto, as vantagens estão sendo maiores."

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