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“Mudou tudo na minha vida, eu descontava tudo na comida”, diz Maria Vitória, jovem atendida pelo Instituto Movere, em São Paulo, que oferece prevenção e tratamento da obesidade

Maria Vitória Martins sempre sofreu com a obesidade e, desde muito nova vinha tentado emagrecer de diversas maneiras: “Minha mãe chegou a me dar remédio quando eu era pequena”, lembra.

Quando tinha 14 anos, sua mãe, Íris Martins, decidiu levá-la para o Instituto Movere, na periferia de São Paulo. No primeiro momento, Maria Vitória ficou com receio “porque era médico”, explica. Mas quando foi até lá, se apaixonou pelo discurso e pelas ações do instituto. “Eles falam que a sociedade tem que aceitar a gente do jeito que a gente é. Eles tentam passar para a gente que o gordo é uma pessoa comum.”

Maria Vitória foi dos 120 kg para os 87kg em 4 anos de acompanhamento com o Instituto Movere
Arquivo pessoal
Maria Vitória foi dos 120 kg para os 87kg em 4 anos de acompanhamento com o Instituto Movere


Instituto Movere
O Instituto Movere é uma organização criada em 2004 que busca tratar e prevenir a obesidade em crianças e adolescentes. Para isso, eles oferecem gratuitamente uma abordagem multidisciplinar para os jovens: acompanhamento nutricional – com ensino de receitas saudáveis e fáceis -, suporte nas áreas de atividade física e fisioterapia dentro e fora do instituto, além de consultas psicológicas não só para os pacientes, mas para os familiares, medida extremamente importante para Vera Perino Barbosa, presidente da instituição.

Emagrecer é bom, ter saúde é bom e que se pode comer de tudo um pouco”, diz Maria Vitória

Durante esses 11 anos de trabalho, Vera percebeu que os casos em que a criança ou jovem não respondia bem à toda essa abordagem era porque sofria bullying. “O que eu imagino é que não adianta só nós, como equipe fantástica, se essa criança lá fora está sofrendo abusos e violência.”

Por isso o instituto criou este ano o projeto Núcleo de Atenção Contra Violência em Crianças e Adolescentes Obesos. O projeto atenderá 100 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social de ambos os sexos, entre 6 e 17 anos, no período de um ano. Além de toda a equipe tradicional do Instituto Movere, este projeto ainda envolverá atendimento jurídico e de assistência social com as crianças, jovens e suas famílias.

Crianças e jovens têm aula de culinária no Instituto Movere
Divulgação/Instituto Movere
Crianças e jovens têm aula de culinária no Instituto Movere


Emagrecimento
Depois de perder mais de 15 kg apenas com reeducação alimentar e inclusão de exercícios físicos na rotina, há 5 meses Maria Vitória ganhou, por intermédio do Instituto Movere, uma cirurgia para colocar o balão intragástrico, que potencializou o emagrecimento e fez com que ela chegasse aos 87 kg.

A jovem já conseguiu emagrecer 33 kg dos 120 kg iniciais. O acompanhamento nutricional e de exercícios físicos foram essenciais, mas ela valoriza muito o trabalho dos psicólogos que a atenderam: “Mudou tudo na minha vida, eu ficava muito em casa, era depressiva e descontava tudo na comida”, lembra a jovem que muitas vezes não queria nem ir para a escola por conta do complexo com o corpo e do bullying que sofria.

Com 18 anos e cursando o terceiro ano do ensino médio, ela percebe que até o rendimento escolar melhorou. Além disso, levou tudo o que ensinaram a ela para casa: come de três em três horas, segue uma dieta, faz exercícios e levou até amigos do instituto para a vida.

O que ela aprendeu nestes quatro anos? “Que emagrecer é bom, ter saúde é bom e que se pode comer de tudo um pouco.”

O irmão Nicolas, de 8 anos, que também tem problemas com peso, está começando o tratamento no instututo e Maria Vitória vai sempre acompanhá-lo com orgulho de quem sabe que virou um bom exemplo.  

Para mais informações acesse o site do  Instituto Movere .


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