De acordo com um  estudo publicado pelo periódico American Journal of Obstetrics and Gynecology no fim de setembro,  gestantes acometidas gravemente pela Covid-19 e seus bebês em gestação possuem mais riscos de saúde depois do parto . O estudo alerta para a necessidade de pessoas do grupo de risco, como as gestantes, manterem os protocolos de segurança.


mãe segurando bebê com roupa de hospital
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Das gestantes infectadas, mais de 60% não apresentaram sintomas


Neste estudo, foram analisadas 183 gestantes que deram à luz entre a 16ª e 41ª semana de gestação, entre os meses de março e junho deste ano. Foram comparados 61 partos de mulheres que tiveram a Covid-19 e 122 partos de mulheres não infectadas. Dos casos positivos, 54 eram leves, seis eram graves e um era crítico.

O resultado da pesquisa aponta que as mulheres que mais têm chances de contrair a Covid-19 em níveis graves são negras e hispânicas, obesas, com mais de 35 anos ou que possuem diabetes e pressão alta.

“Essas mulheres estavam em risco de parto precoce, pré-eclâmpsia, necessidade de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica e permanência hospitalar prolongada”, explica Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista obstetra especialista em reprodução humana e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).

“O estudo também descobriu que  mulheres grávidas com casos leves da doença tiveram resultados semelhantes em comparação com aquelas que não estavam infectadas”, acrescenta o médico.

O estudo informa ainda que entre os riscos neonatais estavam dificuldade respiratória, sangramento cerebral, inflamação intestinal, frequência cardíaca anormal (mesmo com auxílio de ventilação artificial), fluxo sanguíneo para a placenta e maiores internações em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal. Os bebês que mais tiveram essas ocorrências nasceram prematuros.

Das mulheres infectadas, mais de 60% não apresentaram sintomas. As outras mulheres avaliadas que tiveram a Covid-19 sentiram dores musculares, febre e tosse. “Todas as mulheres com Covid-19 grave e crítico precisaram de oxigênio suplementar, e algumas receberam outras intervenções, como medicamentos imunossupressores nos estágios iniciais e esteroides”, diz Rodrigo.

Momento ainda pede cuidados extras

Vale lembrar que ainda estamos em pandemia e que para evitar a contaminação, é preciso que gestantes, puérperas e familiares que têm contato com essas mulheres redobrem os cuidados. Para fazer isso, o médico afirma que é necessário:

  • Evitar contato próximo com pessoas que apresentam infecções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabão por ao menos 20 segundos, principalmente após contato com outras pessoas, superfícies e antes de se alimentar;
  • Usar álcool em gel 70% caso as mãos não tenham sujeira visível ou água e sabão não estejam à disposição
  • Evitar colocar a mão na face
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Usar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes limpos com detergente, água sanitária e álcool;
  • Manter os ambientes bastante arejados.

Além dessas medidas, o obstetra alerta que se a gestante tiver sintomas como falta de ar ou febre, é preciso procurar ajuda médica rapidamente.

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