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Todas podem tomar pílulas? Como atuam os adesivos anticoncepcionais no corpo? O que é um diafragma? Saiba como funcionam alguns dos métodos contraceptivos mais comuns e conheça os prós e contras de cada um deles

De remédios que interferem no ciclo menstrual até dispositivos que ficam no útero por até dez anos, a gama de métodos contraceptivos é bastante extensa. De acordo com a ginecologista e terapeuta sexual Mariana Maldonado, definir o melhor deles para as mulheres depende das características do organismo, da rotina e dos hábitos de cada uma delas. Conheça as opções, os prós e contras  de cada uma delas e saiba como devem ser utilizadas.

Métodos contraceptivos têm diversos princípios ativos e a escolha deve levar em conta as particularidades de cada mulher
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Métodos contraceptivos têm diversos princípios ativos e a escolha deve levar em conta as particularidades de cada mulher


Métodos hormonais

Todos os métodos contraceptivos que fazem uso de hormônio funcionam como inibidores da ovulação para que a fecundação não seja possível. Segundo a ginecologista, além de prevenirem a gravidez, as opções hormonais ainda trazem outros benefícios para mulheres que as utilizam. “Eles podem melhorar bastante a pele, diminuir a oleosidade e a acne e tratam a TPM, principalmente oscilações de humor e cólicas”, afirma ela.

Pílula anticoncepcional

Mariana explica que a pílula é um método contraceptivo ministrado de forma contínua e, portanto, requer ingestão diária dos comprimidos. A cartela, que pode conter de 21 a 28 comprimidos, deve ser iniciada no primeiro dia do ciclo menstrual no horário que for conveniente para a mulher. Em caso de esquecimento, é importante consultar a bula do remédio para seguir as orientações corretas.

Quando usadas corretamente, as pílulas anticoncepcionais previnem a gravidez em mais de 99% das vezes, mas o uso do remédio pode vir acompanhado de alguns efeitos colaterais. De acordo com Mariana, a mulher que optar pela pílula pode sentir enjoos e dores de cabeça, além de ter sangramentos (escapes durante o mês) e inchaço em razão da retenção de líquido.

A ginecologista ressalta que, apesar dos efeitos colaterais que a pílula pode trazer, o método é bastante seguro e o uso depende apenas de uma avaliação médica feita da forma correta. “Pílula não é água com farinha. A mulher que quer usar anticoncepcional hormonal não pode, por exemplo, ser fumante (nem ocasional) porque isso aumenta o risco de infarto e doenças cardiovasculares. Acima dos 35 anos e fumante então, é proibido”, explica.

Sobre o risco de trombose associado à pílula, tópico constantemente alardeado pela internet, Mariana comenta que ele sempre vai existir, mas que, por exemplo, uma mulher saudável e grávida tem oito vezes mais chances de desenvolver a doença do que apenas usando pílulas. Ela reafirma que, se cuidadosamente avaliada, a paciente não corre riscos.

Anel vaginal

O anel vaginal pode ser inserido pela própria mulher e fica no interior da vagina durante 21 dias
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O anel vaginal pode ser inserido pela própria mulher e fica no interior da vagina durante 21 dias

Mariana explica que o anel é uma peça maleável, de formato arredondado e feita de poliuretano, que é introduzida na vagina como se fosse um absorvente interno.

Ele funciona liberando hormônios que, como os presentes na pílula, inibem a ovulação; pequenas doses da substância são liberadas diariamente e absorvidas pela parede da vagina.

O dispositivo é criado para funcionar durante 21 dias sem que seja preciso retirá-lo, mas, em caso de desconforto ou expulsão, pode ficar até três horas fora do corpo, ser higienizado e recolocado pela própria mulher sem problemas.

Injeção

As injeções, explica Mariana, podem ser mensais ou trimestrais. “Após a aplicação, a substância fica armazenada na musculatura e vai sendo absorvida pelo corpo um pouco por dia”, afirma a ginecologista. A médica alerta ainda que, no caso de injeções ministradas trimestralmente, não há o mesmo efeito positivo para a pele da mulher.

Adesivo

Assim como ocorre com o anel vaginal, o hormônio do adesivo é absorvido pela pele em pequenas quantidades diariamente durante uma semana. Após a aplicação (que deve ser feita no primeiro dia da menstruação), ele deve ser trocado semanalmente e uma pausa deve ser feita após a terceira semana, para que a menstruação desça.

Pílula do dia seguinte

Segundo Mariana, o medicamento age à base de progesterona, pode vir em uma ou duas doses e funciona atacando ou inibindo a ovulação daquele mês específico. O método  é indicado exclusivamente para situações emergenciais, como falha no preservativo ou violência sexual.

A ginecologista explica que as chances de o remédio funcionar dependem do intervalo de tempo entre a relação sexual e a ingestão. É ideal que a mulher tome a pílula do dia seguinte 24h após o “acidente”, mas o medicamento pode ser ministrado em um prazo de até cinco dias (o que diminui a eficácia).

