
A sala é um ambiente que abarca vários usos. A quantidade de luz adequada é uma das mais subjetivas. O conforto, no que se refere à luz, principalmente nesse cômodo de atividades do convívio familiar e social, não consegue ser regido por normas. Ele será fruto da sensibilidade do projeto luminotécnico. Esse dará o tom do local.
Jogo de luzes perfeito no projeto do arquiteto Hugh Jacobsen, fotografado por Robert C. Lautman
Para o início do projeto de iluminação (não só no caso da sala, mas para todos os ambientes) devemos observar os seguintes elementos:
- a disposição do mobiliário
- a cor das paredes, do piso e do teto
- o pé direito (altura do piso ao teto)
- a existência de forro e o espaço que existe entre este e a laje
A composição básica da sala são sofás e poltronas em volta de uma mesa central. Mesinhas laterais aos sofás, uma estante ou aparador, e alguns objetos ou quadros complementam esse espaço.
A iluminação deve destacar os caminhos e as paredes em volta do mobiliário de sentar. Os quadros e estante podem ser iluminados com luminárias orientáveis que, embutidas no teto, jogam luz para as paredes, ou do tipo “wall washer” (que banha a parede homogeneamente). Esse efeito é conseguido pelo refletor e não pelo movimento da lâmpada.
Diálogo com o ambiente
É importante que as luminárias se relacionem com os objetos e com a arquitetura. Por exemplo: se a estante for divida em duas partes, utilize duas luminárias pequenas no eixo de cada uma dessas partes. O eixo da porta serve de partida para iluminação do corredor e assim por diante.
Essas soluções exigem forro. O mais neutro é o de gesso, pintado de branco.
Com o forro poderemos distribuir livremente e de maneira uniforme as luminárias. O espaçamento entre elas depende de sua especificação e da lâmpada usada. As lâmpadas têm ângulos de aberturas diferentes, dando a possibilidade de concentrar um foco ou difundir a luz.
A altura entre forro e laje é importante para a escolha da luminária. O pé direito é fundamental para a escolha do tipo de lâmpada. As cores das paredes, piso e teto interferem na quantidade de luz que jogamos no ambiente. Se forem escuros, absorvem, e pedem mais luz. Se forem claros, refletem, e pedem menos luz.
Jogo equilibrado
O fotógrafo Robert C. Lautman conseguiu captar a importância da luz no projeto de Hugh Jacobsen
Luminária com a lâmpada muito exposta pode ofuscar. Quando esta fica recuada ou é fechada com vidro, minimiza esse efeito. Existe um tipo de lâmpada halógena que tem seu próprio antiofuscante.
Um ponto de luz acima da mesa de centro mostra os objetos que estiverem em cima dela. Abajures nas mesas laterais ajudam a completar a cena.
Quando aplicamos esse conceito de iluminação com várias luminárias distribuídas num mesmo espaço, o acendimento de todas elas é feito em situações de festa, no encontro de várias pessoas. No dia a dia, isso não é necessário. Os comandos de luz devem ser separados em grupos, possibilitando uma composição de lâmpadas acesas e outras apagadas. O princípio de economia deve ser mantido.
Um recurso muito útil é o dimmer, dispositivo que regula a intensidade da luz produzida por uma lâmpada. Assim, com uma mesma lâmpada você pode graduar da potência máxima para outras menos intensas.
Soluções sem forro
No caso apresentado, estamos falando apenas de iluminação utilizando forro de gesso e com luminárias com luz direta (joga luz para baixo).
Mas as possibilidades são muitas. Quando há ausência de forro, em geral, existe um ou no máximo dois pontos de luz na laje. Essa situação não permite pontuar a luz onde queremos e restringe a escolha da luminária.
Um bom recurso é usar a iluminação indireta, que joga luz para cima e transforma o teto em um grande refletor (melhor se for branco). Pequenas luminárias podem ser embutidas na estante, e o nosso grande amigo abajur mais uma vez completará a cena. Sendo que, nesse caso, ele pode ser de piso e estar posicionado em algum local estratégico.
Mirna Zambrana - jbianchi@ig.com - Mirna Zambrana é formada em arquitetura e urbanismo pelo Mackenzie. Sócia de Aurélio Martinez Flores, tem vasta experiência em projetos residenciais e comerciais