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Britânica descobre gene que aponta predisposição para o câncer de mama, decide pela retirada dos seios para prevenir doença e pede festa para amigos

Ao descobrir que era portadora do gene BRCA1, que dá às mulheres 85% mais chances de desenvolverem o câncer de mama, a britânica Hayley Minn estava convencida de que iria fazer uma cirurgia de mastectomia, para a retirada dos seios. Diante da decisão, os amigos e a mãe da jovem organizaram uma festa para que ela pudesse se despedir dos seus peitos.

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Jovem ganha festa de despedida para os peitos antes de realizar a mastectomia para evitar câncer de mama
Reprodução/Instagram @hayleyminn
Jovem ganha festa de despedida para os peitos antes de realizar a mastectomia para evitar câncer de mama

A celebração inusitada veio junto com sua festa de aniversário de 28 anos, e contou com a presença de 20 pessoas, entre amigos e familiares. A ideia era fazer com que Hayley tivesse um pouco de diversão antes da mastectomia .

"Quando descobri que eu tinha o gene, soube imediatamente que queria a cirurgia. Me disseram para esperar até os 30 anos, quando eu já tivesse começado uma família, mas você não precisa necessariamente amamentar para ter filhos - e eu prefiro que meus futuros filhos me vejam envelhecendo [do que não me vejam]”, diz ela em entrevista ao jornal Metro .

Mesmo sem ter a doença, a jovem conta que sua avó, Hannah Minn, faleceu por conta de um câncer de mama aos 49 anos em 1970, e seu pai Eliot teve o gene detectado em 2015. Com medo de ter a condição, ela decidiu se prevenir fazendo a retirada dos seios.

Festa antes da mastectomia

Para aliviar o clima de tensão antes da mastectomia, a festa de Hayley contou com várias atividades para os convidados
Reprodução/Instagram @hayleyminn
Para aliviar o clima de tensão antes da mastectomia, a festa de Hayley contou com várias atividades para os convidados

Engana-se quem pensa que o evento que precedeu a cirurgia teve um clima triste. As atividades na "festa de despedida da glândula mamária", realizada na casa da família de Hayley em Herts, na Inglaterra, incluíam peitos emoldurados em gesso, “bra-pong” (uma espécie de ping-pong de sutiãs) e outras brincadeiras relacionadas ao tema, fora a decoração personalizada criada pelos convidados.

"Eu nunca pensei nisso [retirada das mamas] como um movimento corajoso - é apenas uma atitude que vai salvar minha vida. Então, pedi a minha mãe que organizasse um chá com meus amigos, pois queria vê-los e passar um tempo com eles, sabendo que ficarei na cama por pelo menos seis semanas após o procedimento e terei dores por um bom tempo depois”, afirma.

No entanto, a jovem confessa que não esperava que a festa fosse tão bem planejada. “Fiquei tão surpresa com o esforço que minha mãe tinha feito, e isso me deixou muito emotiva. Sou grata por estar cercada dela e de meus amigos mais próximos”, conta emocionada.

Segundo Hayley, a festa foi feita para ser uma celebração da vida e para mostrar que uma operação como essa não precisa ser, necessariamente, uma ocasião pesarosa.

"Tínhamos chá, bolo de peitos, prosecco, enormes peitos infláveis, e ainda jogamos ' bra pong ' e ' pin the boobs '. Havia também um livro para as pessoas escreverem mensagens que serão entregues a mim depois do procedimento. Além disso, meus amigos até fizeram um molde dos meus seios usando um kit de gesso da internet”, detalha.

Hayley fala que estar cercada por amigos e dar risada com pessoas queridas fez com que ela se sentisse muito amada e aliviou a ansiedade para a cirurgia que está prestes a acontecer. “Saber o quanto as pessoas se importam e quão forte é o sistema de apoio que eu tenho realmente me ajudará a superar a cirurgia."

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Decisão de fazer mastectomia foi planejada há tempos

Antes da retirada das mamas na mastectomia, os amigos de Hayley fizeram um molde de seus peitos com gesso
Reprodução/Instagram
Antes da retirada das mamas na mastectomia, os amigos de Hayley fizeram um molde de seus peitos com gesso

Inicialmente, a britânica havia planejado o procedimento em 2017, quando tinha 26 anos. No entanto, a operação foi suspensa depois que seu irmão David Minn morreu, aos 24 anos, devido a uma queda enquanto viajava pela Argentina no mesmo período.

“Antes, eu já tinha agendado a cirurgia para o dia 26 de março de 2017, mas quando meu irmão morreu, eu precisei cancelar. Não ia aguentar passar pelas duas situações difíceis ao mesmo tempo", lembra.

A jovem fala que mesmo tendo tomado a decisão há dois anos, sente que o tempo passou voando e que ainda se sente insegura. “Percebi a rapidez com que o tempo passa quando meu irmão morreu. Eu não tenho medo da cirurgia, planejei com antecedência, mas não estou preparada para a dor depois.”

Para tentar encarar a situação da melhor forma possível, Hayley tem buscado ajuda em grupos em redes sociais com mulheres que já passaram ou estão para passar pela cirurgia e que discutem sobre o assunto, incluindo a realização da reconstrução mamária.

"Estou certa de que farei a reconstrução. Admiro mulheres que não se reconstroem, mas farei o procedimento para parecer esteticamente semelhante ao que sou hoje, a única diferença é que não vou poder amamentar", reflete.

Através de um grupo WhatsApp com outras mulheres que são portadoras da mesma mutação genética, a jovem encontrou conforto e agora é uma "Boob-ette", como eles chamam as membras da turma, que envolve levar mensagens animadoras às mulheres, visitar escolas e faculdades para alertar sobre a condição e discutir suas experiências com o câncer de mama.

Mas, apesar de fazer amigos através do seu diagnóstico, ela disse que se sente "intrusa", já que ela mesma não passou pelo câncer. "Muitas das garotas com quem estou tendo contato tiveram câncer, então elas são uma grande inspiração para mim. A maioria delas já fez a mastectomia e está me dando bastante força”, afirma.

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Depois de passar pela operação de quatro horas para remover os dois seios, Hayley será submetida a uma reconstrução para preencher o espaço das mamas. "Eu diria às mulheres que também têm a mutação do gene que cabe inteiramente a elas a decisão de fazer a mastectomia ou não. Mas acho que é a melhor coisa que você pode fazer para reduzir o risco de câncer de mama”, conclui.

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