Tratamento psicológico nessa fase ajuda no processo de autoafirmação dos jovens e diminui crises familiares. Veja alguns sinais de que seu filho precisa de ajuda profissional

Terapia para adolescente
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Terapia para adolescente

Se a infância é marcada pela evolução do desenvolvimento das crianças, a adolescência é vista como o tempo dos conflitos. Os filhos, que até então estavam protegidos pelos braços e limites dos pais, passam a buscar autonomia e independência.

Nesse desequilíbrio entre autoridade e submissão na família os adultos podem perder o controle da situação. E fica difícil saber se chegou a hora de pedir ajuda profissional. Mais difícil ainda é aceitar essa necessidade.

“Muitas vezes, a culpa dos transtornos é dos pais. Eles não sabem como lidar com o comportamento dos filhos e se recusam a buscar ajuda. É ego ferido, como se o terapeuta fosse atestar a falha deles como educadores”, observa a psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro “Criando adolescentes em tempos difíceis” (Summus Editorial).

Papéis distintos

Com o estudante Guilherme Machado, de 18 anos, a situação de recusa dos pais é semelhante. Ele sempre teve vontade de fazer terapia, mesmo tendo uma relação familiar tranquila.

“Eu converso com meus pais, mas não acho que seja o suficiente. Muitas vezes, a vontade de se abrir com um psicólogo é maior”, acredita.

Mesmo assim, os pais de Guilherme não concordam com os argumentos do filho. Para eles, um terapeuta faz “mais do mesmo”.

“Eles já usaram várias vezes a desculpa de que um psicólogo não vai falar nada que eles já não tenham me falado. Minha mãe já disse que o motivo de alguém acreditar no psicólogo é porque ele fala o que você quer ouvir”, lamenta Guilherme.

Os especialistas fazem questão de ressaltar que o profissional não substitui o papel dos pais. É natural que os adultos não saibam o melhor jeito de dialogar com os filhos e acabem adotando uma postura combativa. Do hábito de julgar e agredir verbalmente, nasce a oposição entre os familiares. A consequência é que os jovens respondam na defensiva e se fechem ainda mais para o mundo. Por isso, é importante que alguém de fora faça a mediação.

“Geralmente, os pais não escutam os filhos, não deixam que eles se expliquem. O terapeuta faz o contrário, escuta o lado do adolescente e passa essa sensação de segurança”, explica Elizabeth.

"Coisa de doido"

A resistência dos pais, muitas vezes, chega a desqualificar a dor desse adolescente. Alguns acreditam, inclusive, que o tratamento psicológico só é necessário para quem tem algum tipo de desequilíbrio mental.

"Os pais desqualificam o sofrimento dos filhos ao dizer que terapia é coisa de doido. Essa atitude demonstra falta de sensibilidade”, afirma a psicóloga e terapeuta familiar Rosa Macedo.

“Os adultos precisam perder esse preconceito. Terapia não é cura, é autoconhecimento. Numa fase de tantas mudanças, como a adolescência, é extremamente benéfico dar essa oportunidade para os jovens. Assim, eles encontram seus lugares no mundo que os cerca”, rebate Elizabeth.

Se o próprio jovem procura os pais para pedir ajuda, a resposta deve ser ainda mais serena e acolhedora.

“É sinal de que as coisas estão muito graves para ele. Os pais devem abraçá-lo e respeitar sua decisão, para que não se torne um problema maior”, completa Rosa.

Depois que os trabalhos entre terapeuta e adolescente começam, é importante respeitar a privacidade do filho. Não se deve insistir em saber o que foi dito durante as sessões, nem proibir que o jovem comente determinados assuntos com o psicólogo. Se não houver respeito, pode ser sinal de que os adultos também precisam passar por tratamento psicológico.

“Na terapia familiar, ensino os pais a dialogar com os filhos. A gente dá espaço para a discussão saudável, em que todos têm o momento de falar e ouvir. Em casa, é mais fácil levantar e sair andando, ignorando o que o outro tem a dizer. No consultório, todos ficam e escutam”, explica Elizabeth Monteiro.

Chegou a hora?

Segundo especialistas, os pais devem prestar atenção em alguns sinais e comportamentos específicos nos filhos para saber se chegou o momento de optar por uma ajuda externa.

“Não é normal que toda conversa termine em discussão. Se o adolescente se torna agressivo e evita qualquer interação social, com familiares ou amigos, os pais precisam entender o que está acontecendo”, atenta Rosa Macedo. Outro ponto que chama a atenção é o rendimento escolar, que piora muito quando o jovem passa por problemas em casa.

O próximo passo é ter uma conversa franca com todos da família. Pais devem perguntar o que está acontecendo para que o adolescente se comporte daquela forma. A ideia é deixar o espaço aberto para as respostas e soluções. Se ainda assim o diálogo não acontecer, é hora de assumir que um profissional pode lidar melhor com o conflito.

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