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Para não ver animais no lixo, donos procuram crematórios

Por consciência ambiental ou pelo desejo de um fim mais digno para os bichos, crematórios para animais crescem

Ester Jacopetti, especial para o iG | 09/06/2011 08:28

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Foto: Arquivo pessoal

Juliana Padilha e sua cadela Flick, companheira de dez anos

O relacionamento entre um dono e seu animal de estimação não é muito diferente de qualquer outro. Tem aspectos afetivos, claro, mas também práticos. E, às vezes, quando um e outro se misturam, pode ser difícil administrar. Lidar com a morte de um bichinho é um desses casos: além da perda, que geralmente vem acompanhada de sofrimento (e até muito), muita gente se pega sem saber o que deve fazer em casos assim.

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A cadela Flick viveu durante 10 anos ao lado da família Padilha, e era uma daquelas cachorras que são consideradas um membro do clã. Até festa de aniversário ela tinha, com direito a bolo, velinhas e bexigas. Quando Flick morreu, a família decidiu levá-la para ser cremada em um crematório de animais. “Decidimos pela cremação porque não queríamos passar pelo processo do enterro, que achamos que seria ainda mais doloroso. Não houve cerimônia, nem quisemos ter acesso às cinzas dela, também para evitar mais sofrimento”, conta Juliana Padilha, dona da Flick.

Apesar de ainda encontrar resistência de pessoas que se incomodam com a idéia de dar esse tipo de tratamento a animais, a procura pelos estabelecimentos cresce cada vez mais. Luiz Henrique Guimarães Franco, veterinário responsável pelo Pet Memorial, crematório de animais que fica em São Bernardo do Campo (SP) e é o mais antigo da América Latina e maior do mundo, hoje eles realizam 530 cremações por mês. “E esse número tem aumentado todos os anos”, afirma.

O que fazer

Além da cremação, existem outras três possibilidades legais em caso de morte de um animal de estimação. A primeira é entrar em contato com a prefeitura, que em todos os municípios é a responsável por recolher os animais. A segunda é levar o animal para uma clínica veterinária – que é, na verdade, apenas uma versão mais prática da primeira, já que o recolhimento nas clínicas é realizado pela prefeitura. As outras duas são enterro e cremação, ambas condicionadas ao contrato com um estabelecimento autorizado – não é permitido fazer enterros domésticos por causa do risco de contaminação do solo e de lençóis freáticos.

Entre quem acha um absurdo contratar um serviço funeral para um animal de estimação e quem compra até velório e urna de bronze, há um meio-termo que, não raro, acaba se sensibilizando ao descobrir que o destino que o animal recebe ao ser recolhido pela prefeitura é o tratamento de lixo hospitalar. “Fora o cliente que tem esse carinho e quer dar um fim mais digno para o animal, tem o cliente que se preocupa com o cuidado ambiental”, diz Luiz Henrique. Exatamente por isso, os crematórios acabam sendo mais populares que os cemitérios.

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Os serviços são variados. Vão desde a cremação coletiva, sem cerimônia e para quem não quer guardar as cinzas, até a cremação individual com velório e urna ornamentada. Todas incluem a retirada do animal e atendem 24 horas. Os preços podem variar de R$ 318 a R$ 2.500, dependendo do serviço e do estabelecimento. A oferta é grande: carros climatizados para recolher os animais, velórios ornamentados, urnas de bronze, pedra-sabão, madeira reciclável.

Perda

Foto: Arquivo pessoal Ampliar

O cãozinho Bob Marley, que continua sendo lembrado pela família mesmo depois de sua morte

“O relacionamento que muitos de nós estabelecemos com animais de estimação traz uma gratificação emocional. A outra face da moeda é a perda e o luto, que podem ser semelhantes à perda e luto que sentimos quando nos separamos de outras pessoas”, diz o psicólogo experimental da USP César Ades.

Para Ana Carolina Maciel, perder o cachorrinho Bob Marley foi um dos momentos mais difíceis de sua vida. “Mantivemos alguns hábitos, o que para alguns pode ser mórbido, mas é nossa forma de lidar com a saudade e distrair nosso sofrimento. Todos os dias, por exemplo, minha mãe troca a água da tigela, meu pai arruma a caminha dele ao seu lado no quarto e eu e meu irmão damos boa noite, além de conversarmos com sua foto”, diz Ana.

Ades acredita que essa reação pode ser considerada até comum. “Não estranha que as pessoas reajam à perda de um animal de uma maneira semelhante à reação que têm diante da perda de uma pessoa: guardando objetos, fotos, lembrando-se, sentindo falta, etc. A questão de superar, ou não, uma perda afetiva, depende do temperamento das pessoas, de sua história passada: há quem supera e se enriquece afetivamente com a experiência da perda; há quem se sinta preso à tristeza e à falta sem conseguir ir adiante”.

O luto e a necessidade de dar um encerramento ao relacionamento explicam, por exemplo, que donos enviem animais de Brasília até São Paulo para que recebam um funeral. E também comportamentos como o de uma mulher que perdeu o cachorro e resolveu cremá-lo: “Quando ela recebeu a urna, disse que iria guardá-la e queria que fosse enterrada com ela”, conta Luiz Henrique.

