Ser mulher já é um grande desafio dentro da sociedade. Ser mulher e jogar futebol é um desafio maior ainda, principalmente em um tempo onde mal haviam times e clubes que montavam equipes femininas. Mas, muitas mulheres corajosas abriram caminho para que o futebol feminino crescesse no Brasil.

nildinha
Reprodução/Instagram
A ex-jogadora contou ao Delas os desafios que teve na carreira


Uma dessas mulheres é Nilda Ismael do Nascimento, mais conhecida como Nildinha, a atacante e artilheira que passou pelo Gama, Saad, Grêmio e Corinthians, além de defender a seleção brasileira na olimpíada de Atlanta (em 1996) e Sydney (em 2000). Ela contou ao Delas como foi a trajetória e como está a carreira neste momento.

"Tivemos muito avanço, um exemplo é o  pagamento igualitário das diárias na seleção feminina e em premiações  e a chegada da Aline e da Duda na CBF. Mas ainda estamos bem longe de um cenário ideal. O investimento, a mídia e os salários são bem abaixo do ideal para jogadoras que jogam por tanto tempo", afirma.

Nildinha começou a jogar bola muito pequena em sua cidade natal, Brasília, e foi primeiro para o futsal. "Eu jogava muito na rua. Minha mãe não gostava por ser um esporte de menino , ela ainda pensava que não me levaria a nada, até me batia para parar de jogar. Mas comecei a jogar futsal no Aruc e depois no Minas Clube Futsal por não ter nenhum clube ou time com futebol feminino de campo", conta.

Até que o Gama, time tradicional do Distrito Federal, abriu uma equipe de futebol feminino. "Com 17 anos fui para o futebol de campo do Gama, comecei minha carreira ali, mas só ganhava ajuda de custo. Joguei por quatro anos lá e ao disputar a antiga Copa Brasil em Minas, fui jogadora revelação e o clube Saad de São Paulo se interessou. A troca não foi daquelas mais glamurosas, eu fui trocada por cinco chuteiras", afirma rindo.


Segundo Nildinha, a transferência se deu pelo talento e também porque o diretor não tinha estrutura no Gama, então cinco chuteiras fariam muita diferença na época. "Ele queria que eu crescesse, então me mandou para o Saad, e lá foi o lugar que recebi o meu primeiro salário, se é assim que podemos considerar", diz.

Ao se mudar de Brasília para São Paulo, Nildinha teve a primeira e única filha. "Além de ter os desafios de qualquer jogadora convencional, tive que me dividir entre mãe sozinha e atleta. Ela morou comigo em vários alojamentos de clubes, no Saad ela era considerada xodó, porque vivia comigo lá. Eu a levava para a creche, treinava, a buscava. Foi um período bem difícil até ela pegar uma idade considerável", conta. A ajuda de custo do Saad foi o bastante para que Nildinha criasse a filha e vivesse confortavelmente em São Paulo.

Como ela era sozinha, não teve pressão de um marido ou companheiro. Mas com poucos anos de Saad, ela encontrou o companheiro que está com ela a vida inteira. "Meu irmão já me apoiava, ao encontrar o meu amor que também não deixou de me apoiar e sempre me deu força", conta.

Com quase 30 anos de carreira, passagens brilhantes por diversos clubes e pela seleção, Nildinha se aposentou e foi trabalhar como auxiliar técnica no São Paulo Futebol Clube. "O convite veio de um conselheiro do clube, que pegou meu currículo e apresentou ao Raí. Ele gostou e me contratou, mas infelizmente a comissão técnica do principal não gostava do meu trabalho, era praticamente eu, Deus e as jogadoras nos jogos", afirma.

Ela conta que na reapresentação deste ano, ela foi demitida. "Apesar do trabalho bom e elogiado, eu e mais uma massagista fomos demitidas sem entender o porquê. Foi um bom período no São Paulo, mas agora sigo procurando outra oportunidade. Espero voltar aos campos logo, enquanto isso vou treinando minha netinha, que não pode ver uma bola que quer chutar", afirma.

    Veja Também

      Mostrar mais