Durante a quarentena, muitas pessoas promoveram mudanças em casa seja para se adequar a rotina diferente ou garantir mais conforto. A busca por móveis funcionais e sustentáveis tem crescido. A designer Alexandra Weiss  está atenta a este movimento e conversou sobre o seu trabalho de criação de móveis para casa e/ou escritório.

Alexandra Weiss
Reprodução
Alexandra Weiss, design de móveis

1. Beluquices: Na sua opinião, quais são as principais características que as pessoas buscam em um móvel? Beleza, durabilidade, funcionalidade?

Alexanda Weiss: Hoje em dia vivemos uma rotina de constante mudanças e acredito que as pessoas estejam buscando móveis que se adaptem à isso.  

Antigamente o estilo de mobiliário era muito diferente dos que vemos atualmente. Eram pesados, grandes, maciços e onde fossem colocados permaneciam, por conta da dificuldade de mudá-los de lugar.  Sem mencionar que esse tipo de mobília demandava um grande esforço para limpeza e cuidados. 

Hoje, vemos uma mudança de comportamento muito nítida, não só da nova geração. Minha avó, por exemplo, também busca e compra produtos ‘’mais fáceis’’. Portanto, eu acredito, e também baseado nas pesquisas que fiz, que as pessoas buscam principalmente por:

  • Qualidade: um ponto básico e não um diferencial. Mesmo que o produto não seja caro, espera-se o mínimo de qualidade.
  • Tamanho: móveis mais compactos, que não exijam um grande espaço do ambiente. Hoje, o número de prédios aumenta e o tamanho dos apartamentos fica menor, assim, para que os ambientes não fiquem poluídos sem deixarem de ser aconchegantes, as pessoas preferem móveis compactos e funcionais.
  • Cores neutras: já passamos pela fase dos móveis coloridos e chamativos. Mas acredito que essa função de cor e destaque, atualmente, ficou para almofadas, mantas, cor da parede, etc.
  • Qualidade do material: apesar da compra e venda de móveis em MDF ainda ser muito comum, vejo que existe uma grande curiosidade e busca das pessoas por madeiras ecológicas e duráveis, mesmo que com preço elevado.
  • Móveis práticos: que possam ser facilmente trocados de lugar/ambiente.
  • Facilidade de limpeza: aqui podemos falar tanto do material e qualidade da madeira, quanto do design. O consumidor busca por móveis com design diferenciado, mas que possuam formas que facilitem a limpeza, pois nada adianta um cantinho super detalhado e maravilhoso que não possa ser acessado na hora da limpeza.


2. Beluquices: Durante a pandemia, muitas pessoas fizeram alguma alteração em casa para garantir mais conforto, aconchego. Acredita que a busca por móveis com design diferenciado, multifuncional, vai aumentar? 

Alexandra: Com certeza, as pessoas estão passando muito tempo em casa e já identificaram que querem investir mais nela. Acredito que a busca por móveis assinados por designers também crescerá. Estamos vivendo um momento em que a procura pelo o que é feito localmente, por pessoas “reais”, têm grande influência na decisão de compra do consumidor. 

No caso de móveis multifuncionais, essa tendência já vinha crescendo devido à alta do mercado imobiliário de flats, studios e pequenas casas. Agora, com a pandemia e a agonia de estar isolado em suas residências, as pessoas tiveram a percepção de como seria melhor estarem em uma casa com móveis adequados com a sua rotina.

Vendo os stories do meu Instagram percebi que a quantidade de “soluções criativas” aumentou muito e elas não deixam de ser um redesign de móveis, né?! Mas na maioria das vezes acabam não sendo 100% eficientes e isso acaba incentivando o consumidor a investir em móveis com uma pluralidade funcional.

Móveis Donna
Reprodução
Móvel Donna


3. Beluquices: O móvel  Donna foi inspirado nos gráficos brasileiros que demonstram o percentual da violência doméstica que a mulheres sofrem. Acredita no design de móveis com propósito? 

Alexandra: Acredito muito na frase do designer William Morris ‘’não tenha nada em sua casa que você não ache útil, ou que acredite ser belo’’. Além disso, não importa qual a sua profissão você sempre pode ajudar alguém de alguma forma fazendo o bem e fazendo algo com propósito.O móvel Donna será doado e o dinheiro revertido para um evento feminino que ajuda mulheres em situações de vulnerabilidade, mas por conta da pandemia o evento foi adiado para o ano que vem. Mas ainda quero colocar essa ideia em prática.

Eu acho lindo e é nítido como o processo de venda se torna mais fácil e rápido quando se tem uma história para contar através daquela peça. Quando o designer tem um propósito contado no objeto.  

Chamamos de conceito na área do design, e peças conceituais dificilmente são entendidas com apenas um olhar, até causam estranheza certas vezes.  Inconscientemente, buscamos tentar entender e achar algum significado próprio, ou seja, incentivar o consumidor a pensar e refletir.  

Quando eu mostro o móvel e conto a história por trás, automaticamente o valor da peça se torna algo que justifica o preço dele. Acredito que peças com propósitos maiores se tornarão cada vez mais vistas, mais que isso, serão vistas com bons olhos.  

Eu sempre me perguntava o porquê de desenvolver mais uma estante, mais uma mesa, se ja haviam tantas no mercado. Foi por esse motivo que decidi me arriscar em algo mais emocional que me tocasse.

painel
Divulgação
Painel criado por Alexandra para levar mais verde para casa

4. Na linha MF foi criado um painel de plantas para acomodar os “verdinhos” de diferentes tamanhos. Na sua opinião, o design biofílico é uma tendência?

Alexandra: Novamente falando sobre a pandemia,  passamos mais tempo em casa e tivemos um crescimento gigante de novos papais e mamães de plantas.  

Primeiramente, a presença de plantinhas em casa traz inúmeros benefícios à saúde, além de deixar qualquer ambiente mais charmoso e aconchegante, elas melhoram a qualidade do ar.  Com a rotina corrida, cada vez mais tecnológica e virtual, precisamos nos reequilibrar e a natureza tem um papel fundamental nisso.  Nós temos uma necessidade biológica desse resgate da natureza e sua essência, além da reconexão com nós mesmos. 

O design biofílico é com certeza uma ferramenta que veio para ficar (arrisco em dizer para sempre), pois além de reconectar as pessoas com o ambiente natural, ajuda a desenvolver espaços mais saudáveis e produtivos para a sociedade contemporânea. Sem contar que acho fascinante o contraste da madeira com o verde das plantas, se pudesse, venderia os móveis juntamente com alguma plantinha.

Móveis criados por Alexandra podem ser encontrados nas lojas filiais da empresa Máxima Moveis ou no site: www.maximamoveis.com.br. 

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