Sem gafes nem constrangimentos, o almoço de negócios pode render bons frutos

Não se trata de um almoço entre amigos, mas precisa ser agradável
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Não se trata de um almoço entre amigos, mas precisa ser agradável
Fechar contratos, estreitar relacionamentos profissionais, sondar um possível candidato – essas são apenas algumas das situações em que o restaurante pode ser um ambiente mais adequado do que a sala de reunião. O Delas conversou com especialistas em etiqueta e preparou um guia rápido para você tirar de letra almoços ou jantares de negócio.

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Como escolher o restaurante?
Não precisa ser caro nem badalado. “O importante é que ofereça condições para uma boa conversa, já que esse é o propósito do encontro”, diz Marlene Ortega, diretora da empresa de consultoria Universo Qualidade. É recomendável escolher um local conhecido, com comida e serviço de boa qualidade e com ambiente tranquilo. “Melhor optar por mesas mais discretas, posicionadas longe da cozinha e dos toaletes”, diz Maria Aparecida Araújo, autora do livro “Etiqueta empresarial: ser bem educado é...”, da editora Qualitymark. Mais uma dica preciosa: quem convida deve chegar alguns minutos antes do combinado e aguardar no bar.

O que comer (ou não)
A regra aqui é não ousar. “Não é a ocasião para experimentar o que você nunca comeu. Melhor evitar molhos exóticos, comidas apimentadas e sabores novos”, recomenda a consultora de moda Vanessa Barone. Da mesma forma, comidas complicadas podem ficar para outro dia. “O anfitrião deve perguntar se o convidado é vegetariano, se está de dieta ou se tem restrições”, lembra Maria Aparecida. “Se você tem restrições alimentares, é melhor avisar antes. É mais delicado do que, na hora, mal tocar na comida”, diz Vanessa. Não sabe o que pedir? Um gesto simpático é pedir uma dica de prato ao anfitrião.

Quem convida sempre paga a conta
É regra, não invente. Mesmo que o convidado se ofereça para dividir a nota, é o anfitrião quem deve pagá-la. “O melhor é dizer que em outra oportunidade ele poderá também fazer as honras”, diz Marlene Ortega.

E se uma mulher convidar e, por cavalheirismo, o homem quiser pagar?
Segundo os consultores, uma saída elegante é pedir licença para ir ao toalete e acertar diretamente com o maître. “É excelente porque não dá margem para discussões”, diz Vanessa. “Mas se inadvertidamente a nota for levada à mesa e o convidado fizer menção de pagá-la, a anfitriã deve delicadamente informar que a despesa é por conta de sua empresa”, reforça Maria Aparecida. Sempre com um tom firme, mas delicado.

Quanto gastar e o que é adequado pedir?
O ideal é manter-se nos pratos de valor médio, nem os mais caros, nem os mais baratos do cardápio. “Se você convidou, é bom se adiantar e dar o tom do encontro”, diz Vanessa Barone. “Aproveitar-se da situação para pedir os pratos mais caros pode causar péssima impressão”, reforça Maria Aparecida. Numa ocasião comemorativa, como a celebração de um contrato importante, Marlene Ortega acredita que seja aceitável pedir um vinho especial ou espumante. “Mas tenha em mente, porém, que demonstrar pouca preocupação com o valor final da conta pode mostrar um lado negativo de seu engajamento enquanto profissional”, alerta.

É permitido consumir álcool? Qual o limite?
“Não vejo pecado algum em ingerir uma cerveja ou uma taça de vinho na hora do almoço. Inclusive nessa época de verão, os restaurantes oferecem vinho rosé ou branco e espumantes em taças, o que torna o almoço charmoso e muito refrescante. Basta não ir além de uma taça”, afirma Marlene Ortega. Quem deve oferecer é o anfitrião, mas o convidado pode recusar sem problemas, caso não queira.

Em restaurantes que servem massas, é permitido usar guardanapo tipo babador para proteger a roupa de pingos de molho?
“Não só pode como deve, caso a opção seja essa. Você pode tomar a iniciativa para deixar seu convidado bem à vontade. Todo mundo prefere proteger a roupa que poderá ainda acompanhar o executivo em outra reunião ao longo do dia”, afirma Marlene Ortega. Ainda sobre esse tema, Vanessa Barone lembra que o guardanapo em cima da mesa indica que o almoço terminou. “Se precisar levantar para ir ao banheiro, o guardanapo fica na cadeira”, orienta.

É permitido conversar sobre assuntos mais descontraídos e pessoais?
“Se for para ir direto ao assunto, então convide a pessoa para ir ao seu escritório”, diz Marlene. O início da refeição precisa ser um momento agradável e descontraído, com espaço para apreciar a comida e discutir amenidades. “A partir do meio da refeição, o anfitrião pode iniciar a conversa sobre o assunto objetivo do evento”, afirma Maria Aparecida.

Se o serviço ou a comida estiverem ruins, pega mal reclamar?
O melhor é não demonstrar indignação e não criar caso. “Você pode até chamar o maître e pedir com muita gentileza que corrija alguns problemas, mas com delicadeza”, diz Vanessa. Se o prato de um convidado apresentar algo de errado, ele deve informar ao anfitrião para que ele resolva o assunto, segundo Maria Aparecida.

Celular ligado? Só para emergências
Somente é aceitável deixar o celular ligado para emergências. “E mesmo assim, é preciso pedir desculpas e avisar que aguarda uma ligação importantíssima”, afirma Maria Aparecida. Deixe o celular no modo silencioso e nunca em cima da mesa. “Vale a mesma regra para SMS. Poucas pessoas precisam mesmo retornar todas as ligações imediatamente”, diz Vanessa.

Pega mal abrir o notebook na mesa?
Melhor evitar. “Se você precisa de notebook para mostrar informações, melhor que o faça antes ou depois”, recomenda Vanessa. Caso a informação esteja fácil de encontrar, Marlene não vê problema nenhum. “Se não souber bem onde está o que procura, comprometa-se a enviar o dado ainda naquele dia, mas depois do almoço”. Na dúvida, melhor evitar. Em um almoço de negócios, toda a atenção tem que ser dada ao convidado.

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