Estimular corretamente seu filho antes mesmo do nascimento ajuda a desenvolver inteligência e habilidade social

A mãe de Nicole, de seis meses, começou a estimular a filha quando estava grávida
Arquivo pessoal
A mãe de Nicole, de seis meses, começou a estimular a filha quando estava grávida
As crianças de hoje estão mudadas. “É comum um bebê de 10 meses apontar o controle remoto para a televisão e tentar mudar de canal hoje em dia. E sempre tem uma avó ou tia mais velha que se surpreende com a cena. É simples: a criança de hoje tem mais estímulo e faz certas coisas mais precocemente”, explica Marcelo Reibscheid, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz.

Esses estímulos do dia a dia não transformarão todas as crianças em pequenos gênios, mas certamente auxiliarão no melhor desenvolvimento da capacidade intelectual e social de uma criança. Fazer careta ou sorrir para um bebê de poucos meses irá ajudá-lo a desenvolver sua capacidade de interação social, por exemplo.

>> APRENDA ALGUNS EXERCÍCIOS BÁSICOS PARA ESTIMULAR SEU FILHO

“Eu não quero transformar meu filho em um gênio. Quero dar ferramentas para que ele tenha facilidade em aprender coisas novas e estimulá-lo a ler e estudar”, afirma a apresentadora Adriana de Castro, mãe de Antonio, dois anos, e de Davi, quatro meses. 

Adriana frequenta um curso especializado em ensinar técnicas de estimulação para gestantes e crianças de até seis anos de idade. Um dos exercícios preferidos da apresentadora – e das crianças – é colocar um cubo de gelo na água da banheira durante o banho dos filhos. “Eles adoram e aprendem que a água congelada derrete. Muito melhor do que simplesmente dar um brinquedo nas mãos deles.”

Leia também:
A importância do brincar 
Qual a quantidade ideal de brinquedos para o meu filho? 

Os primeiros anos de vida

Para a especialista em estimulação pré-natal e infantil Paula S. Oliquevitch, Adriana está no caminho certo. Ela afirma que os pais são os principais lapidadores da inteligência dos filhos já que, segundo ela, a maior parte do potencial de um adulto é resultado de estímulos dados nos primeiros 18 meses de vida do bebê. 

Se seu filho passou dessa fase, não se desespere. Mesmo depois dessa idade, os exercícios continuam sendo um fator muito importante. 

CADASTRE-SE PARA RECEBER A NEWSLETTER DO DELAS 

“Ainda não sabemos se o QI de alguém pode ser aumentado, mas não restam dúvidas de que estimular um bebê em seus primeiros anos de vida tem um impacto profundo no desenvolvimento dessa criança”, afirma a britânica Simone Cave, autora do livro recém lançado no Brasil “Bebês Inteligentes” (volumes 1 e 2 – Coquetel).

Esse impacto não é sentido apenas na infância. Bebês bem estimulados observam benefícios ao longo da vida. “Os dois primeiros anos de vida são o período de maior crescimento do cérebro. É nessa fase que precisamos ‘ensinar’ o cérebro a lidar com questões complexas para que ele aprenda a manipular as informações”, explica a pediatra Mariana Moretto.

Leia ainda:
Características e desafios de cada fase de seu filho dos zero aos doze meses
Especial 100 Brincadeiras

Mas não se deve esperar o bebê nascer para então começar a se preocupar com seu desenvolvimento. “Os pais precisam começar a estimular seus filhos desde a gestação com um programa de fortalecimento de vínculos e estímulos dos sentidos, como temperatura e texturas diferentes em contato com a barriga da mãe”, ensina Paula.

Livro
Divulgação
Livro "Bebês Inteligentes" ensina técnicas para os pais estimularem seus filhos desde o nascimento
A fisioterapeuta Helena Palanskas Marinheiro, 28, interage com a filha desde a gravidez. “Já fazia exercícios para Nicole, que hoje tem seis meses, quando ainda estava grávida. Colocava diferentes sons para ela ouvir, contava histórias e outras formas de interação”, conta. Depois do nascimento, os exercícios continuaram. “Procuro estimular muito a parte motora dela. Sei que o desenvolvimento da Nicole está adiantado e acho que a estimulação faz toda a diferença.”

Para que os estímulos sejam eficientes, é importante respeitar o limite de cada criança. De acordo com Simone, os pais devem enxergar sinais de cansaço em seus filhos. “A criança vai virar a cabeça e evitar contato visual. Ela também pode bocejar ou puxar as orelhas.”

Veja também: Gravidez Semana a Semana - Acompanhe sua gestação

Pais x escola

As brincadeiras e aulas na escola não substituem a interação dos pais com os filhos. Todos os cuidadores devem estar dispostos a estimular a criança. “A partir do momento que você coloca seu filho na escola não pode delegar essa função só aos professores”, sentencia Marcelo. 

Crianças que não contam com a disposição dos pais de estimulá-las normalmente se sentem sozinhas, inseguras e apresentam falta de interesse pelo meio externo, afirma Mariana. Em alguns casos, também têm dificuldade de relacionamento com outras crianças.

 “Somos tão ocupados que é fácil negligenciar os nossos filhos. Mesmo quando estamos com eles, acabamos checando nossos emails ou atendendo ligações do trabalho. Perceber a importância desse momento de interação com os filhos nos ajuda a priorizar isso em nossas vidas”, comenta Simone.

Veja ainda:
11 atividades para curtir com as crianças
Dicas para viajar com os filhos
Especial esclarece conceitos fundamentais na criação dos filhos 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.