Como viver esses 20 ou 30 anos a mais que ganhamos em relação às gerações passadas?

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Por que não planejar uma viagem, uma aventura? A idade não é desculpa
O que é que realmente acrescenta felicidade à velhice? Quais seriam aquelas pequenas coisas que fazem toda diferença no dia a dia ainda que nem sempre a gente se dê conta delas. O iG pediu à Léa Maria Aarão Reis, jornalista e autora do livro Novos Velhos, Viver e Envelhecer Bem , que acaba de ser lançado pela editora Record, algumas ideias bem práticas que de fato pudessem enriquecer o cotidiano nessa nessa fase da vida!

A terceira idade já não é mais a mesma, faz tempo. Tendo algum dinheiro e saúde, qualquer velho tem ao seu alcance um leque de oportunidades antes impensável que inclui todo um pacote de serviços especializados para atenuar os desgastes do tempo no corpo e na mente e tratamentos médicos que prometem nos fazer chegar nas fronteiras longevidade humana.

Basta para ser feliz? A autora de “ Novos Velhos ” valoriza essas conquistas, é claro, mas avisa: “A velhice não é uma reta terminal”, as pessoas envelhecem no cotidiano e é no cotidiano que precisam estar inseridas as coisas que vão fazer diferença no bem-estar. A questão bem concreta é como vamos viver esses 20 ou 30 anos a mais que ganhamos em relação às gerações anteriores. Confira as ideias de Léa Maria Reis:

1. “Poder viajar sentado no ônibus. Mas antes: ter a garantia de que o ônibus vai parar no ponto em que você está, para apanhá-lo”, diz a jornalista. Fiscalização das leis que garantem a preferência de idosos, além de uma infraestrutura mais adequada, são fundamentais para manter a independência e a autonomia e uma obrigação de governos e da sociedade, defende Léa.

2. Outra a dica é ter um bicho: cachorro, papagaio, passarinho, gato, o quem for. “Há uma troca grande de afeto entre humanos e animais e eles são de grande fidelidade. Ótima companhia” . Animais dão complementaridade às relações humanas e têm a capacidade quase inesgotável de dar e receber afeto.

3. Outra chave para a autonomia é cuidar da saúde. Ter condições para cuidar de si próprio é importante. A meta é conseguir “amarrar o cadarço do tênis com o pé no chão sem precisar cruzar a perna”, brinca Léa Maria. Para garantir um corpo forte e saudável, é fundamental cuidar da alimentação e manter atividades físicas que ajudem a desenvolver a flexibilidade, o equilíbrio e a força.

Cuidar dos netos é forma de manter corpo e mente ativos
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Cuidar dos netos é forma de manter corpo e mente ativos
4. “Equilibrar-se entre a ação - continuar trabalhando ou, pelo menos, produzindo - e a reflexão” é o jeito ideal de manter-se em contato com os outros e consigo mesmo . E nem estamos falando de carteiras assinadas e contra-cheque no final do mês. Atividades produtivas podem incluir desde trabalhos voluntários até tomar conta dos netos para que os pais possam trabalhar.

5. O novo idoso não é apenas uma nova força consumidora de produtos e serviços, mas é também capaz de ter projetos, de ocupar-se, de refletir sobre seu momento – e de extrair satisfação nisso. Por que não planejar uma viagem, uma aventura? Ou organizar um encontro romântico com o parceiro? Começar a escrever um blog, cultivar amigos nas redes sociais, falar com os netos via skype são algumas das inúmeras formas de enriquecer o cotidiano.

6. Preparar-se financeiramente para a velhice. A recomendação dos especialistas é que você comece a pensar em poupar para a aposentadoria aos 25 anos. É claro, que nem sempre isso é possível. Ainda assim, hoje, boa parte dos idosos não dependem exclusivamente da renda da aposentadoria do INSS para viver e, inclusive, conseguem até ajudar a família com rendimentos adicionais. Independência financeira é essencial para uma velhice tranquila.

7. O envelhecimento convoca a um balanço de experiências infindáveis: a transformação do corpo, a espiritualidade, o senso de realização, a autodescoberta. Mergulhar de cabeça nessas questões faz parte do autoconhecimento, mas é essencial um certo bom-humor. “Sentir do fundo do coração que a vida é uma história às vezes cômica, outras, dramática, mas quase sempre ridícula”, diz Léa.

8. O velho feliz é dono dos próprios espaços – principalmente os interiores. Léa recomenda “saber sair de cena com classe quando chegar o momento - o que não inclui a morte - para usufruir com calma a vida nos seus aposentos”.

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