Sob a ótica médica, engravidar após os 40 é cada vez mais comum. Mas o lado psicológico de uma gravidez tardia também deve ser levado em conta

Ana Laura, mãe de Helena aos 39, com a filha ainda pequena:
Luciano Dinamarco
Ana Laura, mãe de Helena aos 39, com a filha ainda pequena: "tenho uma disponibilidade muito grande para ela"

Ao decidir atrasar a maternidade, escolha comum nos dias de hoje, as mulheres precisam encarar as consequências da escolha. Nem todas são ruins, mas algumas devem ser analisadas com cuidado. “Há um momento em que uma gestação se torna inviável, mas essa idade não está fechada ainda”, define Paulo Bianchi, coordenador do Hospital Samaritano e especialista em reprodução humana pela clínica Huntington.

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A dona de casa Sibelle Martins Lucena Gonzaga Borges conhece na pele a rotina das mães mais jovens e das mais velhas. A primeira filha, Veronica, veio quando Sibelle tinha 20 anos. O quarto, um bebê de quatro meses chamado Estevão, aos 38. “O final da minha última gestação foi bem mais difícil. E confesso que me preocupo com a minha disposição para acompanhá-lo. Esse tipo de dúvida eu não enfrentei com a Veronica ou meus outros filhos”, conta.

Muito além de limitações físicas

Uma gravidez é considerada tardia a partir dos 35 anos. Nessa idade, a fertilidade feminina começa a cair gradativamente e, depois dos 40, a queda passa a ser mais agressiva. A medicina reprodutiva ajuda, mas não consegue solucionar todos os problemas da mulher que opta por uma gravidez tardia.

“Por mais que a medicina avance, uma coisa não dá para mudar: a idade do óvulo. O risco de abortamento e as alterações cromossômicas são preocupações reais para esse tipo de gestação, além de complicações como diabetes gestacional ou hipertensão”, explica Ricardo Mello Marinho, diretor científico da clínica Pró-Criar/Mater Dei de reprodução humana e professor do Instituto de Pós-Graduação e pesquisa da faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

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Muito além de doenças e limitações físicas, outras preocupações rondam as mulheres. “A vida é imprevisível, mas temos que considerar que essa criança terá a mãe presente durante um período mais curto de sua vida. É preciso ficar claro que não há uma condenação de quem decide engravidar mais tarde, mas todas as escolhas trazem vantagens e desvantagens. Ter consciência disso é fundamental”, alerta Debora Seibel, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

Ciente da sua idade, a tabeliã Patricia Candelaria de Mattos não se preocupa com esse aspecto. “Não fico pensando que vou me separar muito cedo dos meus filhos. O que acho importante é que as mães mais velhas jamais deixem de se atualizar para poder acompanhar seus filhos intelectualmente. Tenho muito pique, mas preciso sempre estar atenta para não ficar defasada”, afirma a mãe de Matias, que ela teve com 36 anos, e de Diogo, que nasceu quando ela tinha 40.

Data limite para engravidar

Quem também tem jovialidade de sobra é a advogada Ana Laura de Camargo. Mãe aos 39, ela conta que quando decidiu engravidar colocou uma data limite para tentar a gestação: 40 anos. “Hoje, talvez mudasse essa data. Encorajo amigas da minha idade a serem mães porque é muito bom. A vida financeira está mais estável do que quando eu tinha 30 anos e tenho uma disponibilidade muito grande para a Helena. Uma mulher que topa uma gravidez tardia quer muito esse filho. Não tem como dizer que isso é ruim.”

Em algumas situações, no entanto, o otimismo dá lugar ao realismo. “Às vezes acontece da mulher ter um filho pequeno e precisar cuidar dos pais idosos também. Uma mulher de 50 anos, por exemplo, tem pais na faixa dos 70. Não é difícil isso acontecer”, lembra Debora Seibel.

Dia a dia

Além de estabilidade financeira, outra vantagem para quem espera um pouco mais para ter filhos é a facilidade maior de abrir mão de certas coisas. “As jovens de hoje vivem angustiadas e se dividindo entre os filhos e a vida profissional e social. Uma mulher mais velha não tem mais essa ânsia de uma vida social intensa. Ela consegue abrir mão disso e de outras coisas com mais facilidade”, diz Debora.

“Com a minha primeira filha era tudo muito corrido. Eu tinha tanto o que fazer. Quando eu vi, ela já estava engatinhando. Não é assim com o Estevão. Fico com ele no colo o tempo que achar necessário. Hoje eu sei que tudo passa muito rápido”, define Sibelle.

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