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Seja por medo, vergonha ou até falta de conhecimento, algumas mulheres nunca se consultaram com um ginecologista. Por isso, conversamos com profissionais da área e tiramos todas as dúvidas sobre a primeira consulta

Você já foi ao ginecologista? Se você é uma mulher adulta, o ideal seria responder “sim”. A consulta ao profissional é importante para prevenir algum tipo de doença, conhecer o próprio corpo – como o  ciclo menstrual – e tirar dúvidas sobre sexo e sexualidade.

Seja por medo, vergonha ou até falta de conhecimento, existem mulheres adultas que nunca foram ao ginecologista
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Seja por medo, vergonha ou até falta de conhecimento, existem mulheres adultas que nunca foram ao ginecologista

No entanto, seja por medo ou falta de conhecimento, a verdade é que muitas mulheres nunca se consultaram com um profissional da área. De acordo com a ginecologista e obstetra Ana Carolina Lúcio Pereira, isso acontece porque algumas mulheres acreditam que o exame feito durante a consulta pode ser desconfortável e doloroso. Além disso, elas têm medo de serem ridicularizadas por suas queixas, vergonha do corpo e até desconhecimento das vantagens de se conhecer.

O ideal é que a primeira consulta seja feita ainda na adolescência, quando acontece a primeira menstruação, ou antes de iniciar a vida sexual. Porém, se esse não é o seu caso e você se identifica com alguns dos exemplos citados por Ana Carolina, não se preocupe. Você não é a única. Apesar de já ser uma mulher adulta, sempre é tempo de buscar um profissional e se consultar.

Mas, como é a consulta? O que o médico vai fazer? O que perguntar? Para quebrar os mitos sobre a primeira consulta e te ajudar a encarar esse momento com mais naturalidade, o Delas conversou com alguns profissionais da área.

Como funciona a primeira consulta ao ginecologista?

A primeira consulta ao ginecologista deve ser feita após a primeira menstruação e antes do início da vida sexual
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A primeira consulta ao ginecologista deve ser feita após a primeira menstruação e antes do início da vida sexual

Como já foi falado anteriormente, o ideal é que a primeira consulta seja feita ainda na adolescência. Porém, se esse não foi o seu caso e você ainda não passou por um profissional da área, é hora de agendar uma consulta. Ao contrário do que muita gente imagina, uma visita ao ginecologista não deve ser feita somente quando a mulher tem uma vida sexual ativa ou diante da suspeita de uma doença ou gravidez.

De acordo com Marcos Tcherniakovisky, ginecologista especialista em endometriose, o ideal é que a consulta seja feita como uma forma de prevenção. “Se trabalharmos mais a ideia de prevenção, maiores são as chances de uma vida saudável”, comenta. Dessa forma, o diagnóstico de uma possível doença também é feito mais rapidamente para se seguir com o tratamento adequado.

A consulta também é o momento onde a mulher conhece mais sobre o próprio corpo e recebe orientações sobre o início da vida sexual. De acordo com a sexóloga e fisioterapeuta pélvica Débora Pádua, é a hora da mulher aprender sobre o uso de anticoncepcional, não necessariamente a pílula, de camisinha tanto feminina quanto masculina e sobre ISTs.

Muitas mulheres adiam esse momento por vergonha de conversar abertamente sobre o próprio corpo e a vida sexual com o médico. Afinal, é uma pessoa desconhecida diante de você fazendo perguntas sobre a sua vida, não é? Porém, não é preciso se preocupar. Marcos explica que o profissional da saúde trabalha respeitando o sigilo médico, ou seja, o que é falado no consultório diz respeito apenas à mulher. “É sigiloso, ninguém vai saber o que foi conversado ali”, fala.

Nesse sentido, você pode confiar inteiramente naquele profissional para conversar e tirar todas as dúvidas sobre o seu corpo e tudo o que está relacionado a ele. Ana Carolina fala sobre a importância de existir um vínculo entre profissional e paciente para se estabelecer uma relação de confiança  e haver uma possibilidade terapêutica. “Se isso não for estabelecido, você deverá procurar outro profissional mais aberto”, aconselha.

Geralmente essa conversa é conduzida pelo médico que fará perguntas básicas sobre a saúde e sexualidade da mulher. Ele perguntará seus hábitos, orientação sexual, se você tem uma vida sexual ativa e outras questões para entender melhor como o seu corpo funciona e qual o seu histórico. “Quanto mais informações nós tivermos, mais nós poderemos ajudar”, explica Marcos.

Além das perguntas feitas pelo profissional, você também pode levantar as suas dúvidas e colocar questionamentos sem se preocupar com julgamentos. Segundo Ana Carolina, a mulher pode tirar todas as dúvidas sobre a saúde, principalmente da genital. “Qualquer assunto, por mais ingênuo que pareça, poderá ser abordado com o médico”, comenta. Ela ainda acrescenta que isso ajuda a estabelecer o vínculo com profissional e facilita o reconhecimento de riscos e possíveis patologias.

Débora sugere contar a história da sua vida, questionar sobre exames e perguntar qual o método anticoncepcional mais adequado para você. A sexóloga ainda reforça a importância de tirar todas as dúvidas e conversar abertamente com o profissional. “É importante que a mulher procure ajuda, porque se ela não tirar as dúvidas sobre como funciona o corpo e as relações sexuais, vai passar muito mais tempo com essas dúvidas e às vezes vai deixar de sentir prazer por isso”, fala.

Não tenha medo dos exames

Deve-se estabelecer uma relação de confiança entre paciente e ginecologista para que ela se sinta confortável na consulta
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Deve-se estabelecer uma relação de confiança entre paciente e ginecologista para que ela se sinta confortável na consulta

Os exames são outro momento importante da consulta médica, mas que causa estranhamento para muitas mulheres. Alguns serão feitos na própria consulta e outros serão pedidos para um laboratório. Marcos explica que, geralmente, examinam-se as mamas da mulher e a região da vulva. A forma como o exame será conduzido depende se a mulher tem uma atividade sexual ativa ou não.

De acordo com o especialista, se a mulher tiver uma atividade sexual ativa, será feito o famoso exame “Papanicolau”, onde o médico introduz um espéculo, um aparelho chamado “bico de pato”, no canal vaginal. Além disso, em toda consulta há o exame de toque vaginal, no qual o profissional examina para identificar se o útero está móvel, se os ovários são palpáveis e se existe alguma alteração no corpo da mulher.

A princípio tudo isso pode parecer um pouco desconfortável, porém, o profissional fará o possível para que você se sinta bem durante o exame. “Se nós percebemos que existe uma vergonha muito grande ou que essa mulher não quer ser examinada em uma primeira consulta, explicamos que serão pedidos os exames de rotina primeiro e no retorno ela vai ser examinada”, explica Marcos. Segundo ele, isso ajuda a quebrar alguns preconceitos de que ela será imediatamente examinada.

Além de ser examinada no consultório, provavelmente serão pedidos exames básicos na primeira consulta. De acordo com o especialista, costuma-se pedir um ultrassom da mama para verificar se há algum cisto ou nódulo na mama. Se ela tiver uma vida sexual ativa, também se pede um ultrassom pela vagina .

Se não for o caso, o médico vai pedir um ultrassom abdominal, pélvico, que é feito por cima. Os exames são importantes para se ter a noção de como está o útero. Também é comum pedir exames para identificar avaliar as células sanguíneas e o colesterol. “Lembrando que o ginecologista acaba sendo o clínico da mulher, por isso, é importante ele saber como está o equilíbrio dela”, conclui Marcos.

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