Mães de pets

Cuidar de um animalzinho é uma tarefa que muitas mulheres transformam numa experiência 'maternal'. Saiba quais os limites desse cuidado e conheça histórias de mães que assumiram seus 'filhos caninos'

Júnior Milério |

Acervo pessoal
Adriana e seu marido, os 'pais' de Luigi, um vira-lata simpático adepto de uma dieta natural e com direito a um cardápio elaborado por uma veterinária especialista
Ninguém duvida que é saudável ter um bichinho em casa. Você amadurece ao se responsabilizar pelo bem-estar de outro ser e animais são ótimas companhias para quem vive só, avalia a psicóloga Carine Eleutério.

Segundo ela, "é cientificamente comprovado que ter um animal faz bem e, para as mulheres, pode ser, de fato, uma maneira de exercer seu lado maternal”. 

Mimar só vira um problema quando atrapalha a vida pessoal e social do dono. A rigor, os limites devem ir surgindo naturalmente ao longo da convivência.

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O médico veterinário, João Carlos Colombo, dono do Pet Hotel Dog Life, concorda, mas ressalta que a natureza do animal também deve ser respeitada. "O maior limite deve ser sempre o bem-estar do cão. Quando isso não é levado em conta, houve exagero", explica Colombo.

Por exemplo, o especialista diz que caminhar e ter contato com outros humanos e cães, pelo menos, três vezes por semana, é fundamental. Por isso, se você obrigar seu cachorrinho a ficar sempre sentado quietinho numa poltrona porque comprou roupinhas novas para ele e não  quer que suje, vai estar, na verdade prejudicando seu cão.

Entre o cuidado e a curtição de ter um pet e o mimo exagerado deve sempre prevalecer o bom-senso.

Leia as histórias de mulheres que amam seu cães, podem até exagerar nos mimos, mas evitam cair na armadilha do afeto excessivo.

Acervo pessoal
Nina, 'a filha mais nova' de Renata Ferraz: todo mês um brinquedo novo
Renata e a vida cara de Lola e Nina, cachorrinhas atarefadas de cidade grande
Renata Ferraz não alterou sua rotina de 12 horas de trabalho para cuidar das suas duas cachorrinhas. "Não abri mão de nada, mas precisei adaptar o estilo de vida. Filho um dia cresce, mas um bichinho é sempre dependente da gente", diz ela, que se define, meio na brincadeira, como ‘mãe’ das cachorras Lola e Nina.

Lola tem um ano e sete meses, é a ‘filha mais velha’ e divide seu tempo entre as aulas de adestramento e a creche para cães. "As quartas e sextas-feiras um carro vem buscá-la de manhã e ela sai de lancheira com a ração. Lá, ela participa de recreações com outros cachorros, faz natação, toma banho a seco e volta no final da tarde”, conta Renata. Já Nina, "por ainda ser um bebê, faz apenas aulas de adestramento às segundas-feiras e agora já sai para passear, porque está com as vacinas em dia e castrada". A cachorrinha de focinho rosado é uma vira-lata de apenas quatro meses, mas que já ganhou o coração de sua dona.

Arquivo pessoal
Lola é a 'filha mais velha" de Renata Ferraz: natação e banho a seco
Como mora em apartamento, Renata conta que contratou um passeador duas vezes por dia para caminhar com as duas. Também conta com uma funcionária que fica com as cachorrinhas até a ‘mãe’ voltar do trabalho.

Nina e Lola todo mês ganham um brinquedo novo e na Páscoa ganham ovos de chocolate para cachorro também.

"Muito do que faço por elas e por outros cachorros que já tive só é possível por eu ter escolhido não ter filhos. Me sinto mãe dos cachorros que tenho",  analisa Renata.

Como qualquer 'mãe coruja', Renata não poupa elogios às 'filhas': "aos domingos, vamos passear no parque, elas são extremamente inteligentes, adoram ficar juntas, são companheiras e muito carinhosas".

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Acervo pessoal
Claudia Ossandón faz questão de que Boris vá a todos os lugares com a família
Cláudia e Boris: direito a festa de aniversário e viagens especiais para cães
Claudia Ossandón é dona de Boris, que tem exatos oito anos e sete meses. "Ele faz aniversário em setembro e comemoramos em família, já estamos conversando sobre a próxima festa", conta animada.

Ele chegou com apenas três meses, mas as comemorações começaram aos dois anos de idade. Claudia conta que a festa é simples, mas com todo o ritual de uma típica festa de aniversário. "Ele adora abrir presentes", diz a "mãe", rindo.

