A culpa não é só da correria do dia a dia: ações dos adultos em momentos que deveriam ser usados para unir a família também podem distanciá-los das crianças e dos adolescentes

Nas relações humanas, quase nada acontece de uma hora para outra. Vínculos afetivos precisam de tempo e de um conjunto de atitudes para amadurecer positivamente e também para se deteriorarem. Assim acontece com o relacionamento entre pais e filhos: por mais que o amor seja, em teoria, incondicional, pequenos e grandes gestos podem criar um abismo de distância na família. O problema é quando esse afastamento só é percebido quando já está grande o suficiente para incomodar uma das partes.

A maior vilã, alega a maioria dos adultos, é a correria do dia a dia. “Aliada aos desafios profissionais de homens e mulheres, ela afasta as pessoas, que passam a se encontrar pouco. É comum os pais chegarem em casa quando as crianças já estão dormindo, por exemplo”, diz a psicopedagoga Ana Clara Bretos Lima.

>> Confira, na galeria abaixo, 15 atitudes dos pais que os afastam dos filhos:

*Fonte: Aline Alves, psicóloga e psicoterapeuta da clínica Macfit; psicopedagoga Ana Clara Bretos Lima e Regina Shudo, coach parental e educacional.

Mas o tal “tempo cada vez mais curto” não é motivo suficiente para evitar a comunicação entre pais e filhos, segundo Aline Alves, psicóloga e psicoterapeuta da clínica Macfit. “É preciso, antes de tudo, vontade de incluir as crianças e os adolescentes na rotina da família. Não é obrigatório ter filhos. É preciso ponderar se haverá tempo, vontade e disponibilidade emocional para criá-los”, afirma. “Isso precisa vir desde a primeira infância. Não adianta querer falar sobre drogas e sexo quando a adolescência se aproxima se não tiver sido construída uma base de diálogo.”

Presenciar discussões entre os pais entristece especialmente as crianças menores
Getty Images
Presenciar discussões entre os pais entristece especialmente as crianças menores

Pela construção de uma estrutura sentimental forte entenda-se aproveitar todo o tempo livre em casa para brincar e conversar com os filhos, organizar passeios e programas em família – idas ao parque, viagens de fim de semana, um piquenique em um dia bonito –, acompanhar a lição de casa. São atitudes que fazem toda a diferença na felicidade familiar.

Sem essa dedicação, os efeitos do distanciamento podem afetar, além da estabilidade psicológica, o desempenho escolar da criança, como explica a coach parental e educacional Regina Shudo: “Dependendo das circunstâncias, os danos provocados podem chegar a uma dispersão, uma falta de atenção nas aulas, o que os pais costumam demorar a perceber em casa. Uma boa relação com a escola, para saber se seu filho está aproveitando bem seu potencial de aprendizado, pode revelar algum problema”.

Leia também:
Dez pesquisas curiosas sobre pais e filhos
8 atitudes para ser um bom pai

Sempre é tempo de reverter o afastamento

Não é do interesse de ninguém manter essa lacuna entre pais e filhos. Ao notar que algo está errado, os adultos podem e devem correr atrás do prejuízo. “É possível reverter o quadro com atenção especial, boa educação. Não é uma questão de recuperar, pois o que passou, passou. É dar a volta por cima”, defende Regina.

“A relação deve ser reavaliada. Por meio do diálogo, todas as diferenças podem ser amenizadas”, complementa Ana Clara. Aline, por fim, aconselha: “Se o afastamento já for muito grande e a reaproximação estiver difícil, principalmente no caso dos adolescentes, vale procurar ajuda profissional, fazer psicoterapia familiar”.

Confira na galeria acima, baseada em dicas das especialistas que falaram à matéria, 15 atitudes dos pais que os afastam dos filhos. E, para manter um vínculo de qualidade com as crianças e os adolescentes, faça de tudo para evitá-las.

Veja ainda:
Ensaios em família registram cotidiano de pais e filhos
Família mosaico ajuda pais e filhos a conviver com diversidade

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.