A modelo Nicole Wolfensberger, mãe de uma menina de 7 anos, contou que ficou chocada ao descobrir que a filha tinha uma conta no TikTok e postava conteúdos que ela considera sensualizados na rede social.  Em entrevista à revista Marie Claire, ela contou que foi o pai da menina, Allison Lima, filho do cantor Chitãozinho, quem criou o perfil. 

Nicole Wolfensberger
Reprodução/Instagram
Nicole Wolfensberger conta como se sentiu a ver a filha de 7 anos exposta na internet

Nicole contou que a filha pedia para usar o TikTok e, depois de analisar os conteúdos, a modelo considerou que a filha era muito nova para ter um perfil na rede social, que apenas permite usuários maiores de 13 anos. Foi durante essa conversa que a menina acabou falando que já tinha uma conta, para surpresa de Nicole. Ao ficar sabendo que Allison foi o responsável por criar a conta, a mãe da garota ligou para o ex.

O cantor e a modelo estão separados desde 2017. Desde então, Nicole tem a guarda unilateral da filha e Allison passa um final de semana com a garota a cada 15 dias. Quando ficou sabendo sobre o TikTok, a modelo pediu para o ex excluir o perfil da criança e achou que ele tinha feito isso, até que teve uma surpresa algumas semanas depois. No dia 11 de agosto, segundo Nicole, ela descobriu que a conta tinha sido apenas desativada e reativada tempo depois com outro nome e que, para piorar, ele estava púboico e "continha o termo 'gatinha'".

Nicole foi ver o que estava sendo postado na rede social e descobriu vídeos da filha maquiada, usando sutiã e fazendo poses que ela considera sensualizadas. "Olhando o celular, eu tremia. Minha respiração acelerou. Saí de mim. Era minha filha ali, exposta como nunca havia visto antes. Descobri que minha filha de sete anos tem sutiã. E que usa o TikTok sozinha, sem supervisão alguma, tem seguidores e curtidas", disse à revista. 

Tirando a conta do ar

A modelo entrou em contato com o TikTok e com Allison. Ela diz que não teve nenhuma resposta do ex, já a rede social respondeu após 24 horas falando que iria analisar a denúncia. Sem saber o que mais poderia fazer, a mãe foi à 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo para registrar boletim de ocorrência por exposição de menor, o que é considerado crime segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Nicole ainda diz estar apavorada e sem saber o que foi feito com o perfil da filha, se ele foi mesmo excluído ou só mudou de nome. "Me sinto em um filme de terror psicológico por não saber se minha filha está sendo exposta em uma rede social. Não entendo a demora e o silêncio do TikTok em relação às denúncias", declarou. Para a Marie Claire, a rede social disse que a conta foi excluída há algum tempo e que proíbe conteúdos "sexualmente explícitos com menores ou que explore sexualmente menores". 

"Vivemos em uma sociedade que desde cedo sexualiza as crianças e naturaliza a pedofilia. Fiquei assustada ao lidar com a possibilidade de que as imagens da minha filha pudessem acabar expondo-a. Apesar das minhas insistentes mensagens ao pai dela, não tive qualquer resposta", falou a modelo sobre a conversa com Allison. 

A mãe da menina ainda disse que, ao ver a filha sendo exposta na internet, acabou se recordando de seu passado de abuso. "Eu sou vítima de pedofilia. Sobrevivente, como gosto de chamar. Sofri abuso aos oito anos de idade, e demorei mais vinte para conseguir falar a respeito. Até hoje, continua sendo difícil. E minha filha está aqui, com quase a mesma idade que eu tinha quando fui abusada, querendo inocentemente usar redes sociais. Eu sei que é injusto projetar os meus traumas nela e me esforço para não o fazer. Refleti muito a respeito da minha decisão sobre proibir o uso do TikTok. Acredito que tenha tomado a melhor possível nesse caso", falou. 

Por fim, Nicole disse que acabou descobrindo diferentes grupos e organizações que lutam em todo mundo contra a exposição de menores na internet. "A segurança e bem-estar das crianças no mundo digital vêm sendo amplamente discutidos. Ainda assim, venho me sentindo sozinha nesses últimos dias. E impotente", conclui.

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