Sentir dores durante o período menstrual pode ser perfeitamente normal. As cólicas acontecem por razões comuns, como o estreitamento do orifício do útero, que ocorre nesta época. Porém, por vezes, as dores sinalizam que algo está errado com o organismo, o problema pode ser endometriose
O que é endometriose? O nome “endometriose” provém de “endométrio”, um tecido que reveste o útero de todas as mulheres. O endométrio cresce todo mês e tem a função de preparar o útero para uma possível gestação.
Se a gravidez não ocorre, boa parte do endométrio é eliminada juntamente com o sangue da menstruação. Até aí tudo normal, o problema é que algumas mulheres não conseguem eliminar completamente todas as películas de endométrio que foram desprendidas do ovário. Uma vez retido no organismo, estes pequenos tecidos alojam-se em diversas partes do corpo e inflamam, o que causa muita dor.
Segundo Arnaldo Cambiaghi, do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IGPO), a endometriose pode se instalar no abdome, ovários, trompas, ligamentos que sustentam o útero e em outros locais do aparelho reprodutor feminino. “Em algumas ocasiões, as aderências também se encontram nas cicatrizes cirúrgicas abdominais, nos intestinos ou no reto, na bexiga, na vagina, no colo do útero e na vulva”, revela.
Porque algumas mulheres não conseguem eliminar os endométrios?
 Alguns cientistas acreditam que o problema acontece por conta do refluxo do ciclo menstrual. Essa teoria sugere que o fluxo menstrual volta pelas tubas uterinas e é derramado na cavidade pélvica, permitindo que as células endometriais se espalhem no organismo.
Outra teoria propõe que um problema no sistema imunológico ou alguma alteração hormonal permite que o tecido endometrial seja distribuído para outras partes do corpo pelo sistema linfático ou sangüíneo.
Há ainda a teoria genética, que diz que certas famílias podem ter predisposição para a endometriose. E existe, inclusive, uma teoria chamada embrionária porque supõe que o problema da endometriose tenha origem ainda no embrião.
Como são essas dores? A endometriose é uma doença que provoca queixas e sintomas variáveis de uma mulher para outra, isso porque, as dores mudam de acordo com o local acometido.
A endometriose pode existir em qualquer um dos órgãos da cavidade pélvica, incluindo intestinos, bexiga, vagina e septo reto-vaginal. Aderências resultantes da doença podem unir esses órgãos, limitando a variação de movimento pélvico confortável.
Segundo Cambiaghi, existem quatro graus de intensidade da endometriose: mínima, leve, moderada e severa. Porém, o grau de dor apresentado não é necessariamente proporcional à extensão da doença. “Há mulheres que podem ter vários implantes (tumores) grandes que não sejam muito doloridos, enquanto outras podem apresentar implantes menores, em pequena quantidade, mas que causam muita dor”, esclarece o especialista. Os sintomas mais comuns da doença são:
Dor antes e durante a menstruação. Normalmente, essas dores são piores que as cólicas menstruais normais.
Dor nas relações sexuais. Como os tumores incham a cada mês, pode haver dor durante ou após cada relação sexual, causada pelos movimentos do intestino.
Dores variadas durante todo o mês, em decorrência do inchaço do tumor ou da irritação do tecido normal perto dele.
Evacuação dolorosa durante o período menstrual, dor na parte inferior das costas, diarréia ou prisão de ventre e outros transtornos intestinais no período da menstruação.
Dor ao urinar, sangue na urina
Diagnóstico

A primeira pista para chegar a um diagnóstico de endometriose são as queixas clínicas das dores acima descritas. O exame de sangue CA125 dá uma idéia de possibilidade da doença. A ultra-sonografia também pode ajudar no diagnóstico.
Porém, a confirmação de endometriose só é possível por meio de um exame chamado videolaparoscopia. Este exame é feito em hospital, com anestesia geral e necessidade de internação de um dia.
A videolaparoscopia é um exame sofisticado em que uma microcâmera de vídeo é introduzida no abdome por uma incisão mínima na região do umbigo, onde é possível visualizar todo o aparelho reprodutor feminino e assim detectar a presença ou não da doença.
Tratamentos O próprio exame de laparoscopia também é um tratamento. Isso porque, no momento do exame, o médico também cauteriza as lesões existentes. O especialista Arnaldo Cambiaghi classifica a laparoscopia como uma ótima alternativa, mas diz que ninguém pode garantir a reincidência da doença.
Uma alternativa de tratamento adotada por muitos médicos é a suspensão da menstruação. A interrupção da ovulação faz com que os implantes endometrióticos diminuam ou mesmo desapareçam. Também permite que não haja novos crescimentos dos tecidos. Os implantes hormonais que suspendem a menstruação também são indicados para tratar da doença, pois além de serem fáceis de usar, também são contraceptivos.
Conseqüências da endometriose A endometriose não é considerada uma doença maligna, pois trata-se simplesmente de uma classe de tecidos normais fora de seu local correto. No entanto, estão sendo estudadas possíveis relações entre o problema e o câncer de ovário.
Se essas aderências forem próximas a órgãos do sistema reprodutivo da mulher, esta pode ter dificuldade para engravidar. A infertilidade ocorre em 30% a 40% das mulheres com endometriose e é uma conseqüência comum, à medida em que a doença progride.
A doença também parece aumentar o risco de gravidez tubárea e aborto em mulheres que conseguem engravidar. Nos casos mais graves, pode até ocorrer sangramento intestinal ou obstrução, se os tumores estiverem no intestino ou próximos a ele. Se estiver perto da bexiga, pode prejudicar seu funcionamento.
Procure um médico Se você tem alguma suspeita de endometriose convém procurar um ginecologista. Apesar de não ser uma doença de grande potencial maligno, a endometriose não deve ser menosprezada, pois afeta seriamente o dia-a-dia das mulheres, e em alguns casos, os seus relacionamentos. Para saber mais sobre endometriose consulte o Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia: clique aqui
-------------------------------------------------------------------------------- Consultoria: Dr Arnaldo Cambiaghi é especialista em Reprodução Humana da Clínica de Reprodução Humana do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia). Também é membro da European Society of Human Reproduction and Embriology e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.
Escreveu os livros "Fertilização, um ato de amor" (2a Edição, Ed Edicon) e "Manual da Gestante - Orientações especiais para a mulher grávida" (Ed Madras). Também ministra aulas, palestras e cursos para os profissionais da área e o público em geral, através do Centro de Estudos do IPGO.
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