“Meu trabalho é um parto” encena histórias reais de grávidas e não tem medo de mostrar o lado B dos nove meses

Veridiana em cena: objetos como carrinho, cobertor ou mamadeira como apoio
Fausto Saez/Divulgação
Veridiana em cena: objetos como carrinho, cobertor ou mamadeira como apoio
Atriz grávida não tem trabalho. Ou você consegue lembrar de algum texto clássico para o teatro em que a protagonista fosse uma mulher esperando um bebê? Essa é apenas a primeira coisa da qual você ainda não tinha se dado conta quando começa a assistir “Meu Trabalho é um Parto”, peça em que a atriz Veridiana Toledo interpreta um texto de sua autoria baseado em fatos reais.

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A questão da grávida em cena, como a própria Veridiana contou para a platéia na noite da estreia, nesta sexta (5), era um projeto incubado de uma amiga, que ela decidiu gerar. Para reunir um número bom de textos sobre grávidas, entrou em contato com várias gestantes pelo Brasil e fez uma seleção das melhores histórias. Engraçadas, absurdas, escatológicas ou emocionantes, elas são todas reais.

Com seu talento versátil, Veridiana conduz a platéia para onde bem entende: dos ataques de riso coletivos às lágrimas. A montagem é simples: sozinha em cena, Veridiana usa objetos do universo dos bebês, como carrinho, cobertorzinho ou mamadeira, para se apoiar. E lembra que nem tudo são flores e fofuras na vida de uma grávida. Há também os desejos incontroláveis, as oscilações de humor e... os gases.

Logo no início do espetáculo, transformando uma mantinha em estola para virar a grávida quatrocentona e executiva poderosa que se vê numa situação sem saída ao ter um ataque de gases – com consequências tenebrosas – diante de um cliente importante, ela assusta a platéia, que ainda não entrou exatamente no clima, com uma cena talvez nua e crua demais. A direção, de Marcelo Galdino e Helô Cintra, deveria considerar mover a cena para um pouco mais adiante, para dar tempo de a plateia esquentar um tantinho e aproveitar toda a graça da situação (vista à distância e em retrospecto).

O que vem a seguir é divertido e bem encenado. Atriz com muitos recursos, Veridiana vai dando voz e corpo a várias grávidas diferentes, de sotaques diferentes, idades diferentes, condições diferentes. Tem a menina jovenzinha que vive no Nordeste com os pais, foi abandonada pelo namorado – que a trocou por uma mulher tão feia, mas tão feia, que ela gostaria de pegar o nome da macumbeira da outra --, e tem o desejo incontornável de chupar o pavio da lamparina queimado. Com querosene e tudo.

Nove meses vistos com humor: em cena, Veridiana se desdobra em personagens diversos
Fausto Saez/Divulgação
Nove meses vistos com humor: em cena, Veridiana se desdobra em personagens diversos
A outra, mineira, faz greve de sexo durante a gestação, porque considera que “o bebê não pode ver essas coisas”. A carioca praticante de yoga, por outro lado, fica com a libido a mil. Até adquire uma amiga imaginária, “a vontade de dar”, que a acompanha até ao supermercado.

Veridiana também se multiplica em outros personagens, como o marido irritado que descobriu que “TPM é desculpa de mulher chata para ser chata com hora marcada” e a senhora indiscreta que olha para a barriga da grávida e fala “xiiii, tá toda craquelada. Vai ficar flácida, você sabe que estria não volta, né?”

Com humor, Veridiana reflete sobre o trabalho de atriz e sobre a condição de grávida. Mostra os perrengues que algumas futuras mães enfrentam até a chegada do bebê e as dificuldades da eterna corda bamba da vida de atriz. Fazendo o público rir até de peido (palavra exata), Veridiana mostra que, com graça, até uma barriga prestes a explodir fica mais leve.



Serviço

Teatro União Cultural
Rua Mário Amaral, 209 – Paraíso
Tel: (11) 2148-2330
Até 13 de novembro. Sextas 21h30, sábados 21h e domingos 20h

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