E mais:
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96 Comentários |

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  • neuza | 16/06/2011 00:08

    Comprei o título do pet memorial para a minha Jade , mas sempre ia aos domingos levar as minhas 3 para brincar no parque, do lado do lazer.\n´Minha intenção era comprar o título para elas aproveitarem brincarem,já que moro em apto.. Infelizmente precisei usar qdo minha Jade partiu.\nNa hora mais dolorida da minha vida, recebi diversos telefonemas do pet memorial informando que o corpo havia chegado e se eu queria fazer alguma cerimonia, depois a moça me ligoupra dizer que o corpo iria ser cremado e assim por diante..Fiquei muito irritada.\nNaquela hora nao me importava mais nada....eu queria que ela estivesse ali comigo,não o que eles estavam preparando ...o passo a passo.Sem contar que uma vendedora, qdo soube que ela estava doente, me ligava insistentemente pra me oferecer mais um título.....\nDa próxima vez que isso acontecer, levo pra veterinaria e deixo que eles providenciem tudo.\nO proprio Pet memorial tem convenio com a prefeitura. O procedimento será o mesmo.Ninguem vai pegar o saco com seu cachorro e joga´~lo dentro de um caminhão...\nO que eu senti foi mais uma forma de comercio , justamente no pior momento da vida da gente.

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  • MARCIA | 14/06/2011 09:45

    Amo os meus animais nada mais justo que aja um lugarcinho para serem lembrados depois de mortos , porque o amor deles é incondicional maior do que de qualquer ser humano e o dom do perdão tbem, pela que onde eu moro ainda não tenha um crematorio destinados a eles que são muito mais merecedores do que muitos da especie humana

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  • Marcia | 14/06/2011 09:38

    Amo os meus bichos , tenho 02 cães e (06)gatos um papagaio de uns 32 anos , fiquei viuva com 32 porque um ser humano matou meu marido depois de um dia inteiro de serviço para roubar, criei meus dois filhos sozinha tenho uma mães com 78 ano s que cuido, então prefiro cuidar de bichos do que criar cobras para me morder mais tarde, adoro todos os animais e n ão acredito no ser humano as vezes me envergonho de pertencer a essa especie.

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  • Valeria | 13/06/2011 21:14

    Adorei a materia sore os cachorros morro em salvador e gostaria de saber se tem aqui um cemiterio pra caes eu tenho uma cadela que vai fazer 6 anos comigo que por maldade de alguns seres humanos se e que posso chamar de seres humanos envenenaram ela com chumbinho mais gracas a Deus consegui levala ao veterinario e hoje ela estar muito bem,as vezes tem uns mal estar mais a veterinaria disse que e normal depois do que aconteceu ela ficou com o intestino sensivel sofri muito entao so sabe a dor da perda de animal de estimacao quem tem um voces antes de criticar procure tem um animal de estimacao pra poder sentir o amor que eles nos oferecem e alegria que muitos humanos nao consegui fazer alguem sentir.

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  • Osi | 13/06/2011 16:26

    oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

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  • GILMAR BARCELLOS | 13/06/2011 13:05

    quem nunca teve um caozinho no sabe o que e um verdadeiro amor..O GRAO MODELO DE FIDELIDADE QUE OS OUTROS BUSCARAM PELA VIDA EM VAO.ACHEI,NAO NUMA HUMANA RARIDADE.MAS NA FIGURA HUMILDE DO MEU CAO.

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  • josé carlos | 13/06/2011 11:00

    Só quem tem esses animais para poder dimensionar o mútuo amor !!\nTenho 5 pit bull que ficam fechados em minha propriedade. São dóceis e amorosos. Quando partirem, se tiver condições financeiras, com certeza contrato esse serviço !!

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  • Ju | 13/06/2011 09:27

    Para as pessoas que se preocupam tanto com os outros, pq não levam para casa, pagam um salário minímo ou adotam uma criança a cada dia?\nSão todos hipócritas, pq dúvida que fazem algum coisa por isso. Isso é problema do governo, e não das pessoas que tratam bem os animais, cada um cuidando da sua vida!!! Qual o problema em amar um bicho? nenhum, o dinheiro é de cada um, e eles fazem oq bem entendem com o dinheiro, tem gente que gasta com prostituição, droga, cigarro, bebidas e acha que não tem problema!!!\nParem de bancar as pessoas que se importam com a sociedade, 27,5% de IR é o suficiente para abastecer os cofres públicos e o país dividir bem a grana!!!!Leiam a Constituição e percebam que o brasil é um país que tem como objetivo fundamental erradicar a pobreza!\nVamos cuidar da nossa vida!!!! E eu acho lindo essa preocupação, pq meu cachorro morreu ano passado e eu enterrei ele em um lugar digno, um cemitério de animais!!! e vou fazer com os outros tbm!!!

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  • Carlos | 12/06/2011 22:58

    Olá! Me chamo Bart! Sou um cachorro de 5 anos da raça Boxer! Como aprendi a "teclar" e o assunto me diz respeito, acho que também posso dar minha opinião!!! A maioria dos humanos são ignorantes mesmo, só nos usam e depois nos abandonam, principalmente na hora (da morte) que nós mais precisamos deles! Na verdade, são um bando de imbecis, pois usam no máximo 3% da capacidade cerebral (só pra não rasgar R$ e não comer M...) e ainda acham que são grande coisa! Estamos com aqueles que valorizam todas as formas de vida (seja animal, humana ou vegetal...), que sabem amar e ser amados incondicionalmente, sem esperar nada em troca!!! E viva a cachorada !!! Abraço a todos os humanos que nos honram e nos entendem!!! Bart, com amor!!!

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  • H.Pires | 12/06/2011 19:35

    Essa foto da cadelinha Flick, é uma das fotos mais lindas que já vi na vida. Ali esta espressado todo o sentimento de sua dona para com ela. Maravilhosa também do Bob Marlei. Lamentavelmente, eles(as) se "vão", tanto quanto nós. Infelizmente. A dor dessas perdas é muito grande. No entanto, reportagens como esta são, para todos os efeitos, extraordinárias. Indicam o RESPEITO PROFUNDO que devemos ter com esses SERES ESPECIAIS. Temos que acolhe-los e respeita-los. PARABÉNS POR ESTA MATERIA E PELAS FOTOS.

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