Compartilhar tudo que for possível com o cãozinho define o estilo de ‘maternidade canina’  de Claudia. De turismo específico para pets, aos domingos de pescaria, lá está o Boris, sempre junto da família. "Mas já passei muito sufoco. Ele teve problema na coluna e toda semana precisava ir à hidroterapia. E como também tem problema no coração, todo começo de ano a gente faz um check-up para garantir que está tudo bem", diz Claudia, que confessa, "observo o sono dele toda noite. Coisa de mãe...".

Arquivo pessoal
Claudia Ossandón prepara um lanchinho sempre que Boris sai para passear, feliz com sua mochila...
Apesar de não ter babá, Boris fica contente quando chega o dia das passeadoras virem buscá-lo para caminhar. "Ele já sabe que vai sair quando me vê arrumando a lancheira dele", conta a dona. Durante a entrevista, o cãozinho mandão e enciumado já se ressentia de ter que dividir a atenção da ‘mãe’ com o repórter. "Ele não vai parar de latir até que eu fique só com ele. O Boris é um pedacinho da minha vida", diz Cláudia sorridente enquanto finaliza a conversa.




Lorena e Borys, o herói apaixonado por sorvete de açaí

Lá em Belém do Pará outro Borys, este com a letra "y", também é mimado por toda uma família. Ele chegou à casa de Lorena Daibes na noite de Natal de 2002, "cabia na palma da mão", lembra ela. Hoje o cão da raça Cocker Spaniel inglês já tem nove anos e muita história vivida. "Ele dorme no meu quarto, com ar-condicionado, porque faz muito calor na cidade. Mas se sente frio, dá um jeito de se aquecer debaixo do meu edredom", conta Lorena.

Borys é o despertador diário da casa. Acorda a empresária pontualmente às oito da manhã durante a semana, "mas me deixa dormir quando é sábado, domingo ou feriado", diz ela.

Acervo pessoal
Lorena Daibes trata o 'herói' Boris com todos os mimos, incluindo sorvete de açaí para cães
O cãozinho esperto também é o herói da família. "Em 2006, ele latiu insistentemente até que a gente fosse socorrer meu pai que estava tendo um AVC".  Se antes disso o Borys já tinha conquistado a família Daibes, a partir desse momento sua cota de chocolates caninos favoritos ficou garantida para sempre.

Na última festa de aniversário do "garoto" Borys, foram 30 convidados. Com direito a bolo, docinhos e brindes no final. "Ele virou o centro das atenções. Todo mundo o adora e ele gosta de ser mimado", diz Lorena.


>Idéias de roupinhas para cães festeiros em Antes e depois: cães em dia de festa

Borys só tem ciúme dos periquitos australianos de sua dona. Adora tomar banho de mar e  sorvete de açaí para cães e "rouba" sistematicamente a poltrona de leitura de Lorena. Apesar desse currículo de herói, Borys ainda está solteiro. "Ele é virgem. Não apareceu a 'garota' certa", diz a também enciumada e futura "sogra".

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Renata Ferraz faz festa de aniversário para Luigi e Nina: tudo natural
Adriana e Luigi e Nina: adoção e alimentação natural

Adriana Santinelli Walch é "mãe" do Luigi e de outra Nina. “São dois cachorrinhos SRD (sem raça definida)", define a professora de educação física. Eles foram resgatados na rua há 11 anos e desde então fazem parte da família.

Apesar de extremamente carinhosos, foi preciso tempo para que eles se socializassem. Adriana conta que o contato com outros animais na creche foi fundamental para esse processo. "O Luigi não aceitava outros animais e era muito medroso", conta a dona.

“Somos adeptos da alimentação natural. Luigi e Nina têm um cardápio especial elaborado com a ajuda de uma veterinária especializada em dieta para cães. A comida é preparada na hora. Eles comem legumes, verduras, carnes, frangos, iogurte, frutas, mas tudo feito de forma equilibrada e customizado segundo as necessidades de cada um.”  

“Mesmo nas festas de aniversários que fazemos para eles, com direito a bolo feito de carne e biscoito para cães, decoração e lembrancinha para os amigos, tudo é balanceado”, conta Adriana.

"A vida de um animalzinho depende completamente da gente. Ainda não tenho filhos humanos, mas quando os tiver, todos vão conviver juntos", ela  conta, sonhadora, e finaliza dizendo: "a relação que tenho com meus animais é baseada no amor incondicional, carinho e respeito. Igual a uma relação entre pais e filhos. Luigi e Nina me ensinam muito sobre amizade, amor, respeito e perdão. Eles me transformaram em uma pessoa melhor".

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