Pedidos vão desde vitrines com preços visíveis até alguém que passe os produtos no caixa do mercado enquanto elas fazem as unhas

As mulheres gostariam de ter tempo de fazer as unhas enquanto outra pessoa passa suas compras no caixa do mercado
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As mulheres gostariam de ter tempo de fazer as unhas enquanto outra pessoa passa suas compras no caixa do mercado
Diante de um cenário onde a decisão sobre o que comprar nos lares brasileiros cabe muitas vezes às mulheres é importante ouvir o que essas consumidoras realmente desejam. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no ano passado, de 2001 a 2009 as famílias chefiadas por mulheres no país foi de aproximadamente 27% para 35%. Esse aumento da liderança feminina dentro dos lares influencia diretamente o perfil consumo no Brasil.

Uma nova pesquisa, realizada pela Shopper Experience com mulheres de 25 a 42 anos das classes A e B, tenta mapear como seria o mundo ideal sob a ótica feminina com relação ao atendimento ao cliente prestado por bancos, concessionárias e supermercados.

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“É imprescindível entender que houve uma reversão muito importante quando falamos de poder de decisão. Antigamente as mulheres dependiam economicamente do homem e aceitavam suas decisões. Hoje não é mais assim. Elas trabalham e são, muitas vezes, chefes de família. São as mulheres que vão decidir o que comprar”, afirma Stella Kochen Susskind, presidente da Shopper Experience e coordenadora da pesquisa “O mundo de Vênus”.

“As mulheres têm um ritual de compra muito mais afetivo do que os homens. Elas namoram um produto até comprá-lo. Isso torna o público feminino mais exigente”, esclarece Stella.

Nessas exigências encontram-se itens curiosos como ter um funcionário responsável por passar as compras no caixa do supermercado enquanto a consumidora poderia aproveitar seu tempo com serviço de manicure, cabeleireiro ou degustação de produtos. 

Nem sempre os pedidos são difíceis de atender. Atitudes simples poderiam atrair mais consumidoras para as lojas. Entre os desejos das mulheres estão, por exemplo, vitrines com preços visíveis e produtos sempre à vista, separados por cores e tamanhos. Elas também querem que os produtos anunciados em promoções existam de fato nas lojas.

Vendedores que saibam identificar as necessidades das consumidoras sem práticas de vendas muito invasivas também fazem parte do universo do mundo ideal das mulheres. No outro lado da moeda, elas declaram que a cena do vendedor de sapatos que aparece com um verdadeiro estoque de modelos e caixas empilhadas é um grande pesadelo. 

Já nas concessionárias as mulheres querem todos os carros em exposição. Mas o principal pedido é que o atendimento seja feito por uma mulher que, segundo as entrevistadas, passaria mais confiança e deixaria as clientes à vontade.

“Claro que algumas coisas são difíceis de serem colocadas em prática, mas alguns desejos femininos podem ser um diferencial para o empresário. Nas concessionárias, por exemplo, elas pedem por mais conforto na espera da revisão do carro. Isso pode ser oferecido”, diz Stella. 

O atendimento também é ponto principal na categoria bancos. Embora as mulheres admitam que neste caso as filas não poderão ser eliminadas, elas não deveriam ser longas e demoradas. Pedem que o ambiente não tenha um ar condicionado gélido e espaço para sentar confortavelmente. Um gancho para pendurar bolsas no autoatendimento seria uma boa aquisição dos bancos. 

Através do mapeamento feito pela pesquisa é possível perceber que há uma grande diferença entre o que elas querem e o que lhes é oferecido. “Dois fatores acabam contribuindo para isso. Existe uma falta de atenção aos desejos femininos e há empresários que já possuem um modelo de negócio e não enxergam necessidade de se adequar”, explica Stella Kochen Susskind. “Só que os empresários deveriam repensar essa posição. As mulheres são formadoras de opinião. Elas usam muito, por exemplo, as redes sociais. Essa ferramenta potencializa o efeito de uma crítica negativa e as mulheres já perceberam isso”, completa.

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