Livro revela detalhes das gravações e curiosidades sobre filmes eróticos


María Elvira Díaz-Benítez" /
Divulgação
"Nas Redes do Sexo", Editora Zahar
María Elvira Díaz-Benítez
Apreciadores de filmes pornô e curiosos sobre a arte erótica encontram nas prateleiras das lojas o novo livro “Nas Redes do Sexo, os bastidores do pornô brasileiro” (Editora Zahar). Em 240 páginas, a antropóloga colombiana María Elvira Díaz-Benítez revela ao leitor os detalhes das produções picantes. Para realizar o trabalho, a pesquisadora presenciou filmagens e trocou experiências com atores, diretores e recrutadores de elenco de produtoras paulistanas.

Os capítulos do livro recebem nomes que fazem referência ao ato sexual. O primeiro deles, “Preliminares”, expõe o início da produção pornô e as dificuldades na renovação de atrizes – talvez pela informalidade no recrutamento. O convite para atuar nas tramas eróticas costuma ser feito informalmente, e a maior parte dos atores recebem a proposta na mesa de um bar ou em festas.

No capítulo “A transa”, a autora trata de partes curiosas das cenas, como o preparo para o sexo performático, que pode ser entre homens e mulheres ou pessoas do mesmo sexo.

Em seu "diário de campo", a antropóloga compartilha os sussurros iniciais do jogo de sedução, passando pelo abrir do zíper e detalhes do sexo oral praticado diante dos seus olhos. Ainda nesse capítulo, María Elvira aborda uma das questões mais polêmicas do pornô brasileiro: o uso [ou não] de camisinha durante as filmagens. Segundo informações, o Brasil é um dos poucos países que utiliza preservativo nos sets , o que dificultaria a exportação de produções nacionais.

“Consumação” fala dos momentos finais das produções e da parte prática do negócio. Os pagamentos são realizados normalmente em dinheiro – assim prefere a maioria dos atores. Editores se empenham em cuidar de uma sequência estimulante de cenas, e, por fim, os distribuidores cuidam do acesso ao público.

Curiosidades dos bastidores e gravações

Namoro: Muitos relacionamentos amorosos surgem nos bastidores das gravações; o fato do casal desenvolver o mesmo trabalho facilita a administração de sentimentos conflitantes, como ciúmes.

Ejaculação: Segundo o americano e produtor pornô Stephen Ziplow, a ejaculação é uma das partes mais apreciadas pelo público. O ato é tão valorizado que, no Brasil, há filmes com cenas exclusivas só de masturbação masculina.

Gay: Muitos atores pornôs têm facilidade para manter relações sexuais com outros homens durante as gravações, mas afirmam que não são gays.

Profissão: “Você não se faz ator pornô, você nasce.” Assim começa a resposta de um profissional ao ser questionado sobre o seu ofício. Ele diz que já sabia que trabalharia com pornografia desde a descoberta da sexualidade.

Carreira: A carreira de ator pornô dura de seis meses a um ano, conforme as pesquisas da antropóloga. Há casos, inclusive, em que atores participam apenas de uma cena, somente por curiosidade.

Oscar do pornô: Apesar de poucos atores ultrapassarem um ano de carreira, é no evento AVN Awards Show – o Oscar do pornô – que eles têm a possibilidade de receber um prêmio pelo desempenho sexual.

Ereção prolongada: Para a rotina de gravações, atores podem receber induções químicas para o prolongamento da ereção – o que possibilita atuações performáticas.

Corpos perfeitos: Um diretor admite que, em algumas situações, um tipo de filtro é utilizado nas lentes das câmeras, o que minimiza possíveis imperfeições nos corpos dos atores em cena.

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