Apesar da recomendação da Academia Americana de Pediatria contra os DVDs, debate entre mães ainda gera polêmica

Programas de televisão, mesmo educativos, são contraindicados pela Academia Americana de Pediatria para as crianças de até dois anos
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Programas de televisão, mesmo educativos, são contraindicados pela Academia Americana de Pediatria para as crianças de até dois anos
A Academia Americana de Pediatria divulgou uma diretriz , no final do ano passado, aconselhando os pais a não permitir que seus filhos assistam programas de televisão ou DVDs, nem mesmo os educativos, até completar dois anos de idade.

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Segundo os médicos, o uso de vídeos ou DVDs pode atrasar a capacidade da criança de falar. Embora não se refira a conteúdos interativos, como jogos de videogames, smartphones e outros dispositivos, a orientação, foi considerada radical e está longe de atingir um consenso entre mães e pais.

“Não é um desenho de meia hora que vai retardar o processo de fala da criança. Não gosto de extremismos. Meus filhos assistem um pouco de televisão e não vejo mal nisso”, afirma a empresária Julia de Carvalho Ferreira, 35, mãe de Bruno, 4, e Fernando, 2. Ao contrário do que acusam muitos críticos, na casa de Júlia a TV tampouco é um meio para a mãe conseguir uma folga e realizar outras tarefas. “Meus filhos não ficam sozinhos assistindo desenhos. Estou junto e fico atenta ao que estão vendo”.

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Controle, aliás, parece ser preocupação constante dos pais. “Cabe a nós determinar o que nossos filhos vão aprender ou não”, afirma Daniele Guion de Ângelo, representante comercial, 34. Daniele é mãe de duas crianças – Catarina, com seis anos, e Lorenzo, de um ano e dois meses – e acredita que, ao contrário do que recomenda a associação americana, programas voltados para crianças podem ajudar no aprendizado. “Criança aprende muito com repetição e muitos dos DVDs disponíveis hoje em dia trabalham isso”.

Apesar de ser a favor do uso de vídeos, Daniele acha importante não basear a rotina da criança em apenas assistir televisão. “A gente conversa, brinca e ouve música com o Lorenzo. Não sou do tipo que pega tudo que ele aponta. Justamente por isso, meu filho já fala algumas palavras. Acho que o desenvolvimento dele está indo muito bem”.

A empresária Kamila Festa Ramos Sanchez, 26, mãe de Manuela, de 10 meses, tem a mesma opinião sobre o desenvolvimento da filha. Contrária aos “extremismos” pregados na educação das crianças atualmente, ela conta que Manuela já anda e começa a balbuciar as primeiras palavras. “Não tem como proibir o filho de ver televisão. Muitas atividades do convívio social das crianças envolvem assistir DVDs, por exemplo. O mundo real é assim”.

Não precisa de TV

Em plena sintonia com a recomendação americana, a advogada Maria Cecília Cury Chaddad, 32, prefere se ater aos conselhos médicos e não permite que os filhos, Maria Carolina, 2, e Rafael, de quatro meses, tenham contato com vídeos. “A televisão ligada diminui o diálogo da família, reduz o contato físico e visual mesmo entre adultos. Com as crianças, esse fato parece muito mais relevante, pois elas aprendem justamente interagindo com outras pessoas”, defende.

A postura lhe rende fama de radical. “Escuto muitos comentários como ‘se não pode ver televisão, o que fazer com as crianças durante o dia?’. Dá mais trabalho, mas interagir com elas é o que se faz. Ler livros, brincar com fantoches, pintar, brincar com massinha, ouvir música e tantas outras atividades podem ser realizadas na companhia dos filhos”, diz.

Mais diplomática, a administradora de empresas Patricia Frauches Leung, 26, não pensa em proibir o filho Eric, hoje com apenas cinco meses, de assistir televisão, mas certamente não irá estimular a atividade. “Enquanto eu tiver disponibilidade e ânimo, prefiro distrair meu filho com outras coisas. Leitura, por exemplo”, conta. Para ela, o estilo de vida da família, que não costuma ver televisão, ajudará a manter a decisão.

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A irmã de Patricia faz coro e não pretende deixar a filha Camila, de quatro meses, consumir vídeos tão cedo. Renata Leung, 30, professora do ensino fundamental, acredita que a nomenclatura pode confundir. “A televisão é um entretenimento passivo. Mesmo vídeos chamados de educativos são, na verdade, apenas informativos. Não educam. Muitas pessoas não conseguem ver isso”.

Preocupada com a formação de sua filha, Renata procura abrir espaço para a leitura desde cedo. “Eu vejo muitos alunos que não sabem ler de verdade. Não entendem o que as palavras querem dizer dentro de um contexto. Talvez seja justamente pela falta dessa atividade na primeira infância”.

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