Especialistas dão dicas para não passar pela experiência de Ana Paula, que teve imagem do ultrassom do filho roubada pela falsa grávida de quadrigêmeos

Compartilhar imagens com segurança é o desafio das mães que trocam ideias e experiências na rede
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Compartilhar imagens com segurança é o desafio das mães que trocam ideias e experiências na rede
Dificilmente alguém passa pelas fotos de bebês e crianças dormindo, sorrindo ou aprontando – publicadas em profusão na rede – sem esboçar alguma emoção. Mas nem todos enxergam as imagens sem segundas intenções. Recentemente a administradora de empresas Ana Paula Muckenberger Alves, 29, teve as imagens da ultrassonografia de seu filho Pietro roubadas pela pedagoga Maria Verônica dos Santos, que se dizia grávida de quadrigêmeas . Assim como Ana Paula, outras mães compartilham a intimidade de suas famílias na internet. Até que ponto a exposição é inofensiva é a questão.

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A arquiteta e urbanista Thais Rosa, 34, mantém um blog voltado sobre a maternidade. Vez ou outra, acaba narrando a vida pessoal da família. “Acho que se pensarmos em tudo que pode dar errado, vamos ver que risco existe em quase tudo: na esquina, na escola do filho ou na praia. Coisas podem dar errado nestes lugares também”.

Apesar da opinião pouco alarmista, Thais confessa que hoje é mais cuidadosa com fotos da família em seu blog, criado há três anos. Mais seletiva, ela pensa duas vezes antes de divulgar imagens do cotidiano da família. “Eu tento evitar, mas de vez em quando escapa uma foto mais pessoal”, afirma a mãe de Caio, de três anos e Nuno, de oito meses.

A exemplo de Thais, muitas mães começam a se preocupar com o conteúdo que divulgam na internet. “O que temos visto é que as pessoas estão entendendo melhor o poder que a internet tem. O movimento é lento e ainda insuficiente, mas essa consciência digital já dá sinal de vida”, afirma o especialista em segurança da informação da TrustSign Marcos Ferreira. Ele e Wanderson Castilho, especialista em segurança na rede e diretor da E-Net Security, deram algumas dicas preciosas para proteger o conteúdo compartilhado sobre seus filhos:

Use marca d’água, de preferência no centro da foto. O recurso dificulta bastante o uso de fotos sem autorização.

Suba fotos de baixa qualidade. As fotos em alta resolução são mais facilmente alteradas em programas como o Photoshop. A foto de baixa qualidade, quando manipulada, tende a não parecer autêntica.

Configure seu blog só para convidados. Se o seu objetivo não é compartilhar fotos e informações com todos na internet, os blogs privados são ideais.

Não coloque os vídeos na lista pública. Ao subir um vídeo no Youtube, você pode escolher entre permitir sua exibição na lista pública ou mantê-lo privado. Assim, ele só será acessado por pessoas que receberem a url.

Não publique símbolos, nomes de ruas ou edifícios. Qualquer informação que possibilite a um estranho chegar a você fisicamente deve ser evitada. Postar fotos tiradas na frente do edifício ou com as crianças de uniforme está fora de cogitação.

Use a restrição de acesso. Nas redes sociais, é possível escolher os grupos ou indivíduos que terão acesso a cada informação postada. Procure divulgar informações pessoais apenas para quem você confia.

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Riscos

“Nem todo mundo se dá conta, mas o crime virtual tem regras diferentes do real. O real acontece e acaba, mas o virtual é revivido repetidas vezes. Você pode prender o bandido, mas a foto ou a informação errada fica na internet para sempre”, afirma Wanderson Castilho.

Difamação, uso indevido de imagens e exposição de informações pessoais que outros podem usar para aplicar golpes. Estes são alguns dos perigos apontados por Wanderson. A blogueira Adriana Viaro, mãe de Stephanie, 10, e Alessandre, 5, sabe dos perigos da internet, mas não desistiu de manter seus três blogs.

“Não tenho muito medo. Eu não passo informações pessoais, nem dou pistas de endereço ou telefone, por exemplo”, diz. Adriana também se preocupa bastante com o consentimento dos familiares para publicar fotos onde eles apareçam.

A psicóloga e psicanalista Diana Huh lembra que quando as crianças ainda são incapazes de expressar sua recusa na publicação de determinada foto, cabe aos pais encontrar um equilíbrio para o excesso de exposição não resultar em um adolescente ou adulto com necessidade exagerada de reconhecimento.

“Assim como a criança pode chegar a se envergonhar no futuro das exibições atuais, também pode ter uma enorme necessidade de aparecer e ser popular. E se essa popularidade não vier, ela pode se sentir frustrada ou mesmo perder a noção do que é íntimo e o que é público”, diz a psicóloga.

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