Depois de perder uma vaga, Samia passou a só ir a entrevistas de emprego com o cabelão preso
A estudante de comunicação Samia El Saifi, 22, se submeteu recentemente a uma entrevista de emprego. Não passou, o que acontece com a maioria dos candidatos. O que não acontece com tantos é ficar sabendo exatamente do motivo e, menos ainda, o motivo ser ter sido considerada “uma distração no ambiente de trabalho” pela entrevistadora. Ser jovem e bonita, além de ter uma assumida mania de mexer nos cabelos, custaram a Samia sua vaga.
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“Sei que não foi justo, mas não consegui a vaga porque quem conduziu a seleção achou que eu poderia acabar distraindo as outras pessoas”, diz Samia, que nem se considera tão bonita assim – “sou normal” -, mas que agora só vai a entrevistas de cabelo preso.
“Não sei se é beleza exatamente o problema. Acho que uma mulher que chame a atenção, esteja bem trajada e cuide bem de sua aparência de modo geral passa por isso também.”
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Sim, as mulheres bonitas têm problemas e, sim, um deles é a inveja. Mesmo no teoricamente objetivo mundo profissional. “As mulheres bonitas são julgadas pela aparência com relativa frequência. No mundo corporativo não é diferente”, afirma Marshal Raffa, diretor-executivo da Ricardo Xavier Recursos Humanos. Ele diz ainda que a beleza de uma candidata pode despertar sentidos de inveja e concorrência em quem estiver fazendo a seleção.
O argumento de Marshal é sustentado por pesquisa apresentada por dois economistas israelenses, Bradley J. Ruffle e Ze'ev Shtudiner, na Universidade de Londres, segundo a qual mulheres bonitas têm suas chances de contratação reduzidas em até 30% em comparação às não tão atraentes.
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De acordo com os pesquisadores, a explicação seria a suposta inveja que selecionadoras sentiriam de candidatas consideradas atraentes. Para chegar a esta conclusão, eles entrevistaram pessoas responsáveis por selecionar candidatos em diversas empresas. Descobriram que a seleção era feita quase que exclusivamente por mulheres (96%), com idade média de 29 anos. Além disso, 67% delas eram solteiras. Os pesquisadores declararam que as evidências apontavam para a inveja feminina no ambiente de trabalho como a razão principal de penalizar a beleza no processo de seleção.
Beleza e inteligência
Será que as pessoas já conseguem enxergar inteligência onde há beleza? De acordo com Celso Bazzola, diretor da Bazz Estratégia em RH, o caminho ainda está sendo trilhado. “Infelizmente o preconceito contra mulheres bonitas ainda existe. Nem sempre as pessoas conseguem ver que ser bela não exclui ser competente em seu trabalho. Mas é preciso ressaltar que isso vem diminuindo bastante com ferramentas de contratação cada vez mais preocupadas em analisar resultados.”
Samia acredita que nem sempre beleza é confundida com falta de inteligência. “Acho que as pessoas podem ficar com a ideia errada de que alguém bonita é fútil por se preocupar com a parte estética.” Ela acredita que, apesar de não ser o mais correto, a primeira impressão que você deixa ainda tem muito peso na decisão de uma vaga de emprego.
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Segundo Marshal, esse estigma pode acompanhar a mulher por um longo período de sua vida. Seja no processo de seleção ou na sua trajetória dentro de uma empresa. “Mesmo provando competência em sua função, a promoção de uma mulher bonita acaba gerando comentários maldosos. E depois se ela resolve mudar de emprego, terá que provar novamente que a beleza é só um complemento. Tem que mostrar competência em dobro, sempre”, afirma.
A gestora de Recursos Humanos e psicóloga organizacional Renata Fadel, 25, já enfrentou situações onde a beleza e a jovialidade tornaram-se problemas. “No início da minha carreira passei por momentos em que observei atitudes que demonstravam inveja no ambiente profissional. É tudo muito subjetivo, mas dá para perceber”, conta.
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Ela conta que precisava demonstrar dia após dia que fazia um bom trabalho. “Mas o esforço era em vão. A cultura do local era tão forte que tive que procurar outra empresa que pudesse enxergar além da parte estética.” Renata não se abalou com os problemas. “Não dei muito importância a isso. Busquei estudar, aprimorar cada vez mais meus conhecimentos e trabalhei bastante. Hoje eu, felizmente, não passo por isso no meu trabalho atual. Sou reconhecida pela minha capacidade”, afirma.
Discrição
“Não concordo com a ideia de que a mulher bonita precisa de artifícios que escondam sua beleza na entrevista de emprego. Como todas as outras mulheres, precisa usar roupas adequadas ao cargo”, ensina Marshal. Ele diz ainda que as candidatas precisam ter na ponta da língua resultados que tenham obtido em experiências anteriores.
Celso Bazzola dá outras dicas: “evitar roupas diferenciadas e usar perfume discreto são atitudes aconselháveis. Outro ponto é sempre demonstrar profissionalismo e humildade acima de qualquer coisa. Um bom profissional aceita trabalhos bons e também os mais árduos.”
Apesar de poder criar alguns problemas, a beleza feminina não deve ser encarada como algo apenas negativo no ambiente corporativo. Claro que ainda tem muito o que ser melhorado com relação a como o mercado vê as mulheres que se destacam pela beleza, mas sempre tem lugar para profissionais competentes, sejam eles atraentes ou não. “A beleza com resultado não atrapalha. Ser bela não pode definir uma mulher. Se ela tem uma boa performance dentro da empresa, seu valor será reconhecido. Mesmo que leve um pouco mais de tempo”, afirma Marshal.
