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Psicanalista Mônica Cruz aponta quando a competição é saudável ou não para crianças e qual a importância de entender que nem sempre se ganha

Na escola no dia de festa de esportes você começa a assistir as competições de corrida, de salto, de poesia, música e várias outras competições e seu filho sempre se sobressai, ganhando ou chegando muito perto disso. Você fica muito feliz com isso, não fica? É claro que fica e deve ficar mesmo, se seu filho esta feliz, você esta feliz também.

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Filhos podem ser competitivos

Mas e quando ele perde, quando ele não chega nem perto disso, como ele reage? Crianças que não sabem perder tem que aprender a lidar com isso.

É natural que as crianças sejam muito competitivas na idade dos três aos cinco anos, tudo o que eles fazem é melhor, maior, mais bonito e mais legal. Porém, um pouco mais velhos devem começar a perceber que nem sempre irão ganhar e aprender a lidar com isso.

A primeira coisa a fazer é mostrar aos seus filhos como os amigos se sentem quando perdem. Algumas vezes o seu filho começa a ser excluido das brincadeiras e não sabe porque. A criança não percebe que ganhar sempre faz com outros se afastem, que outras crianças não querem estar perto de outras que sempre estão competindo pra ser melhor

Crianças não conseguem assimilar o conceito de que ganhar implica em outros perderem, e devem se colocar no lugar do outro para sentir o que isso significa.

O que seu filho quer provar competindo só pra vencer? Ele quer se destacar, ele quer ser melhor que os outros, onde na vida dele ele esta se sentindo inferior pra ter tamanha necessidade de ser superior?

Ninguém ganha o tempo todo, nem quando criança, nem quando adulto, mas aprender isso quando criança fará com que ele seja um adulto melhor, há sempre alguém melhor do que ele, e lidar com isso é a melhor maneira de aceitar.

Ser competitivo e querer ganhar não pode tornar-se uma obsessão, não é uma simples disputa por um troféu, ou por reconhecimento, é uma disputa por poder, e como tudo o mais na vida da criança tem a ver com os pais, crianças que são subjugadas, desprezadas, diminuídas na infância, crescerão sentido uma grande necessidade de superar, não conseguindo superar sentimentos de inferioridade essa criança ira tentar superar todas as outras crianças a sua volta, ser melhor que os outros, vence-los.

Trate seu filho com respeito, ajude-o a superar dificuldades, esteja atento ao seu dia a dia, quando seu filho começar a ter atitudes de competição extrema, fale com ele, peça a ele que tente explicar o motivo pelo qual ele sente essa necessidade e mediante isso converse com ele sobre os motivos dele, explique sobre como as outras crianças se sentem em relação a isso.

É importante que a criança entenda que quando ela perde, isso a fortalece, que ela precisa ter resiliência quando quer chegar em algum lugar, modificar-se, e que quando perde é uma grande oportunidade para tentar tudo outra vez, participar de competições e brincadeiras deve ser um prazer por si só, o prazer não deve acontecer somente no ganho, mas sim no percurso todo.

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Respondendo a pergunta, ter um filho competitivo não é bom e não é ruim, na medida certa é só mais uma característica de uma criança no crescimento.