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Crianças podem assistir à novela?

Globo reclassifica "Passione" e levanta a discussão sobre um hábito brasileiro bastante comum: assistir à novela em família

Clarissa Passos, iG São Paulo |

TV Globo/ Divulgação
Mariana Ximenes seduz Tony Ramos em cena de Passione
Ontem a Globo reclassificou a novela "Passione", exibida no horário das 21h, subindo a classificação indicativa de 10 para 12 anos. A emissora acatou uma advertência do Ministério da Justiça que pedia a reclassificação, baseado nas cenas de sexo exibidas na trama.

Momentos quentes e violentos entre Clara e Fred, os vilões interpretados por Mariana Ximenes e Reinaldo Gianecchini, o vício do personagem Danilo (Cauã Reymond) em anfetaminas e a traição compulsiva de Stela (personagem de Maitê Proença) são alguns dos temas apresentados na novela.

Entre janeiro e maio de 2010, do total de espectadores ligados na televisão entre as 21 e as 22 horas, 10% eram crianças de 4 a 11 anos, segundo dados do Ibope Mídia. É um hábito comum no Brasil as crianças assistirem a novelas com os pais. "Esse é um hábito complicado", opina Sílvia Nogueira de Carvalho, psicóloga especializada nas problemáticas de infância e família. "A primeira coisa a ser questionada é qual a função da novela do ponto de vista educacional".

Conteúdos abordados na novela podem ser de natureza muito intensa para a compreensão de uma criança de até 12 anos. "A criança que vê novela fica exposta a tudo", alerta Anete Hecht, pedagoga especializada em psicopedagogia e terapia familiar. "A classificação indicativa e as campanhas de orientação ajudam, mas o ideal é que os pais façam o filtro".

Por isso, é importante acompanhar de perto o que a trama da novela está oferecendo - e definir, ao observar seu filho, se o programa é adequado para ele ou se o melhor mesmo é desligar a TV naquele horário.

TV Globo/ Divulgação
Maitê Proença discute com o marido traído em cena da novela
Assistir em família

A convivência familiar não precisa ser resumida ao horário da novela. Existem opções mais enriquecedoras, mas se o hábito da casa é sintonizar a TV naquele horário, é importante ao menos abrir um espaço de diálogo sobre o que acontece na telinha. "Trazer algo da novela para se conversar a respeito e debater o que se viu é uma boa ideia. Mas nem sempre isso acontece", diz Hecht.

Por outro lado, se você decidiu que novela não é programa para o seu filho, não hesite em proibir. Até porque os efeitos de cenas mais fortes sobre a criança são difíceis de serem definidos. Cada criança lida de forma diferente com o que vê - mais um ponto que reforça a importância do diálogo com os pais, que precisam saber qual a visão que seus filhos estão tendo dos assuntos mostrados na TV.

Não existe receita para não errar. Mas o importante é estar atenta para a dose de presença da família na equação "televisão x crianças". "Hoje, vemos um espaço vago na vida das crianças. Este espaço, que deveria ser preenchido com a troca de experiências, com a proximidade e diálogo com os pais, é ocupado pela internet e pela TV", diz a psicanalista Rose Gurski, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre.

A TV e a internet não são necessariamente um mal, desde que o contato das crianças com os conteúdos trazidos por elas sejam intermediados - ou proibidos, se for o caso - pelos pais. "As histórias desta faixa podem ter uma função tóxica", define Sílvia. "E quando um alimento estraga na geladeira, você não põe na mesa para seu filho comer", compara a especialista.

 

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