16 mil médicos serão ouvidos no inquérito que vai apurar as causas da marca de 80% de cesarianas na rede privada

Começa nesta terça-feira (8/6) o primeiro inquérito nacional para apurar as causas do crescimento expressivo das cesáreas no País. Hoje, em hospitais particulares, oito em cada dez mulheres que chegam às maternidades não fazem partos normais.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com a Federação Brasileira de Associação de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), vai ouvir 16.163 médicos para identifcar os principais motivos que fazem os próprios profissionais incentivarem as cesarianas mesmo com as sólidas evidências científicas de que o parto normal é mais seguro para a mãe e para o bebê.

A coleta de dados, informa o CFM, será por meio de questionários colhidos via internet durante dois meses. A previsão é de que o relatório seja apresentado em setembro.

“Há indícios de que o elevado número de cesarianas esteja relacionado com remuneração, agenda profissional, planejamento hospitalar, estrutura de atendimento, desinformação e alguns outros fatores; a pesquisa verificará se estes indícios correspondem à realidade e qual é o peso de cada fator no momento da escolha do tipo de parto”, diz José Fernando Maia Vinagre, conselheiro do CFM e coordenador da comissão criada na entidade para estimular os partos naturais.

Vinagre afirma que com os dados em mãos será possível traçar estratégias mais efetivas para reduzir o índice de cesáreas no País. "Mesmo antes dos resultados já vamos conversar com as 10 maiores operadoras de saúde suplementar do Brasil, que englobam 70% dos clientes dos planos de saúde, para estreitar o diálogo e também verificar como as empresas podem contribuir no incentivo do parto normal."

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