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‪#‎AgoraÉQueSãoElas‬: ninguém vai mais calar as questões do feminino é um vídeo em resposta a agressões contra diretora Petra Costa, o machismo e a favor do direito ao aborto

A página oficial do filme "Olmo e A Gaivota" publicou, nesta terça (3), um video emocionante com a participação de atores como Julia Lemmertz, Bruna Linsmeyer, Alexandre Borges e Bárbara Paz.

Bárbara Paz e mais artistas se juntam a favor do direito ao aborto e contra o machismo
Reprodução
Bárbara Paz e mais artistas se juntam a favor do direito ao aborto e contra o machismo



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Machismo e aborto

O vídeo (abaixo) é um texto contra o machismo e a favor do direito das mulheres decidirem sobre o aborto. "Falar de gravidez é um tabu. Vem desde nossa senhora, que engravidou virgem", dizem os atores. "E se não quiser um filho? Não pode abortar. 'Vadia, se não quer ter filho, feche as pernas'. Toda mulher é dona do seu corpo, faz com ele o que quiser. Meu corpo, minhas regras. Nada é fácil aqui: ser mãe, não ser mãe", continuam os atores.

A gravação, explica a legenda, foi feita também em resposta às agressões verbais recebidas depois do discurso feito pela diretora do longa, Petra Costa, na premiação do Festival do Rio. 

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E que em breve eu espero que no Brasil toda a mulher tenha soberania total sobre o próprio corpo. Seja pra rejeitar uma gravidez, interromper com o aborto que já é legal há mais de 40 anos na França, nos Estados Unidos, em Cuba..."

Discuso polêmico

No discurso (vídeo abaixo), a diretora de "Olmo e a Gaivota" dedicou o prêmio às mulheres no desejo que nenhuma mulher brasileira seja vítima do machismo, físico ou verbal, e que toda mulher possa ter soberania sobre o próprio corpo. 

"Eu queria dedicar esse prêmio à minha mãe e às mulheres. E que em breve eu espero que no Brasil toda a mulher tenha soberania total sobre o próprio corpo. Seja pra rejeitar uma gravidez, interromper com o aborto que já é legal há mais de 40 anos na França, nos Estados Unidos, em Cuba...Seja pra mergulhar nela como é no caso do nosso filme e ter todos os direitos pra fazer isso da melhor forma. Espero também que nenhuma mulher brasileira sofra machismo verbal ou físico, desde a presidenta, às cineastas , às atrizes, às domésticas...às mulheres!", disse Petra Costa ao receber o prêmio de Melhor Documentário do Júri Oficial do Festival do Rio.

Comentários como "vadia, se não quer ter filho feche as pernas" inundaram a página do Facebook do filme após as declarações de Petra. 


Protesto contra Cunha e projeto de lei

Manifestantes que são contrários ao projeto de lei (PL) 5.069/13, que criminaliza o “induzimento, instigação ou auxílio ao aborto” realizaram no sábado (31) uma manifestação  na Estação Rodoviária do Plano Piloto, na área central de Brasília. Segundo a Polícia Militar, cerca de 300 pessoas participaram do ato.

O projeto , assinado originalmente pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e com substitutivo do relator Evandro Gussi (PV-SP), foi aprovado no último dia 21 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por 37 votos a 14.

Entre os manifestantes, homens também demonstraram apoio à causa. O advogado Dimitri Graco foi um deles. “[O protesto] é mais que legítimo e necessário para conter um processo de retrocesso com relação aos direitos das mulheres, inclusive os direitos de liberdade e escolha”, disse.

Para Rebeca Religare, representante da Coletiva Corpolitica, o ato é uma forma de manifestar o pensamento da sociedade. “A gente acredita que a sociedade civil tem condições de colocar o que pensa, de mudar e mais uma vez estamos em um movimento pacifista, sem armas e estamos dialogando com a casa do povo que é a Câmara.”

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 31.10.2015



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