Jeane Takitani, 39 anos, é publicitária e mãe de Enzo, 10 meses. Ela conta, em depoimento, como foi a decisão de ter um filho

Jeane observa Enzo: tudo no tempo certo
Edu Cesar/Fotoarena
Jeane observa Enzo: tudo no tempo certo
“Eu perdi meus pais muito cedo, quando ainda era um bebê. Com esse histórico de vida difícil, sempre tive que me virar sozinha. Isso significou ser imatura emocionalmente, pensar na possibilidade de criar filhos sem a ajuda dos avós e também investir na carreira, sobretudo para ter estabilidade financeira. Ou seja, antes de ser mãe, tive que me encarregar de outras responsabilidades e de um amadurecimento apoiado em parentes, amigos, mas não em pais propriamente ditos.

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Aos 38 anos, meu ginecologista pôs as cartas na mesa. Disse que era a hora para mim, pois se eu adiasse muito, poderia ter problemas com a gravidez.

O momento certo para a maternidade chegou quando alcancei uma estabilidade não só financeira, mas também no casamento, emocional. E também quando, aos 38 anos, meu ginecologista pôs as cartas na mesa. Eu estava com alguns miomas e ele foi muito claro e objetivo comigo. Disse que era a hora para mim, pois se eu adiasse muito, poderia ter problemas com a gravidez.

Nessa hora bateu a pressão biológica sim, ainda mais com a possibilidade de uma gravidez complicada. Enfrentei meus medos e inseguranças e decidi engravidar.

O desejo de ser mãe falou alto. Hoje o Enzo está com 10 meses e apesar de trabalhar fora e ficar ausente boa parte do tempo, sou daquelas que querem ser uma “super-mãe”, estar presente em todos os momentos possíveis.

Busco ser uma boa referência, uma vez que eu não tive. Quero passar valores, dar uma boa educação. Acho que, pelo fato de não ter tido pais, sou mais protetora, cuidadosa, tenho medo que algo ruim possa acontecer com ele.

O ruim de ser mãe nesta idade é que não tenho o mesmo pique dos 20, 30 anos. Fico mais cansada, o corpo não aguenta as madrugadas sem dormir, nem certos tipos de brincadeiras. Mas, por outro lado, me sinto mais madura, mais consciente dos meus deveres e responsabilidades.

Depois que o Enzo nasceu, acredito que não exista amor maior do que este que sinto por ele, um amor incondicional verdadeiro. Isso me leva a pensar, às vezes, que deveria ter sido mãe mais cedo... Mas acho que a vida é assim mesmo: sem muitas explicações para que tudo, no final, aconteça sempre no tempo certo. Agora, a maior desvantagem que vejo hoje é que já tenho que decidir rapidamente se quero ser mãe de novo. Vamos ver se tomo coragem no ano que vem!”

(Depoimento a Carla Hosoi)


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