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Nesta semana, a psicanalista Mônica Cruz fala sobre qual o papel do amor na educação: "Amar um filho é prepará-lo para a vida", diz a profissional

Quando falamos sobre o amor, o que temos por nossos filhos é incontestável, ultrapassa limites, fica acima de tudo, reina soberano em nossas vidas.

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A colunista Mônica Cruz fala sobre o papel do amor da educação

Mas, a questão que fica é: para que nossos filhos cresçam saudáveis e sejam adultos responsáveis, maduros e felizes, o nosso amor basta? A resposta é sim, o nosso amor é o bastante para os nossos filhos.

Ouvimos pais e mães dizerem: “amo tanto o meu filho que faria qualquer coisa por ele”. Sim, você faria, mas deveria?

A forma como amamos nossos filhos importa tanto quanto a quantidade de amor que temos para dar. Então, o amor que temos pelos nossos filhos é mais que suficiente para eles. Porém, amar não é só dar beijinhos, abraçar, apertar e dizer, eu te amo.

Amar um filho está acima de atitudes de demonstração de carinho. Amar um filho é prepará-lo para a vida.

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Desde a mais tenra idade nos preocupamos com "o que o meu filho vai ser”, mas, ao invés disso, devemos nos preocupar com o que podemos fazer para que ele seja o que desejamos.

Os pais não deveriam fazer tudo por seus filhos. Quando bebezinhos, em suas necessidades mais básicas, nos desdobramos para atender todos os seus desejos. Não deixamos que chorem e que demorem a dormir. Ao menor gemido, corremos para trocar a fralda, dar de mamar, atender suas demandas.

Um pouco maiores, crianças aprendem que, se jogarem um brinquedo no chão, alguém logo vai pegar. Aprendem também que quase nunca chegam a ter fome, porque a comida sempre aparece antes. Quase nenhuma demanda deixa de ser atendida. Essas lições são aprendidas e ficam guardadas. No momento em que a criança tem um desejo negado, claro que ela vai chorar, já que não entende o que esta acontecendo, pois isso nunca aconteceu.

Tudo o que você fez para o seu filho até então foi com muito amor, não foi? E o amor é sim suficiente para educar o seu filho, mas, experimente dar esse amor de uma maneira um pouco diferente.

Imagine a seguinte situação: seu bebe esta chorando aparentemente sem motivo. Ele já mamou, já foi trocado e não está com dor. Você o ama tanto que não quer que ele chore. Então, corre e o pega no colo. Ele para de chorar e você fica tentando adivinhar o porquê do choro. Ou você até sabe que ele chorou porque ele quer colo, mas mesmo assim atende o desejo do bebe.

Mas, se na mesma situação você não pegar o bebe no colo, você deixou de amá-lo? Não, você o amou mais ainda, já que deixou que ele chorasse para que aprendesse que nem sempre terá suas demandas atendidas. Com isso, ele irá aprendendo a lidar com decepções e frustrações que certamente aparecerão no decorrer de sua vida.

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Não pegue sempre o brinquedo que a criança joga no chão. Não obrigue seu filho a comer mesmo quando ainda não está com fome. Não fique o tempo todo tentando antecipar os problemas que poderão aparecer para poder resolver antes. Não tire do seu filho a capacidade de enfrentar situações difíceis. Dê elementos ao seu filho para que ele saiba encarar problemas.

Sim, seu amor é suficiente. E tem que amar muito um filho para deixá-lo enfrentar a vida.

Não dê ao seu filho o que ele quer, dê o que ele precisa.