Tinder
Unsplash/Mika Baumeister
A empresa Tinder Brasil ainda não se pronunciou sobre o caso


O Twitter amanheceu neste domingo (12) com a hashtag #TinderTransfóbico entre o assuntos mais comentados do Brasil. Trata-se do caso da artista trans Romagaga, que teve sua conta banida do  Tinder sem motivo e acusa o aplicativo de transfobia .


A artista postou dois vídeos relatando o que aconteceu em seu perfil no Twitter e desabafando sobre a invisibilização de pessoas trans no aplicativo. “A militância desse bando de v**** — que eu falo logo assim — é falsa, entendeu? É falsa”, soltou Romagaga . “A hipocrisia reina.”

Segundo ela, essa não foi a primeira vez que sua conta foi deletada: o mesmo aconteceu no ano de 2018. A artista tentou denunciar o Tinder e não obteve respostas.

“Eu faço uma conta lá e em um minuto sou banida, como qualquer outra trans. Isso não é justo.”


O que mais deixou a artista indignada é o fato de o perfil do Tinder nas redes sociais ter adaptado seu símbolo com a bandeira LGBTQIAP+ e adicionado a frase “O Tinder é para todos/todas/todes nós”. Trata-se de campanha realizada no mês passado, que marca o Mês do Orgulho LGBTQIAP+.

“Tá lá o Tinder usando a bandeira LGBT, usando a causa, se promovendo. Sendo que nós trans não temos o direito de estar no aplicativo”, disse a artista. “Não é só um aplicativo, tô cansada já de hipocrisia das pessoas. Tá lá usando a bandeira LGBT e nós não temos direito nenhum”, continuou.

Romagaga fez ainda um questionamento sobre o apagamento das pessoas trans do movimento LGBT e critica outras pessoas por fecharem os olhos para essa agenda. “Dessas empresas que estão usando [a bandeira no perfil], quantas trans vocês estão vendo trabalhar?”, questiona.

“A ‘bicha’ passa pano e finge que nada está acontecendo. Já estou cansada desse povo que lucra, que ganha em cima da bandeira como falso militante”, continuou.

Rapidamente, outras pessoas trans escreveram em seus perfis que também tiveram suas contas barradas pelo Tinder. "Eu mesma perdi minhas contas várias vezes por isso. Cheguei a entrar em contato com o app e sem sucesso me alegaram que violei algumas diretrizes do site. Mas eles não falam o que é", escreveu uma internauta.

Romagaga também recebeu diversas mensagens de apoio de outras pessoas. A hashtag também foi usada por internautas que pedem explicações para o aplicativo, além de reivindicar que pessoas trans sejam incluídas em seu “catálogo”.

Após a publicação da reportagem, o  Tinder Brasil divulgou uma nota de esclarecimento, leia abaixo na íntegra:

"Estamos dedicados a tornar o Tinder o melhor aplicativo para todes conhecerem novas pessoas. O Tinder não bane usuários por conta da sua identidade de gênero, por isso estamos totalmente comprometidos em desenvolver recursos inclusivos que garantam que nossos usuários possam expressar quem são em nossa plataforma. No entanto, sabemos que nosso trabalho não está concluído.

Reconhecemos que a comunidade trans enfrenta desafios no Tinder, incluindo ser injustamente denunciada por matches potenciais. Esta é uma questão complexa e multifacetada e estamos trabalhando em estreita colaboração com organizações ao redor do mundo para melhorar constantemente nossas práticas. Recentemente, anunciamos a chegada de Identidades de Gênero no Brasil em Julho, expandindo as opções disponíveis para membros que se identificam além dos gêneros binários. 

Todas as pessoas que acreditam que foram banidas injustamente por denúncias relacionadas a sua identidade de gênero podem nos contatar em questions@gotinder.com para que nosso time avalie e revise o caso."

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