Apesar de funcionar em 90% dos casos (quando usada corretamente), Mariana alerta contra o uso indiscriminado. “É um reforço. Se a mulher usa a pílula do dia seguinte frequentemente, ela desregula completamente o ciclo e ele se perde. Costumo dizer que é melhor tomar do que rezar, mas o ideal mesmo é utilizar um método regular”, enfatiza Mariana. Não é indicado que a mulher use este método mais de quatro vezes ao ano.

Métodos de barreira

Enquanto os métodos contraceptivos hormonais interferem diretamente no ciclo menstrual, os de barreira funcionam localmente e, segundo Mariana, têm sido cada vez mais procurados atualmente por mulheres que não se adaptam com o uso de hormônios. Veja quais são as opções:

Camisinha

Uma das formas mais populares de proteção contra a gravidez, os preservativos descartáveis (tanto o masculino com o feminino) são a única forma de prevenir tanto a fecundação quanto as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). De acordo com a ginecologista, quando bem colocada, a camisinha cria um “vácuo” e impede o vazamento de sêmen, mantendo-o armazenado na ponta do preservativo.

Seu uso, porém, requer cuidados. Mariana lembra que utilizar o preservativo quando a mulher está muito ressecada, combinar a masculina com a feminina (ou usar duas masculinas ao mesmo tempo) ou expô-las a produtos que não sejam feitos à base de água (como óleos e cremes) são fatores que podem fazer com que a camisinha se rompa.

Diafragma

Reprodução/YouTube
"Esquecido" por alguns anos, o diafragma voltou a ser uma escolha por não fazer uso de hormônios

A médica explica que, apesar de ser um método bastante antigo, o diafragma tem voltado a ser cogitado como escolha por não ter ação baseada em hormônios . Segundo ela, o dispositivo é feito de silicone, lembra um capuz e deve ser encaixado no fundo da vagina pela própria mulher, assim como os coletores menstruais.

Ele também pode ser utilizado junto com a camisinha sem problemas e não corre o risco de sair do lugar durante a transa por criar um vácuo na região.

O método, porém, traz alguns inconvenientes. “Ele precisa ser colocado na hora do ato sexual ou minutos antes. Ela não pode, por exemplo, sair para jantar e ficar horas com ele”, esclarece Mariana.

Outro “problema” do diafragma é o fato de que ele só pode ser retirado da vagina seis horas após a relação sexual, para que todos os espermatozoides já tenham morrido.

Além da peça em si, a ginecologista enfatiza que a mulher também deve utilizar um gel espermicida para aumentar a eficácia. Apesar de ser fácil de encontrar na internet ou até em farmácias, é necessário que a mulher se consulte com um ginecologista para saber qual é o tamanho adequado do diafragma para ela antes de comprar.

DIU/SIU

Apesar de agirem contra a fecundação de forma química, o DIU e o SIU não são considerados métodos hormonais
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Apesar de agirem contra a fecundação de forma química, o DIU e o SIU não são considerados métodos hormonais

Mariana explica que os dispositivos e sistemas intrauterinos são métodos contraceptivos de ação local que impedem a fecundação, tornando o ambiente hostil para espermatozoides. Ambos agem durante anos e devem ser colocados por médicos após uma avaliação para definir se a mulher pode ou não usá-los, já que eles não são indicados, por exemplo, para úteros muito pequenos. Mulheres que escolherem este tipo de método anticoncepcional têm duas opções:

Mirena

Em formato de “T”, o objeto feito de plástico bastante flexível fica dentro do útero. Mariana explica que o hormônio contido nele promove alterações no ambiente, impedindo que os espermatozoides sobrevivam. Além de diminuir as cólicas e o sangramento menstrual, a mulher pode ficar com ele por até cinco anos (monitorando ocasionalmente para ter certeza de que ele não saiu do lugar).

DIU de cobre

A ginecologista explica que a principal diferença entre o DIU de cobre e o Mirena é o fato do primeiro não proporcionar absolutamente nenhuma interferência hormonal; o que impede a fecundação, neste caso, é a ação espermicida do próprio cobre. Este, porém, pode trazer alguns efeitos indesejados. “Algumas pessoas podem ter pequenas reações alérgicas ao cobre, apesar de isso ser muito raro. Ele também pode aumentar muito as cólicas”, afirma Mariana, reforçando a necessidade de avaliação médica antes do uso.

A escolha é da mulher

De acordo com a médica, é normal que a mulher não se adapte com algum destes métodos, e que cada caso é um caso. Ela explica que tudo depende da necessidade, do estilo de vida e do organismo da paciente. “Se ela for esquecida, é melhor não tomar pílula e optar por algum método que dure mais tempo, por exemplo”, explica ela.

Mariana enfatiza que o melhor a ser feito antes de optar por qualquer um dos métodos contraceptivos citados é conversar com um profissional confiável e explicar o que exatamente se está buscando (uma pele mais limpa, fim da TPM, tratamento de ovários policísticos, apenas prevenção de gravidez, etc). “Cada vez mais é importante que a mulher seja um pouco mais exigente, questione, pergunte, se informe”, enfatiza a médica.

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