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Responder comentário | Denunciar comentárioAs empresas deveriam selecionar melhor os responsáveis pelo recrutamento de funcionários, acredito q aí resida o gde problema: pessoas capazes e impassíveis, sejam do sexo feminino ou masculino, cujas escolhas ñ sejam questionáveis... Logicamente q sempre haverão as "belas" e os "insatisfeitos" q clamarão por justiça, mas se os recrutadores forem pessoas competentes no q fazem, duvido muito q as reclamações serão questionadas...
Responder comentário | Denunciar comentárioFaz todo o sentido isso sim, principalmente se é uma mulher que tá selecionando. Claro que aquela criatura bonita, normalmente mais jovem, vai lhe representar uma ameaça, às vezes até inconscientemente. Eu aconselho ir de cabelo preso, taca um óculos de aro preto na cara, usa pouco de maquiagem, e coloca uma roupa que não evidencie os atributos físicos. Isso deve ajudar pelo menos na entrevista. No dia-a-dia, aí a coisa fica mais difícil, eu não me enfeiaria pra sempre só pra não sofrer preconceito!
Responder comentário | Denunciar comentárioA discriminação não ocorre apenas no momento da contratação, mas também no decorrer do trabalho. Desde que entrei na área de informática, trabalhei como modelo em paralelo. Isso incomodava algumas colegas a ponto de me tratarem mal, especialmente às que eram casadas com alguém da empresa. Eu nunca correspondi a qualquer tipo de assédio de homens casados e sempre tratei a todos com muito respeito. Era puro preconceito mesmo. O problema é que por ter quase um metro e oitenta e o corpo em forma, algumas mulheres se sentiam ameaçadas.\nNão tive problemas na contratação por ser concursada, mas o dia-a-dia foi um pouco complicado nos 5 anos em que trabalhei lá.\nNesta empresa era permitido o uso de bermudas pelas mulheres em dias de calor. Em uma ocasião, uma funcionária de outro setor foi reclamar para a minha gerente sobre a minha bermuda. O que minha gerente respondeu a ela foi "A Adriana trabalha tão bem que por mim ela pode até vir sem roupa". Nem preciso dizer que foi a melhor gerente que tive até hoje, né? Era uma pessoa que reconhecia o meu trabalho e não se incomodava nem um pouco se meu corpo chamava ou não a atenção. Ela via o lado profissional apenas.\nPara piorar a situação, fui escolhida como programadora-interface por ter me destacado na área de programação. Pessoas insinuavam que fui escolhida por outras razões. Eu ficava muito triste com esses comentários.\nEm outra empresa, uma vez fui advertida por uma mulher do RH que reclamou das minhas roupas, alegando que eu denegria a imagem da empresa. Muitas outras mulheres usavam roupas justas ou saias um pouco acima do joelho, mas apenas eu fui chamada para esse tipo de conversa. O que incomodava não eram as minhas roupas, e sim o meu corpo. Detalhe: essa mulher que me chamou a atenção estava usando uma mini saia transparente. \nMe deu vontade de responder "Que moral você tem para me chamar a atenção?"\nOutras mulheres usavam mini saias bem curtas, mas não incomodavam por serem magras demais ou estarem acima do peso.\nAté hoje, embora não exerça mais a profissão de modelo, sofro com o preconceito por parte de algumas pessoas.
Responder comentário | Denunciar comentárioEu estava em uma agência bancária no centro do Rio, e ví uma moça que trabalha no setor de abertura de contas, fiquei impressionada com sua arrogância com pessoas que lhe procuravam para o mesmo fim acima, ela estava com uma calça comprida extremamente apertada, cabelos loiros compridos que ela jogava de um lado para o outro o tempo todo, bluza apertada, sapatos altissimos, enfim achei um pouco de axagero para uma atendente.\nPrecebi a inibição de pessoas simples que lhe procuravam, são faxineiras, porteiros, auxiliares de serviços gerais, pessoas que arrumam emprego simples mas muito digno, e a empresa encaminham para abertura de contas.\nEla nem é tão bonita assim, mas seu posicionamento diante das pessoas criava um certo mbaraço.
Responder comentário | Denunciar comentárioDri | 28/07/2011 09:50
Acredito que em muitos casos o que pesa não é a aparência, e sim a arrogância ou olhar de superioridade. O entrevistador sabe que a pessoa vai acabar entrando em conflito com colegas ou causar situações desagradáveis.\nPorém, também existe o preconceito pelo fato da pessoa ser bonita. Nesse caso, é uma atitude totalmente preconceituosa e ignorante. Eles podem estar deixando de contratar uma excelente profissional.
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... nunca li tanta besteira... conversa de incompetentes... isso não passa de MITO...
Responder comentário | Denunciar comentárioMariah | 28/07/2011 22:36
Falou a selecionadora de RH...\n
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Jussishcbd | 28/07/2011 18:05
ان تخادع تا حو\n
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É uma pena que esse tipo de coisa aconteça, de pessoas competentes serem descartadas porque são bonitas e/u inteligentes. Visto que a grande maioria dos selecionadores são mulheres. Mulher é burra, fraca e emotiva, não deveria trabalhar com seleção, elas levam tudo para o lado pessoal! ¬¬
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