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No dia da não-violência, neste sábado (30), selecionamos algumas situações que incomodam e explicamos os movimentos que pretendem mudá-las

O machismo é visto por boa parte da sociedade apenas em situações como estupro, violência física, diferenças salariais ou submissão. Mas, na verdade, comportamentos machistas vão muito além disso, estão presentes em pequenas coisas do dia a dia, que acabam atingindo mulheres e atuando como uma barreira que as impede de agir naturalmente.

No dia da não violência, neste sábado (30), separamos algumas dessas situações para mostrar como elas incomodam as mulheres e como devemos lutar para que essas situações não ocorram mais. Diga "não" a qualquer tipo de violência. 

A sociedade é construída de maneira machista
Getty Images
A sociedade é construída de maneira machista



Homens que interrompem

Ocorre quando uma mulher está falando e é constantemente interrompida por um homem, o que a impede de concluir um pensamento. “É uma das coisas que mais me incomodam e dá para ver que é uma questão de gênero. É comum eu ser interrompida por homens que não são nem da área tentando falar do meu trabalho. Na faculdade também, vejo que é mais difícil para uma mulher provar seu argumento ou colocar uma opinião”, conta a universitária Thaís.

Veja alguns exemplos no vídeo. 


Machismo por parte das mulheres

Quando falamos de machismo, pensamos apenas em homens tendo atitudes que afetam as mulheres. Mas, o contrário também acontece, é o que explica Letícia, de 20 anos. “Nada me irrita mais do que a falta de solidariedade entre as próprias mulheres. Utilizar  xingamentos baseados no tamanho, tipo de roupa ou na quantidade de parceiros sexuais da mulher me envergonham de uma forma absurda, já que, ao invés de apontarmos os nossos dedos, deveríamos nos unir e conquistar a nossa liberdade e igualdade”.

Olhares indiscretos

Coisas que as mulheres deixam de fazer por medo da violência
Thinkstock/Getty Images
Coisas que as mulheres deixam de fazer por medo da violência

Os olhares lançados para mulheres nas ruas, transportes públicos ou até mesmo em ambiente de trabalho causam um grande constrangimento. "Uma das situações que me deixa mais incomodada é, com certeza, quando sou encarada no metrô pelas costas", diz Júlia.

"Parei de usar shorts, vestidos e roupas curtas que mostrassem a minha perna. Me sentia muito invadida quando passava na rua vestida assim e me olhavam. Hoje em dia, só saio de casa de shorts para ir em algum lugar que seja bem perto e eu não vá demorar tanto", revela Chames.

Mesas de restaurante/ barzinho

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Nos restaurantes e barzinhos, as "regras de etiqueta" seguidas pela maioria dos garçons são extremamente machistas. "Quando saio com o meu namorado, sempre dividimos a conta, afinal, ele não é obrigado a bancar tudo sozinho. Eu trabalho e tenho orgulho de pagar o que consumo, mas os garçons ainda entregam a conta para ele e se assustam quando começamos a dividir o valor por dois", conta Bianca, de 29 anos.

"Quando peço uma bebida alcóolica, sempre servem para ele, mas ele não gosta de nada alcoólico", acrescenta.  Tal experiência já foi vivida por tantas mulheres que se tornou vídeo de conscientização na internet, confira. 


"Já pode casar"

A frase 'já pode casar' dita para uma mulher que cozinha bem também é um ato de machismo
Reprodução
A frase 'já pode casar' dita para uma mulher que cozinha bem também é um ato de machismo

Saber cozinhar é visto pela sociedade como algo quase que obrigatório para uma mulher.

"O que me irrita muito vem tanto de homens como de mulheres. Gosto muito de cozinhar e, muitas vezes, quando provam minha comida soltam aquela famosa frase 'já pode casar, hein?!' como se eu não pudesse se não soubesse fazer uma boa comida. Eu posso fazer o que eu quiser mesmo se não souber cozinhar, lavar roupa ou fazer faxina na casa", explica Franciele. 

"Isso não é coisa de mulher"

"Desde pequena, sempre gostei de brincar de coisas que eram consideradas de menino. Meu brinquedo favorito era uma bola e, na escola, quase ninguém aceitava isso. Poucas vezes fui permitida de jogar com os meninos durante o intervalo. Hoje, continuo me interessando por futebol, jogo rugby e não canso de escutar que 'isso não é coisa de mulher'. Aprendi a não ligar mais.", conta Juliana, de 25 anos. 

Cantadas

As cantadas escutadas nas ruas deixam as mulheres constrangidas
Reprodução
As cantadas escutadas nas ruas deixam as mulheres constrangidas

"Não importa se eu estou de legging ou shorts, sempre tem um cara que olha, que mexe. São coisas do tipo 'oi, princesa', 'está de parabéns' ou 'gostosa'. Não tem um dia na minha vida que eu não tenha me sentido intimidada ao andar na rua. Eu tenho medo de andar sozinha, sair sozinha. E não é de assalto, não, é desses homens que acham que tem algum direito sobre meu corpo", revela Laura.

Luis também passou por isso. "Meu prédio entrou em reforma há um tempo. Todas as vezes que cruzava com um operário, ele me cantava. Uma vez, estava no meu quarto e ele simplemente apareceu na janela e começou a querer conversar comigo. Sentia meu espaço totalmente invadido. Depois disso, peguei um trauma e não consigo mais passar perto de obras, sempre mudo o lado de rua".

O que fazer?

O feminismo de Thaís Regina se orienta para a libertação da opressão de todas as mulheres
Reprodução
O feminismo de Thaís Regina se orienta para a libertação da opressão de todas as mulheres

É por essas e outras que Thaís Regina, uma feminista de 19 anos, afirma que práticas seculares de opressão à mulher ainda estão presentes hoje em dia.

"Nós continuamos acorrentadas em um ciclo voraz de abuso. É uma coisa muito maior, que não vai acabar amanhã. A estrutura social ocidental é misógina. Mas e se eu, sendo mulher, lançar um livro? E se eu, sendo mulher, não deixar um homem me interromper? E se eu, sendo mulher, responder o assédio de rua ou denunciar? E se eu, sendo mulher, resistir? É um começo. O feminismo é uma ideologia política social revolucionária. A revolução já começou, só que leva tempo.”, explica.


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