Cresce a procura por cursos que ensinam a trabalhar a madeira para relaxar a mente e fazer seus próprios móveis

Uma crise de depressão fez o engenheiro Celso Yamamoto, de 58 anos, enxergar que era preciso dar um novo rumo à vida. Depois de trabalhar por muitos anos no Metrô de São Paulo, o profissional decidiu pedir demissão e abrir a escola Madeira Viva, situada na zona sul da cidade. Apaixonado pela versatilidade do material, optou por dar aulas de marcenaria, que ele mesmo define como “hobby-terapia”.

Hoje, 14 anos depois, o local atrai alunos de diferentes idades e interesses. “É um público muito variado, que tem em comum a vontade de tocar projetos próprios e relaxar”, afirma. Foi assim que Priscila Santos, de 30 anos, chegou até a escola. Ela desejava descansar a mente ao mesmo tempo em que colocava uma de suas atividades preferidas em prática: restaurar móveis . Matriculada há cinco anos, a aluna esquece do mundo quando está manuseando a madeira . E já deu vida a diferentes projetos, como cadeiras, mesas e estantes. “É revigorante. Deixo totalmente o estresse de lado”, comenta.

Celso diz que os cursos livres de marcenaria têm sido bastante procurados por pessoas que desejam incorporar uma atividade prazerosa à rotina. “Meus alunos não trabalham necessariamente nesse universo. A maioria vem por gostar do tema e encarar a madeira como um hobby”, comenta. Os encontros ministrados por ele abordam o processo como um todo, desde o desenho às técnicas de produção – o aluno aprende conceitos ligados à organização, planejamento, limpeza e segurança.

Celso Yamamoto criou uma escola voltada ao manuseio da madeira como hobby
Edu Cesar
Celso Yamamoto criou uma escola voltada ao manuseio da madeira como hobby

Com Nara Hirota Tunkus, de 19 anos, o desejo era o mesmo: dar vida a diferentes ideias e, claro, deixar os problemas de lado. Ela sempre observou os irmãos brincando com o material, mas nunca pôde fazer o mesmo. “Só ficava dando umas marteladas, pois era a mais nova e todos achavam perigoso”, lembra. Em maio deste ano conheceu o curso e logo fez a matrícula. “ Mexer com madeira conforta, é uma terapia mesmo”, ressalta. O lixamento manual, segundo ela, é um dos momentos mais reflexivos das aulas. “Enquanto faço os movimentos, que são mecânicos, desligo de tudo. Começo a pensar na vida e vou longe”, diz a aluna.

Criações próprias
Sem qualquer divulgação na internet, o designer Rodrigo Silveira viu seu curso de marcenaria ganhar fila de espera. “Comecei dando aula para um amigo e a história foi crescendo”, diz. Segundo ele, esse interesse em ascensão se deve em grande parte à busca por qualidade de vida. “As pessoas querem fazer trabalhos manuais para descansar e criar algo que realmente desejam. Por mais que mexer com madeira seja pesado, deixa a cabeça mais leve”, explica.

Com duração de três horas e turmas de no máximo quatro pessoas, os encontros são voltados à realização de projetos individuais. Funciona assim: o aluno chega com a peça que deseja fazer e o designer o orienta nesse processo. “Já fizemos desde mobiliário em geral a pranchas de surfe. É só apresentar a ideia, depois discutimos a viabilidade, ensino a comprar a madeira e ele já começa a colocar a mão na massa”, comenta.

A melhor parte do curso, na opinião dele, é quando os trabalhos começam a ficar prontos. “É muito legal ver as pessoas levando as criações para casa”, comemora Rodrigo, que diz que o perfil dos alunos é bem variado. Em sua sala de aula, por exemplo, passaram arquitetos, designers, profissionais liberais em geral e estudantes, entre outros.

Para Celso, não há limites nem restrições para mergulhar no universo da marcenaria. Ele já ensinou dentistas, médicos, aposentados e donas de casa com idades variadas – em sua escola, 30% dos alunos são mulheres. “Costumo dizer que dos 18 aos 200 anos é possível fazer o curso”, brinca.

A inscrição, porém, deve ser realizada apenas depois de avaliar dois quesitos importantes: se o interesse por madeira é realmente algo legítimo e se há uma identificação com a escola escolhida. “Tente conhecer previamente o ambiente, os colegas, a dinâmica e a filosofia. Se gostar de tudo, não tenha dúvidas: entre nesse universo tão incrível e relaxante”, recomenda.

Onde estudar:

Ateliê da Madeira
R. Tonelero, 354 - Lapa - São Paulo (SP)
Tel: (11) 3872 0334

O curso básico é bastante indicado para relaxar. O aluno irá desenvolver três projetos: um banco, uma mesa e um pequeno armário (a escola cobra de R$ 50 a R$ 220 pelos materiais para cada peça e o aluno pode levá-las para casa). Semanais, as aulas têm duração de 3 horas.

Preço: R$ 438 por mês (inclui uma apostila com o material teórico do curso)


Confraria da Madeira
Av. Maranhão, 402 - Porto Alegre (RS)
Tel: (51) 3279-3644

A escola oferece curso 100% prático, no qual os alunos poderão desenvolver seus projetos pessoais. O aprendizado acontece de modo gradual, ou seja, o estudante começa por peças mais simples e caminha até opções mais elaboradas – sempre com a orientação de mestres-marceneiros experientes.

Preço:  4 x R$ 399 (módulo básico, individual). Inclui material.


Cose di Legno
R. Antônio Bicudo, 22 / 30 - Pinheiros - São Paulo (SP)
Tel: (11) 3082-2387

Uma das escolas mais tradicionais de São Paulo, oferece curso em todos os períodos do dia. O aluno encontra aulas de restauração, confecção de móveis e desenvolvimento de objetos em geral. É possível escolher a carga horária mais adequada – os encontros têm duas horas de duração.

Preço: R$ 1.550 por três meses (uma vez por semana) e R$ 2.880 por três meses (duas vezes por semana). O material não está incluso.


LabMob
R. Anhanguera, 74 - Barra Funda - São Paulo (SP)
Tel: (11) 2628-8678

O aluno irá encontrar cursos completos, que ensinam desde o planejamento à concepção do projeto. O aprendizado acontece a partir de aulas práticas e teóricas, que abordam conceitos de utilidade, praticidade, versatilidade, ergonomia, fácil produção e reprodução.

Preço: R$ 1.620 (por três meses) ou 3 x de 540. Não inclui material


Madeira Viva
Av. Eng. George Corbisier, 943 – Jabaquara - São Paulo (SP)

Escola voltada ao manuseio da madeira como hobby. Os alunos apresentam e desenvolvem projetos individuais, que são orientados por Celso Yamamoto. As criações vão desde esculturas e móveis de diferentes estilos e tamanhos.

Preço: R$ 540 por mês (aulas semanais de 2h30 de duração).


Rodrigo Silveira
R. Boracea, 160 - Barra Funda – São Paulo (SP)
Tel: (11) 98277-7722

O designer decidiu abrir as portas do seu ateliê para o curo de marcenaria, que acontece uma vez por semana. Cada aluno procura o profissional com um projeto em mente, que ele orienta e supervisiona.

Preço: R$ 600 por mês (não inclui material)

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