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Leitora do Delas enviou dúvida sobre quando a mulher deixa de ser virgem e também questionou quando o exame de ultrassom transvaginal é permitido

O conceito de perder a virgindade ainda gera muitas dúvidas entre homens e mulheres, e não entender bem sobre o assunto pode gerar até mesmo dúvidas em um mulher em relação à própria saúde, como nos revelou uma leitora em um e-mail. “Tenho 43 anos e até hoje transei apenas quatro vezes. Perdi a virgindade com 31 anos e senti um incômodo que nem sei se era dor, mas também não sangrei. Existe a possibilidade de eu ser virgem ainda?”

Para perder a virgindade a mulher não precisa, necessariamente, ter o hímen rompido, já que isso envolve outras coisas. “Deve ser entendido como o início da vida sexual
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Para perder a virgindade a mulher não precisa, necessariamente, ter o hímen rompido, já que isso envolve outras coisas. “Deve ser entendido como o início da vida sexual", afirma coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho

Como explica a ginecologista Bárbara Murayama, coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, perder a virgindade nos dias atuais envolve mais do que o rompimento do hímen , membrana presente na entrada do canal vaginal.

“[Deixar de ser virgem] deve ser entendido como o início da vida sexual, porque, a partir do momento em que há contato entre genitais, já há riscos inclusive de contrair doenças sexualmente transmissíveis. Uma relação sexual pode envolver inúmeras atividades além da penetração vaginal: sexo oral, masturbação mútua e/ou sexo anal.”

A especialista explica que historicamente entende-se que a mulher deixa de ser virgem quando tem uma relação sexual vaginal com rompimento do hímen, porém alerta que mais importante do que essa ideia é o conceito de iniciação sexual de forma segura, independentemente da forma sexual que será praticada. “O mais importante é garantir a segurança física e emocional dessa mulher.”

Hímen é uma barreira para a entrada do pênis na primeira relação, mas a dor está mais ligada à falta de lubrificação, desta forma, não necessariamente a mulher vai sentir dor quando for perder a virgindade ou iniciar o sexo com penetração
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Hímen é uma barreira para a entrada do pênis na primeira relação, mas a dor está mais ligada à falta de lubrificação, desta forma, não necessariamente a mulher vai sentir dor quando for perder a virgindade ou iniciar o sexo com penetração

A dúvida da leitora pode ser, então, se ela ainda não teve o hímen completamente rompido, algo que pode gerar incômodos durante a relação sexual. Bárbara explica que existem diversos tipos dessa membrana, e um deles é o hímen chamado complacente, que é mais elástico e pode ser mais difícil para ser rompido. Desta forma, o melhor é sempre se consultar com um ginecologista para entender melhor sobre o próprio corpo e o que pode ser feito.

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“A orientação durante a consulta ginecológica sobre sexo é essencial. Essas orientações envolvem conceitos sobre preliminares para melhor lubrificação e até o uso de lubrificantes [algo que pode evitar dores], entre outros conceitos e esclarecimentos de dúvidas da mulher e idealmente do(a) parceiro(a)."

A especialista lembra ainda que a ida ao ginecologista assim que a decisão de ter relação sexual for tomada é essencial para a mulher tirar dúvidas sobre métodos anticoncepcionais, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, como vacinas do HPV e hepatite B e A, além, claro, do uso de preservativo , que pode ser masculino ou feminino.

"Acho que mais importante do que pensar sobre ser virgem ou perder a virgindade é pensar se está pronta para a responsabilidade que a vida sexual ativa traz. Ou seja, depois de iniciada a vida sexual, é preciso entender que há riscos de adquirir doenças sexualmente transmissíveis, além do risco de gestação. Por isso, é importante ir a ginecologista assim que tomar a decisão de ter relação", aconselha Bárbara.

Para o exame transvaginal é preciso perder a virgindade

Alternativa para quem ainda não passou pelo processo de perder a virgindade é o ultrassom por via abdominal, já que o transvaginal não é recomendado porque é feito com um transdutor dentro da vagina, como explica ginecologista
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Alternativa para quem ainda não passou pelo processo de perder a virgindade é o ultrassom por via abdominal, já que o transvaginal não é recomendado porque é feito com um transdutor dentro da vagina, como explica ginecologista


O fato da nossa leitora ainda ter dúvidas sobre perder a virgindade fez com que surgissem dúvidas também em relação aos exames que precisa fazer como uma mulher. Normalmente, nas consultas anuais ao ginecologista, os médicos pedem um exame de ultrassom transvaginal, com um aparelho que é introduzido na vagina da mulher.

Porém, esse mesmo exame pode ser substituído por ultrassom por via abdominal, com um aparelho que é passado na região abdômen da mulher mesmo, sem a necessidade de introduzir um aparelho para verificar os órgãos pélvicos.

“Já fiz o exame transvaginal, que para mim também é um incômodo pois sinto dor. As virgens podem fazer esse exame?”, questiona a leitora. Bárbara explica que não. Para realizar esse tipo de ultrassonografia é preciso, antes, perder a virgindade, justamente porque o ultrassom é feito com um transdutor dentro da vagina. “Deve ser realizado apenas em mulheres que já têm ou tiveram atividade sexual vaginal.”

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Segundo Bárbara, os órgãos pélvicos são vistos com mais facilidade de precisão via transvaginal com ultrassom, indicado após a mulher perder a virgindade, mas o exame não é necessariamente melhor ou pior do que o por via abdominal
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Segundo Bárbara, os órgãos pélvicos são vistos com mais facilidade de precisão via transvaginal com ultrassom, indicado após a mulher perder a virgindade, mas o exame não é necessariamente melhor ou pior do que o por via abdominal

“[No caso de quem é virgem ou não pode fazer esse exame] é preciso primeiro entender qual a indicação do exame. A depender do caso, pode ser suficiente o exame de ultrassom por via abdominal, ou, em casos mais específicos, uma ressonância magnética de pelve.”

A ginecologista explica que os órgãos pélvicos, como útero e ovários, são vistos com mais facilidade de precisão via transvaginal com ultrassom, mas que esse exame não é necessariamente melhor ou pior do que o realizado por via abdominal.

O que é realmente importante, segundo a ginecologista Bárbara, é definir qual a necessidade do exame, qual pergunta precisa ser respondida com esse procedimento e, a partir da queixa da mulher, buscar as respostas com os exames que os especialistas têm à disposição e que podem ser realizados pela paciente em questão.

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Tem mais dúvidas sobre o rompimento do hímen, sexo, perder a virgindade e posições sexuais? Entre em contato conosco pelo sexo@igcorp.com.br e nós traremos um especialista para respondê-la com sigilo total!

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