Tamanho do texto

Uso da gamificação pode ser benéfico no desenvolvimento de crianças e adolescentes, mas pode causar danos se alguns cuidados não forem tomados

Depois de bombar no meio empresarial, a gamificação na educação está se tornando parte cada vez mais integral da aprendizagem das crianças, e existem diversos motivos para essa ascensão.

Leia também: Seu filho tem dificuldades com um novo idioma? Veja como ajudá-lo

Criança olhando para a tela do computador, onde está escrito
shutterstock
A gamificação na educação pode trazer inúmeros benefícios, mas você precisa de alguns cuidados para evitar danos

Segundo João Luís Almeida, coordenador de tecnologia educacional da Sphere International School, a gamificação na educação pode, por exemplo, gerar maior interesse e participação das crianças e adolescentes, bem como ajudá-los a lidar melhor com a frustração e o êxito.

A necessidade de tomar cuidado com a gamificação na educação

Por outro lado, tudo que é bom em excesso também pode fazer mal. O coordenador da Sphere International School lembra que este processo de aprendizado também pode levar a problemas como vício virtual, reclusão, desrespeito às regras no mundo real, noites mal-dormidas e má alimentação.

"Os danos estão relacionados aos excessos e à falta de critério na escolha dos games", reforça. Portanto, se você está interessado em gamificação na educação, é uma boa ideia conhecer os cuidados básicos que ela exigirá, seja na escola ou em casa.

Até porque, como lembra Almeida, são justamente os educadores e os pais que retêm o papel de mediadores e controladores da tecnologia que as crianças usam para o seu desenvolvimento cognitivo .

1. Imponha limites ao uso de tecnologias e monitore o uso

Mãe repreendendo a filha com o computador na mão
Shutterstock
Usar a gamificação na educação requer regras claras sobre o uso e o monitoramento para que a criança não as infrinjam

Regras claras são o primeiro passo para evitar problemas com a gamificação. Elas devem ir desde o tipo de atividade que a criança pode fazer nas plataformas que tiver à disposição até o tempo máximo de uso.

Mas não basta impor limites. Também é preciso ficar de olho para garantir que as crianças estejam respeitando as regras estabelecidas e evitar que elas extrapolem no uso dos games e atividades interativas virtuais.

Leia também: Queimadura, irritação e mais: os perigos do slime caseiro

2. Fique de olho na faixa etária

Criança medindo a altura numa régua na parede
Shutterstock
Processo de aprendizagem com a gamificação requer atenção à faixa etária dos pequenos, para evitar danos

Como lembra João Luís, a gamificação exige muito respeito à faixa etária das crianças. "Crianças na Educação Infantil, por exemplo, precisam de muito contato com elementos concretos e os jogos físicos são mais adequados e recomendados pelos especialistas do que qualquer uso de games ou introdução de gamificação", pondera.

Ele também menciona as recomendações feitas por órgãos da ONU, que advertem contra o uso de telas (sejam elas de videogame ou de celular) por crianças de até 2 anos de idade. Depois, a introdução à tecnologia deve ser feita de forma contida e gradual.

Isso serve, segundo João, "justamente para proporcionar o concreto, o contato com a natureza, livros, outras crianças, educadores e outros recursos".

3. Incentive o contato com o mundo real

Crianças jogando bola no quintal
Shutterstock
Mesmo que você use a gamificação, o desenvolvimento cognitivo ainda requer incentivo ao contato com o mundo real

Falando nisso, é importante que a criança entenda que a gamificação é apenas um complemento às experiências no mundo real, que continuam tendo muita importância no seu desenvolvimento cognitivo.

Por isso, pais e educadores precisam sempre reforçar a importância desse tipo de atividade no processo de aprendizado. É crucial investir em atividades dinâmicas e engajantes, que mantenham a criança entretida e deem a ela a oportunidade de se socializar.

4. Consulte especialistas antes de adotar a gamificação em casa

Pais e filha conversando com diretora de escola
Shutterstock
Antes de usar a gamificação em casa, é sempre bom conversar com os educadores para entender melhor como funciona

Além de impor regras e incentivar o contato com o mundo real, é preciso sempre conversar com especialistas no assunto para adotar esse tipo de processo de aprendizado.

"As famílias devem buscar apoio especializado, conversando com os educadores e a escola onde a criança estuda para saber o que já é usado em termos de plataformas educativas gamificadas e o tempo mais adequado de utilização diária", reitera Almeida.

5. Mantenha-se informado sobre o assunto

Mãe ajudando a filha com a lição de casa
Shutterstock
A gamificação em casa requer que os pais estejam sempre atualizados sobre o assunto para acompanhar os filhos

Também na questão de saber como implementar a gamificação em casa, é preciso investir na informação. As famílias precisam saber quais as últimas notícias e descobertas no ramo para ponderar se vale a pena ou não continuar com atividades gamificadas para o desenvolvimento cognitivo dos filhos.

Leia também: Bebê prodígio? Menino diz suas primeiras palavras aos dois meses; veja vídeo

Segundo o coordenador da Sphere International School, "ler publicações atualizadas sobre o assunto para acompanhar pesquisas, participar e conhecer os games usados pelos filhos" são boas formas de fazer isso e evitar problemas quando usar a gamificação na educação dos seus pequenos.