Apenas 9% das entrevistadas optam por métodos de longa ação, como DIU hormonal e de cobre
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Apenas 9% das entrevistadas optam por métodos de longa ação, como DIU hormonal e de cobre

Desinformação, insegurança e tabus. Essas palavras, que são frequentes entre
mulheres que estão prestes a iniciar a vida sexual, são comprovadas por dados que mostram que, aos 18 anos, 68% já haviam tido a primeira relação. Dessa
porcentagem, pelo menos 66% nunca havia ido ao ginecologista, e a maioria explica que não sabia que era necessário (29%) ou que não se sentia à vontade (27%); conforme uma pesquisa feita pela Bayer em parceria com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), realizada pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria).

Esses números, apesar de falarem de uma realidade comum, também nos colocam de frente com uma questão de saúde pública. Visitas regulares ao ginecologista, contracepção e saúde reprodutiva estão diretamente conectadas a algo muito importante, mas que é por vezes esquecido: a liberdade de escolha da mulher sobre engravidar ou não.

E esse debate é relativamente recente. As primeiras menções ao que chamamos de saúde feminina aconteceram somente em 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Quase 40 anos depois, na Conferência Mundial sobre a Mulher, falou-se pela primeira vez em direito reprodutivo. Mais à frente, em 1995, a Declaração de Beijing estabelecia “os direitos humanos das mulheres incluem ter controle sobre as questões relativas à sua sexualidade, inclusive sua saúde sexual e reprodutiva, e a decidir livremente a respeito dessas questões, livres de coerção, discriminação e
violência”.

Embora importantes, esses marcos mostram o quanto esse tema ainda pode ser considerado novo e precisa ser discutido em mais profundidade. Não à toa, a pesquisa da Bayer nos mostra que 10% das entrevistadas nunca foram ensinadas sobre contracepção. Contracepção é, inclusive, o que norteia a escolha de engravidar ou não.


Dentre os métodos contraceptivos, os mais usados são pílula (31%), camisinha (20%) e laqueadura (10%). Apenas 9% das entrevistadas optam por métodos de longa ação, como DIU hormonal e de cobre. Da mesma forma, pelo menos 10% delas não fazem uso de nenhum método contraceptivo porque tem receio das opções disponíveis, seja por mudanças no corpo ou possíveis complicações, como trombose.

Os tabus que envolvem a liberdade de escolha afetam a percepção e o conhecimento das mulheres sobre métodos contraceptivos, já que não é raro ouvir mitos acerca deles. Por isso, é fundamental continuar o movimento de buscar cada vez mais fontes seguras de informação, além de conhecer o próprio corpo para saber quais as opções são as mais apropriadas. Um caminho para isso é o profissional de saúde, que pode indicar as melhores soluções. Mas, atenção: a família e o círculo de convivência também são partes necessárias nesse processo no que diz respeito ao apoio e abertura ao diálogo.

A segurança deve vir em primeiro lugar e dados comprovam: métodos de longa ação são conhecidos por serem seguros, por prevenirem gestações não planejadas e pela autonomia. De fato, esses métodos têm alta eficácia e poucas contraindicações, além de serem práticos e não precisarem de doses diárias. Outro ponto positivo é que, caso a paciente deseje engravidar, o processo de retirada é simples e em pouco tempo o corpo já está pronto para receber uma gestação. Para quem opta pelo uso, pode se tranquilizar ao saber que o procedimento não é invasivo e é indolor.

Com isso, o uso de métodos de longa ação tem crescido. No mundo, cerca de 14% das mulheres usam DIU 4 , mas a América Latina é a região que mais apresenta barreiras para o uso desses dispositivos.

No Brasil, embora em crescimento e disponível nos sistemas de saúde, números do SUS 4 apontam que apenas 5% das mulheres aderiram ao uso. Nesse cenário, é importante destacar que, hoje, usuárias de planos de saúde já possuem acesso aos DIUs de forma totalmente gratuita. Mas por que ainda há resistência em fazer adesão a métodos de longa ação? A maior
parte das entrevistadas alega falta de acesso (26%) e de informação. Com isso,
números revelam que um quarto (25%) das mulheres teve uma gravidez não
planejada entre os 22 e 25 anos e que, como motivo, elas apontam a falta de algum método contraceptivo.

Uma gravidez não planejada impacta, sobretudo, a vida das mulheres no aspecto social, psicológico e econômico. Ao pensar nas classes sociais menos favorecidas, o problema financeiro aumenta e pode perpetuar um ciclo de pobreza. Por isso, é fundamental que que cada vez mais todos, homens inclusos, falemos sobre contracepção, e que as mulheres rompam o silêncio e passem a ter acesso a conteúdo relevante, possibilitando que elas tenham liberdade em escolher o futuro que desejam.

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