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Casa
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Acessibilidade dentro de casa

Saiba como adaptar uma residência aos usuários de cadeiras de rodas com segurança, conforto e liberdade

Lívia Alves, iG São Paulo |

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Rampa de acesso, piso com superfície regular e espaço de circulação são essenciais
Nada melhor do que chegar em casa e poder desfrutar de conforto e liberdade. A habitação é um ambiente particular, onde cada um impõe suas necessidades e busca sua identidade. Esse é um direito de todos, inclusive daqueles que vivem em cadeiras de rodas.

Segundo estatísticas do IBGE, no Brasil, existem mais de 9.300 cadeirantes e, mesmo assim, ainda é muito difícil encontrar lugares adaptados ou próprios para essas pessoas. “Passei cinco anos procurando um lugar para morar que tivesse o mínimo de acessibilidade, com rampas e um bom espaço externo”, diz a vereadora de São Paulo Mara Gabrilli, que ficou tetraplégica após um acidente de carro, em 1994.

Tornar a residência acessível é dar possibilidade e condição de acesso, circulação, aproximação e alcance a um usuário de cadeira de rodas. De acordo com a doutora em arquitetura inclusiva e diretora-presidente do Instituto Brasil Acessível, Sandra Perito, é a junção desses elementos que torna a residência um lugar seguro, confortável e apto a um cadeirante.

Facilite o acesso

Oferecer condição de acesso é eliminar qualquer desnível que possa existir no decorrer no percurso. “Todo piso deve ter superfície regular, firme, estável, antiderrapante e que não provoque trepidações”, afirma a arquiteta Karla Cunha. Além disso, é importante que os capachos sejam embutidos no piso e os tapetes ou forrações tenham suas bordas firmemente fixadas. Caso contrário, simplesmente elimine esses objetos.

Libere a circulação

Outra condição muito importante ao cadeirante é a circulação. “A idéia principal de adaptar um lugar é dar total independência ao morador deste local, dar espaço suficiente para que ele consiga se movimentar o máximo possível, diz Sandra.

No caso dos usuários de cadeiras de rodas, uma das recomendações mais importante dentro de um lar é que ele tenha uma área de giro de 360º para se mover com total liberdade e autonomia. “Gosto de ser livre, de me movimentar. A pior coisa é ter que chegar em casa, depois de um dia inteiro de trabalho e ficar fazendo manobras para entrar nos lugares”, afirma Mara.

Segundo a arquiteta especializada em acessibilidade, Thais Frota não é necessário um lugar imenso para que o cadeirante tenha liberdade e sim, que o espaço, seja bem projetado com todas as devidas recomendações.

Aumente os espaços

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Bancos fixos e barras de sustentação no boxe dão maior segurança ao cadeirante
“As portas precisam ter no mínimo 80 cm de vão livre, os corredores, 1,20 m de comprimento e, no caso de prédios, os elevadores têm que medir 80 cm de largura x 1,20 m de comprimento”, explica Thais. Além disso, recomenda-se colocar bancos fixos e barras de sustentação dentro dos boxes do banheiro para facilitar o banho dos cadeirantes.

As barras de sustentação, que também são colocadas ao lado do vaso sanitário devem ter 70 cm de comprimento e precisam estar a 75 cm do chão. “No boxe é correto colocar duas barras de apoio, uma na vertical e outra na horizontal e no vaso sanitário uma de cada lado”, afirma Thais.

Apesar de serem medidas maiores que o normal, como no caso das portas, corredores e elevadores, a vereadora Mara Gabrilli garante que existem alternativas que equilibram esse espaço e não atrapalham os usuários de cadeiras de rodas, como utilizar portas de correr e tirar as paredes da residência. “Meu quarto e banheiro são unidos. Isso facilitou muito o deslocamento e trouxe conforto”, relata Mara.

Garanta a aproximação

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Para melhor aproximação é necessário tirar os gabinetes das pias da cozinha e banheiro
A aproximação é a terceira condição para que o cadeirante sinta-se a vontade em sua própria residência. “O mais importante é retirar todos os gabinetes e colunas sob os lavatórios, pois o usuário de cadeira de rodas precisa do espaço inferior livre para que a cadeira e suas pernas possam se adequar ao ambiente”, afirma Thais.

O portador da cadeira de rodas necessita poder alcançar peças e objetos para realizar todas as suas atividades. Neste caso é preciso prestar atenção quanto à altura e distância de torneiras, janelas, espelhos, mesas e interruptores.

Segundo Sandra Perito, para maior conforto do cadeirante é recomendado colocar as torneiras ao lado da pia. Além disso, as janelas têm que ser baixas (80 cm) para facilitar a visualização de fora e os interruptores adaptados ao alcance de todos, sejam cadeirantes ou não. Nos espelhos recomenda-se uma inclinação de 10º para frente.

Conforto individual

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As torneiras devem ser fixadas ao lado da pia para facilitar o alcance
Apesar de todas essas recomendações em medidas, quando se fala em residências particulares adaptadas não existe um tamanho padrão e sim medidas individuais. “Estamos sempre nos baseando na norma da ABNT NBR 9050 (Associação Brasileira de Normas Técnicas), de 2004, mas quando adaptamos residências particulares, o importante é verificar a necessidade e medidas específicas de cada pessoa”, afirma Thais.

“No início, uma das coisas que eu menos gostava era tomar banho sentada no banco dentro do chuveiro. Depois que eu descobri a banheira, minha vida mudou. Com o tempo, dentro do novo lar, a pessoa descobre suas necessidades e procura adaptá-las”, diz Mara.

Mesmo assim, segundo Karla, nas áreas comuns, como entradas de prédios, jardins e áreas de lazer, essas adaptações padrões são obrigatórias e devem ser cobradas por todos, principalmente pelo responsável do condomínio ou prédio.

Acessibilidade também nas áreas comuns

“Aqui no prédio, nós modificamos a calçada da frente e colocamos um elevador para acessar a piscina interna, pois antes só tinha escadas”, diz Lucas Alvarez, arquiteto e síndico do prédio da vereadora Mara Gabrilli.

Sob sua orientação também foi instalado piso antiderrapante sem desníveis na calçada da frente e na área de circulação interna do edifício. “Temos que transformar a realidade para que se tenha mais opções de moradias para usuários de cadeiras de rodas no Brasil”, finaliza.

 

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