“Estou fazendo pouco sexo?”

Por iG São Paulo * |

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Leitora está preocupada com a frequência sexual no casamento. A sexóloga e colunista do Delas Fátima Protti esclarece a questão

“Sou casada há cinco anos, tenho dois filhos e trabalho fora. Com a correria do dia a dia, só consigo fazer sexo com meu marido duas vezes por semana. Fiquei preocupada com essa frequência desde que uma amiga minha me disse que transa pelo menos cinco vezes por semana com o marido dela. Estou fazendo pouco sexo? Meu casamento corre risco de acabar?”

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Frequência sexual pode ser alinhada entre casal


Cara leitora, a satisfação sexual não é medida pelo número de vezes que se transa. Tem pessoas que transam todos os dias; outras, uma vez por semana ou quinzenalmente, e estão satisfeitas. Geralmente, entendemos que está tudo bem quando não há sinais de insatisfação ou reclamações. Se precisa ter certeza, pergunte para ele, essa é a melhor maneira de eliminar suas dúvidas.

Uma pesquisa nacional realizada em 2002/2003 sobre a vida sexual do brasileiro, patrocinada pela Pfizer e coordenada pela Dra. Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, revela que na média o brasileiro faz sexo três vezes por semana.

Como era de se esperar, o estudo confirmou que a maioria dos homens tem vontade de fazer sexo com mais frequência do que as mulheres. A condição neurobiológica explica em parte essa diferença.

Uma conquista observada foi o aumento no grau de satisfação sexual, em ambos os sexos, com certeza fruto de avanços do conhecimento nas áreas da medicina e da sexualidade humana.

Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

Cultura, religião, parceria, educação, experiências e histórias de vida interferem positiva ou negativamente no desejo e modulam a frequência sexual do casal. Doenças físicas, depressão, alto estresse, antidepressivos, ansiolíticos e o excesso de álcool levam à diminuição ou falta de libido. Algumas pacientes relatam transar menos quando tomam anticoncepcional.

Nas relações de médio e longo tempo, a frequência sexual sofre alterações. Geralmente, as queixas dizem respeito à rotina, frustração sexual e excesso de compromissos que os impede de pensar em sexo e muito menos transar.

Com o passar do tempo os casais vão substituindo a quantidade de transas pela qualidade. Melhor sexo, maior o grau de satisfação.

Mesmo com o avanço da idade e o declínio hormonal, o sexo pode ser muito bom. A ausência de pressão profissional, tempo livre, maturidade sexual, aumento do vínculo afetivo e cumplicidade são elementos essenciais para uma ótima transa.

Há certos momentos da vida em que o sexo passa a ter menor ou nenhuma importância. Algumas mulheres reclamam da perda parcial ou completa da libido durante a gravidez ou meses seguidos pós-parto, geralmente de ordem hormonal. Mas outros fatores mudarão a frequência sexual do casal: aspectos psicológicos associados à maternidade ou paternidade, muito cansaço e atenção do casal focada no filho.

Desafios na vida profissional, desemprego e luto podem provocar um afastamento do sexo. Fique atenta para que esse período não se estenda.

TV e computadores no quarto contribuem para distrair o casal. A frequência sexual é maior quando o casal usa o quarto para transar e dormir.

* Por Fátima Protti, psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br


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