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Ainda hoje, mesmo após tratamento, americana Amanda Martin garante que precisa controlar o transtorno alimentar que quase tirou sua própria vida

“A verdade é que não há nada glamuroso em passar fome até o ponto de você precisar ser hospitalizada para salvar sua vida. Não há nada glamuroso em seu cabelo começar a cair ou o em seu coração parar. Não há nada glamuroso em ficar tonta e fraca o tempo todo e mal ser capaz de funcionar. Não há nada glamuroso em chorar porque você está com tanta fome, mas sabe que simplesmente não pode comer. Não há nada de glamuroso em relação a todos os problemas que surgem pelo caminho. Não há nada glamuroso sobre a anorexia.”

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Amanda Martin, que conseguiu superar uma anorexia, se tornou infeliz com o próprio corpo quando tinha apenas sete anos
Instagram/mandyyjoan/Reprodução
Amanda Martin, que conseguiu superar uma anorexia, se tornou infeliz com o próprio corpo quando tinha apenas sete anos

O relato direto e forte foi escrito pela jovem Amanda Martin, de 21 anos, e publicado no Instagram no dia 14 deste mês. A americana se tornou inspiração para milhares de seguidores após revelar sua luta contra a anorexia . Ela termina o relato dizendo que é “mais que uma foto de antes e depois. Sou prova viva de que há vida pós um transtorno alimentar .”

Quem vê as fotos de Amanda hoje, porém, não imagina que ela sofria com a imagem que via no espelho desde os sete anos de idade. Quando tinha 17, a solução que encontrou para a infelicidade e ansiedade que sentia foi parar de comer, se exercitar o máximo que podia e contar cada caloria que tinha de digerir.

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“Chegou a um ponto da minha vida em que eu sentia que não tinha controle de nada, e esse sentimento, somado a uma ansiedade horrível, foi o que me fez começar. Já que não tinha controle sobre qualquer aspecto da minha vida, eu podia controlar o que comer ou não. Minha vida mudou por completo quando decidi pelo não”, disse em entrevista ao “Daily Mail”.

Transtorno alimentar

Em seus piores dias, Amanda pesava 49kg e nem uma peça tamanho PP ficava justa nela. Aos poucos, a jovem foi de afastando dos amigos e parando de ir à escola. “No começo, foi algo poderoso. Era como se estivesse usando drogas, e a fome fosse meu remédio. No momento em que me acostumei com as dores de estômago pela fome e outros efeitos colaterais, me senti no comando e ótima. Mas, com o tempo, isso mudou.”

Amanda ficou tão doendo que jeca não saia de casa. Com o passar dos anos, o problema passou a afetar a mãe e o irmão da jovem também, e isso foi algo que a machucou bastante. Mas o que a fez buscar ajuda mesmo foi ficar próxima da morte.

Foram duas vezes mais críticas, uma com 17 e outra com 19. Depois da última vez internada, ela sabia que, se não mudasse, iria morrer logo. “Meu desejo de viver foi mais forte que o de continuar com o transtorno alimentar.”

Recuperação

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Apesar da força de vontade, não foi fácil para Amanda voltar a comer e muito menos ver os números da balança aumentarem gradativamente. Ela chorava quando precisava comer e via que havia ganhando peso, e só queria voltar para casa quando isso acontecia, mas sabia que, se o fizesse, morreria.

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Hoje, após a recuperação, Amanda pode se dizer uma pessoa saudável. Dos 49kg, ela passou para 63,5kg. “Me sinto melhor e mais feliz, com certeza. Mas cada dia ainda é uma batalha porque nunca acaba, você apenas aprende a como lidar com o seu transtorno alimentar.”

Mesmo sabendo das dificuldades da anorexia e também da fase pós tratamento, Amanda não deixa de incentivar seus seguidores. “Eu quero que as pessoas saibam que podem se recuperar também. Você é mais forte que a voz na sua cabeça dizendo que você não é.”

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