Índice aponta que praticamente não houve melhora no panorama da violência contra a mulher nos últimos dez anos

Uma em cada dez mulheres brasileiras (10%) já apanhou de um homem pelo menos uma vez na vida. O índice, divulgado nesta quinta (24) pela Fundação Perseu Abramo, aponta que a violência contra a mulher continua no mesmo patamar de dez anos atrás, quando 11% das brasileiras afirmaram já ter apanhado. A queda de um ponto percentual está dentro da margem de erro.

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O quadro se repete no panorama de mulheres que afirmam espontaneamente ter sido vítimas de violência de qualquer tipo – e não apenas física – por parte de “algum homem, conhecido ou desconhecido”. O percentual, que em 2001 era de 19%, hoje é de 18%.

A forma mais comum de violência é algum tipo de controle ou cerceamento (24%) – isso significa, por exemplo, ser impedida de sair de casa -, seguida de alguma violência psíquica ou verbal (23%), ou alguma ameaça ou violência física propriamente dita (24%). Isoladamente, entre as modalidades mais frequentes de violência, as mais freqüentes são “tapas e empurrões” e “xingamentos e ofensas”, com 16% cada.

Fidelidade
Questões “de honra” ainda permeiam de forma importante as relações de violência de gênero. Tanto mulheres agredidas como homens agressores confessos aponta alguma razão de controle de fidelidade como detonador de episódios de violência em seus relacionamentos (46% e 50%, respectivamente). As mulheres agredidas usam como explicação ainda problemas psicológicos dos companheiros (como alcoolismo e desequilíbrio). Aparece com destaque também, citada por 19% das vítimas, a busca de autonomia (19%), não respeitada ou não admitida pelos parceiros – e, consequentemente, motivo de agressão.

Quando as modalidades relacionadas a agressão sexual são excluídas, o parceiro (marido ou namorado) é o principal agressor, responsável por mais 80% dos casos. Mesmo em casos de espancamento, o relacionamento do casal é mantido em 20% das vezes. Nos casos de violência psíquica, o índice chega a 29%, e a 30% nos casos de controle e cerceamento.

A pesquisa ouviu 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos em todo o País.

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