Segundo associação, a procura é maior para plantões de Natal e Ano Novo. Você deixaria um idoso sob os cuidados de outra pessoa?

E você, deixaria um familiar idoso sob cuidados de um desconhecido? Vote na enquete ao final da página
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Milhares de pessoas aproveitam as festas de final de ano para viajar e recarregar as energias para o novo ano que terão pela frente. Para algumas famílias, no entanto, essa decisão envolve muito planejamento e até mesmo frustrações.

“Se um sai, o outro precisa ficar. Quando meu sogro era mais saudável, podíamos reunir a família e ir para a praia. No ano-novo íamos todos. Agora ninguém vai. Queremos passar as festas juntos e precisamos ficar para cuidar do meu sogro. Confesso que é difícil, mas ficamos porque ele é nossa família”, explica a dona de casa Alice Assumpção dos Santos, 61.

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Muita gente que se encontra em situação parecida com a de Alice recorre às empresas especializadas em cuidadores de idosos. Lá elas encontram a opção de contratar alguém que ficará encarregado de todos os cuidados que o idoso exige. A médica veterinária Renata Costa, 28, conta com o auxílio de cuidadores profissionais há seis meses para cuidar de seu avô. Neste fim de ano a família vai viajar e por decisão do próprio avô ele deve ficar. O idoso de 84 anos e seus cuidadores passarão o ano-novo juntos. “Queríamos levá-lo junto conosco, mas ele bateu o pé e não quer ir. As cuidadoras dele são ótimas e temos muita confiança nelas.”

“O mais comum é que os idosos e os cuidadores permaneçam em casa enquanto o restante da família pode ir viajar. Isso acontece porque os idosos acabam, muitas vezes, apresentando dificuldades de locomoção. Mas também existem casos em que o cuidador vai com a família viajar e todos passam as festas juntos”, conta Cláudia Mancini, diretora da Life Angels, empresa especializada em recrutar cuidadores. A procura chega a ser 30% maior no fim do ano, segundo Cláudia.

“As famílias passam o ano improvisando com a ajuda de conhecidos ou revezando entre eles os cuidados com o idoso, mas até mesmo empregados pedem férias no fim do ano”, afirma a diretora da Life Angels. 

O presidente da Associação dos Cuidadores de Idosos de Minas Gerais (ACI-MG), Jorge Roberto Afonso de Souza Silva, explica que o aumento se dá principalmente na contratação de plantonistas para o período que vai da véspera do Natal até o ano-novo.

“A demanda por temporários é maior no fim do ano. É um período de muitos compromissos e a ajuda dos cuidadores se faz bastante necessária.” Jorge faz questão de ressaltar que o cuidador apenas auxilia a família. “A função é de ajudar, dar suporte. O cuidador não deve nem de longe ser visto como uma substituição à família. Quando isso acontece, algo está errado de fato.”

Cláudia Mancini explica que é comum existir um conflito interno em alguns clientes que se sentem culpados por precisar da ajuda de um desconhecido para cuidar do familiar, mas ela argumenta que em alguns casos ter um profissional nessa função pode ser uma maneira de conseguir uma convivência de mais qualidade na família.

É exatamente esse o problema da rotina da pesquisadora e publicitária Beth Castillho, 40. Ela e os pais cuidam da avó há mais de uma década. Faz um ano que a situação ficou mais complicada. “Não podemos deixá-la sozinha nem por um minuto. A relação familiar sofre muito com o desgaste. A qualidade da convivência não é a mesma.”

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Ela conta que nas férias consegue dar um descanso para os pais assumindo os cuidados com a avó para que eles possam viajar. “Sempre alguém tem que ficar. Eu não me importo e acho necessário que meus pais saiam e se distraiam um pouco. Passo o ano-novo com minha avó há nove anos porque quero. Foi uma opção minha”, conta.

Eleger um membro da família para ser o cuidador oficial não é unanimidade. Mesmo com a situação muito bem resolvida e sem peso na consciência, inclusive para conseguir deixar o avô em casa e ir viajar sem preocupações, Renata confessa que passou pela cabeça de seus pais alguém da família cuidar pessoalmente de seu avô. Possibilidade que logo foi descarta por ser inviável financeiramente. “Todos temos que trabalhar ou estudar. O mais importante foi que o meu avô entendeu que era uma necessidade e que seria bom para ele.”

Aos que não entendiam a decisão da família, Renata explicava a situação e as razões que os fizeram decidir pelos cuidadores. “Já sofremos críticas de pessoas dizendo que precisávamos cuidar pessoalmente dele. Mas eu levei numa boa.”
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